No dia 10 de outubro, a polícia francesa atacou com gás lacrimogênio manifestantes, principalmente operários da PSA Peugeot-Citroen, que se congregaram na frente do Salão do Automóvel, em Paris, para protestar contra as demissões na indústria automobilística no contexto do avanço do desemprego, para mais de 10% (dados oficiais) ou três milhões de trabalhadores, e a recessão da economia. O protesto foi convocado pela CGT, controlada pelo PSF (Partido Socialista) e o PCF (partido eurocomunista), o que demonstra o avanço dos trabalhadores, empurrando a contenção da burocracia sindical. Outras manifestações aconteceram em Lyon, Marselha, Le Havre, Burdeos e Rennes.
Em Genk, na Bélgica, os trabalhadores de uma planta que a Ford pretende fechar entraram em greve. Na quinta-feira chegaram a queimar um automóvel na porta da empresa.
Na Inglaterra, operários protestaram contra o fechamento de duas plantas pela Ford.
A crise na indústria automobilística na Europa
A indústria automobilística começou a apresentar evidentes sinais de esgotamento na Europa. As recentes dificuldades enfrentadas pela Peugeot na França, somou-se a Ford.
A Ford anunciou planos para fechar várias plantas e demitir milhares de trabalhadores. Parte de produção será transferida para regiões onde os custos são menores. Desconsiderando as operações na Rússia, a produção será reduzida em 18%, ou 355 mil veículos, pretendendo reduzir os custos em meio bilhão de dólares.
A crise da indústria automobilística reflete a queda das vendas em mais de 20% na Europa desde o colapso capitalista de 2007-2008, o menor patamar nos últimos 20 anos.
Na Grã Bretanha, serão fechadas duas plantas, em Southampton e Dagenhan, que empregam 1.400 operários dos quais 1,100 serão demitidos. Na Bélgica, será fechada a planta de Genk, onde trabalham 4.300 operários e da qual também dependem 5.000 empregos indiretos. Parte das operações britânicas serão transferidas para a Turquia e parte das operações belgas para Valência, na Espanha.
Os esvaziamento da indústria automobilística belga tem se aprofundado nos últimos anos. No início de 2010, a Opel tinha anunciado o fechamento da planta de Antwerp que provocou a demissão de 2.600 trabalhadores.
A queda do faturamento na Europa prevista pela Ford para este ano somam US$ 1,5 bilhões, mas em 2011, os lucros da Ford somaram US$ 8 bilhões. Os especuladores financeiros adoraram as medidas o que provocou a alta das ações. O pato o pagam os trabalhadores.
Resgate da Peugeot por € 7 bilhões
O governo do presidente francês François Hollande anunciou um plano de resgate da Peugeot, por € 7 bilhões, a ser efetivado por meio do banco da multinacional, o Banque PSA Finance, que financia as vendas da Peugeot e a Citroen. Trata-se do maior resgate estatal de uma empresa automobilística europeia, superior aos € 6 bilhões que o governo francês repassou para a Peugeot e a Renault, a taxas muito baixas, em 2009. A família Peugeot, que controla 25,4% da empresa e 38,1% das ações com direito a voto, estava promovendo um plano de restruturação que incluía o fechamento de uma planta na região metropolitana de Paris, o primeiro em 20 anos, e a demissão de 6.100 operários. O aprofundamento da crise capitalista na França, Itália e na Espanha tem significado perdas na ordem de € 200 milhões mensais.
A agência qualificadora de riscos Moody’s rebaixou a nota da Peugeot de Ba2 para Ba3, o que deverá provocar o rebaixamento do banco, Banque PSA, para status lixo, o que levará ao encarecimento do crédito e dificultará as vendas ainda mais.
Em junho deste ano, o fechamento da fábrica, da PSA Peugeot Citroen, em Aulnay, na França, levou à demissão de 8.000 trabalhadores.
O governo declarou que o plano consiste em injetar recursos por meio de 30 bancos privados, mas que deverá ser ainda aprovado pela Comissão Europeia.
O aprofundamento da crise capitalista na França tem obrigado o governo Hollande a, praticamente, abandonar o discurso de crescimento e promover mecanismos para viabilizar os lucros dos capitalistas. Está em andamento um projeto que pretende cortar custos trabalhistas para os patrões em aproximadamente € 40 bilhões durante cinco anos.
O governo “socialista” tenta usar a influência nos sindicatos para aumentar os ataques contra os direitos trabalhistas. As medidas demagógicas, como o cancelamento do financiamento do corte nos impostos pagos pelos empregadores com um aumento no imposto de valor agregado, tornam-se cada vez mais coisas do passado. O enfrentamento entre o governo “socialista” e os trabalhadores estará colocado à ordem do dia no próximo período.