O governo da Coréia do Sul, a quarta maior economia da Ásia, anunciou recentemente um pacote de “estímulo” de 5,9 trilhões por wons (US$ 5,23 bilhões), que será implementado em cima da redução de impostos sobre os rendimentos individuais e sobre as compras de imóveis ou automóveis, além da expansão dos programas sociais. Em junho, tinha sido implementado um pacote de estímulo por 8,5 trilhões de wons. Em março de 2009, tinham sido liberados US$ 21,6 bilhões.
As exportações sul-coreanas, que são o carro chefe da economia, têm sido severamente atingidas pela redução da demanda mundial, principalmente, pela queda da produção industrial da China, que demanda grande quantidade de produtos coreanos, provocando que a indústria entrasse em recessão. A queda foi de 6,2% em agosto ante igual mês de 2011, registrando uma queda de 9,3% nas exportações para a UE (União Europeia). As importações caíram 9,8% em agosto, o que também reflete a paralisia da indústria. Em valores absolutos, as importações caíram de US$ 43,8 bilhões, em julho de 2011, para US$ 41,3 bilhões no passado mês de julho, levando a um superávit comercial de mais de US$ 6 bilhões.
Os índices de confiança na economia apontam para o pior ano desde 2008.
O plano de “estímulo” tem como objetivo empurrar para a frente uma deterioração maior da economia e influenciar as eleições presidenciais que acontecerão em dezembro.
O Banco da Coreia tem promovido sucessivas reduções nas taxas de juros, até os 2,75%, mas também não têm conseguido tirar a economia do estancamento.
O avanço do movimento grevista
O movimento grevista encontra-se em ascenso, particularmente, no setor automobilístico. A terceira parte dos trabalhadores são terceirizados e recebem salários muito inferiores aos trabalhadores efetivados.
A GM enfrentou a paralisação, durante períodos parciais, dos seus 15 mil operários ao longo de 13 dias, que resultou na perda da produção de mais de 18 mil veículos. As reivindicações incluíam melhorias salariais e das premiações, o fim do trabalho noturno e o bloqueio ao plano de cortes de 8.000 vagas para compensar as perdas de US$ 747 milhões na Europa e de US$ 1,85 bilhões, no segundo trimestre, em escala mundial.
A Hyundai também precisou fazer concessões para finalizar a maior greve dos últimos anos, que resultou na parada do trabalho, em períodos parciais, durante 12 dias, pelos seus 44 mil operários, e na perda da produção de 82 mil veículos e US$ 1,5 bilhões. Foram 5,4% de aumento e um bônus de US$ 10.000 por trabalhador, além de evitar o trabalho noturno, o que obrigará à empresa aumentar os investimentos para expandir a capacidade instalada.
A Kia Motors também enfrentou paralisações.
O movimento grevista também atingiu a construção civil e os estaleiros.
A disparada do endividamento das famílias devido ao fomento artificial do consumo
Após a crise asiática de 1997, uma nova política foi desenvolvida para aumentar o consumo doméstico. O crédito disparou até atingir 164% da renda no ano passado, muito maior que o nível existente nos EUA no início da crise da subprime.
Apesar do endividamento das famílias ter se tornado um dos maiores no mundo, o consumo privado cresceu apenas 1,4% no primeiro semestre deste ano. Isto reflete o fracasso, que acontece em escala mundial, da manutenção de um certo crescimento da economia capitalista parasitária baseado no fomento artificial do consumo com o objetivo de manter os mecanismos especulativos funcionando.
As dívidas estão relacionadas com a especulação imobiliária, as dívidas escolares, num país onde 80% dos jovens vão à universidade, e os empréstimos pessoais para o consumo.