Os economistas norte-americanos Alvin Roth, da Universidade de Harvard, e Lloyd Shapley, da UCLA (Universidade da Califórnia em Los Angeles), receberam o Prêmio Nobel de Economia deste ano. O motivo alegado pela Real Academia de Ciências da Suécia foram as pesquisas sobre "alocações estáveis e modelo de mercados" que permitiriam estabelecer o relacionamento entre os agentes de determinados mercados. "Por exemplo, estudantes têm que ser combinados com escolas. Como fazer isso da forma mais eficiente possível? Quais métodos são benéficos para quais grupos? O prêmio vai para dois economistas que responderam essas questões."
O que significam essas teorias?
A visão do economista e matemático Shapley é que uma estrutura específica de um determinado método poderia beneficiar, de maneira sistemática, a uma ou outra parte do mercado, limitando os motivos dos agentes para manipular o processo de combinação, além de conseguir sempre uma alocação estável.
O economista Roth entendeu que os resultados teóricos de Shapley podiam servir para esclarecer o funcionamento, na prática, de vários segmentos da economia, que hoje têm pouca participação no mercado. A chamada “engenharia microeconômica” tem como conteúdo o neoliberalismo levado ao extremo. Segundo esses economistas, alguns produtos que hoje, por motivos principalmente éticos, não são comercializados em larga escala, o que eles denominam “mercados repugnantes”, usando esse método poderiam ser desenvolvidos como “verdadeiros” mercados, ou, dito em outras palavras, poderiam entrar na ciranda da especulação financeira. Como exemplos desses produtos, teríamos os órgãos humanos, a clonagem humana e a reprodução geneticamente controlada para escolha de sexo, cor de olhos etc, a prostituição, o comércio ilegal de drogas, o trabalho infantil etc. O modelo a ser seguido é o do chamado “turismo da fertilidade”, as barrigas de aluguel na Índia.
O que está por trás dessa premiação?
O aprofundamento da crise capitalista tem esgotado a obtenção de lucros da produção real devido ao próprio esgotamento histórico do sistema capitalista. A lei da tendência à queda da taxa geral de lucro devido ao aumento da composição orgânica do capital está mais forte do que nunca. Ela foi analisada detalhadamente por Karl Marx na obra prima, O Capital, e implica no aumento das máquinas e a diminuição da mão de obra, processo que é promovido pela concorrência.
A crise capitalista do petróleo de 1974, acabou de vez com os chamados “anos dourados” do capitalismo. O neoliberalismo tem sido a tentativa de diminuir os gastos estatais que foram a base do chamado estado de bem-estar social, implementado nos países desenvolvidos após a Segunda Guerra Mundial com o objetivo de conter o avanço das massas trabalhadoras. Desde essa época, o parasitismo financeiro tem crescido de maneira exponencial.
Após o colapso capitalista de 2007-2008, ficou evidente que os mecanismos artificiais de geração de altas taxas de lucro estavam esgotados – especulação nas bolsas, a bolha da Internet, a especulação imobiliária e os derivativos financeiros, que hoje movimentam em torno a 15 vezes o PIB mundial em cima de mecanismos de apostas e contra-apostas que tornaram o mundo um verdadeiro casino.
A tentativa de conter o aprofundamento da crise capitalista mundial em cima de gigantescos volumes de recursos públicos, com o fomento artificial do consumo, suportando praticamente toda a especulação financeira, se esgotou a partir do segundo semestre do ano passado e, com especial força, desde o segundo trimestre deste ano. As políticas dos semifalidos estados burgueses têm sido “mais do mesmo”, por falta de alternativas, e o Prêmio Nobel de Economia assina embaixo justamente dessas políticas parasitárias.