No dia 18 de outubro, coincidindo com o início da reunião da cúpula da UE (União Europeia), em Bruxelas, aconteceu uma nova greve geral, convocada pelos principais sindicatos do país, o GSEE, do setor privado, e o Adedy, do setor publico, a segunda em três semanas, em protesto contra os planos de austeridade, por € 13,5 bilhões, que o governo direitista de Samaras está prestes a implementar.
Dezenas de milhares de pessoas se congregaram em frente à Praça Syntagma, junto à sede do Parlamento. As imagens divulgadas na Internet mostraram os manifestantes lançando uma grande quantidade de coquetéis molotov contra os quatro mil policiais que defendiam o local e ficaram na defensiva, respondendo com disparos de bombas de gás lacrimogênio e balas de borracha.
Aderiram à greve as escolas, serviços municipais, bancos, empresas públicas, motoristas de taxi, os funcionários dos portos e aeroportos e, durante um período do dia, os trabalhadores do metrô e dos ônibus de Atenas.
A recente missão da troika na Grécia, que representa o FMI, a UE (União Europeia) e a Comissão Europeia, impôs cortes nos salários e aposentadorias e demissões de funcionários públicos. A idade mínima para a aposentadoria será aumentada de 65 para 67 anos. A pendência que o governo ainda não aprovou está relacionada com a reforma trabalhista, que inclui ataques tais como a redução das indenizações por demissão, a extinção dos aumentos salariais por antiguidade e o aumento da jornada de trabalho para seis dias semanais, além da eliminação dos convênios coletivos.
A Grécia se encontra em forte recessão há cinco anos e o desemprego, que avança a passos largos, atingiu 25% dos trabalhadores. A crise atingiu um grau tal que o governo chegou a autorizar, nos últimos dias, a venda de produtos vencidos.
Apesar do enorme descontentamento das massas, os partidos da frente popular e a burocracia sindical têm conseguido conter a organização dos trabalhadores para enfrentar o regime até o momento. Mas todos os planos de austeridade não têm produzido mais resultados que piorar as condições de vida da população com o objetivo de manter em pé os mecanismos especulativos. As novas medidas são exatamente "mais do mesmo" e deverão continuar incendiando o descontentamento social da mesma maneira que está acontecendo em Portugal, na Espanha e na Itália, e avança em direção ao coração do capitalismo europeu, a França, a Grã Bretanha e a Alemanha.
