As novas medidas do BCE nascem fadadas ao fracasso. A compra de títulos públicos dos países mais endividados, em larga escala, inclusive nos mercados secundários, não é a primeira vez que é implementada pelo BCE. Ela foi descontinuada em março deste ano, após ter sido ativada em maio de 2010, por não ter conseguido conter a alta das taxas de juros, mesmo quando, em paralelo, nos meses de dezembro e fevereiro, foram repassados, aos bancos que operam na Europa, € 1 trilhão.
Esses mecanismos somente conseguiram conter, de maneira temporária, a disparada dos juros sobre os títulos dos países mais endividados, principalmente a Espanha e a Itália. Os títulos com vencimentos a dez anos chegaram a pagar entre 6% e 7% em novembro do ano passado e voltaram ao mesmo patamar no mês de julho deste ano.
Somente no mês de julho, os bancos espanhóis obtiveram empréstimos por € 400 bilhões do BCE.
Desta vez, a compra de bônus será ilimitada, tal a gravidade da situação. O risco da nova política é que abre o caminho à hiperinflação, o que, em situação de contração da economia, conduz a uma situação revolucionária. Mas quais seriam as alternativas?
De fato, não há alternativas. A economia capitalista está esgotada e a monetização da dívida pública é a única alternativa, pois ela permite repassar o peso da crise para os trabalhadores em maior escala mediante a corrosão do poder de compra enquanto se garantem os lucros dos capitalistas.
Como base do aumento da monetização encontra-se o aumento da inflação, consequência natural da impressão monetária sem lastro produtivo. O BCE aumentou a previsão para 2013 de 2% para entre 2,4% e 2,6%.
A escala da impressão de dinheiro é limitada, entre outros fatores, pelo poder de imposição do seu valor (o imperialismo norte-americano impõe o valor do dólar em cima dos petrodólares), e o grau de exploração dos trabalhadores. A inflação tem sido controlada nas últimas três décadas pelos salários semiescravos praticados na China e no resto da região de Ásia Pacífico principalmente. Enormes volumes de recursos têm sido transferidos para os imperialistas e os destacamentos avançados do proletariado têm sido controlados desta maneira. Mas esses mecanismos estão implodindo devido ao aumento dos salários nesses mesmos países, provocado pelo acirramento da luta de classes impulsionada pelo aprofundamento da crise capitalista.