O anúncio de cortes da ordem de 85 bilhões de dólares do governo norte-americano vai levar à intervenção da cidade de Detroit. O prefeito da cidade, Dave Bing, do partido democrata, se recusou a aplicar as medidas de cortes de gastos e a cidade vai sofrer a intervenção estatal para que o plano de austeridade seja aplicado.
O governador do Estado de Michigan, Rick Snyder, vai nomear um interventor para cumprir a função de "gestor financeiro emergencial" em Detroit. Este interventor vai ter plenos poderes para aplicar os cortes.
Entre as funções deste "gestor financeiro" estarão a de decidir sobre todos os aspectos econômicos da cidade podendo inclusive romper os contratos coletivos de trabalho dos servidores públicos. Poderá também demitir funcionários que foram eleitos nas últimas eleições.
O interventor fará parte de um conselho com três representantes do governo estadual, vai ficar no cargo por pelo menos 18 meses.
A cidade de Detroit já foi uma das mais importantes dos Estados Unidos para a indústria automobilística, chegou a ter dois milhões de habitantes e com o avanço da crise econômica diminui a população a menos da metade. Atualmente são 710 mil habitantes. Dezenas de fábricas foram fechadas desde a década de 1990 à procura de outras regiões e países com mão de obra mais barata.
A cidade vive em uma situação financeira bastante precária. Cerca de 60% das crianças de Detroit estão vivendo na pobreza e o número de homicídios é 11 vezes maior do que na cidade de Nova Iorque.
A medida que vai ser aplicada em Detroit mostra como está o nível da crise econômica nos Estados Unidos. A intervenção estatal para impor as medidas de austeridade contra os trabalhadores pode abrir o precedente para que outras cidades também sejam interditadas.