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criseestadoespanholEstado espanhol - PCO - A situação do Reino Espanhol tem ficado cada vez pior conforme a crise capitalista continua se aprofundando e tem se transformado no elo mais explosiva do sistema imperialista mundial.


Todos os indicadores são preocupantes, sob o ponto de vista da burguesia, e o País depende de recursos internacionais para subsistir.

Há uma propaganda em curso sobre a necessidade de um eventual resgate em larga escala da Espanha, além dos € 100 bilhões que foram destinados pela UE (União Europeia) para o resgate dos bancos. Na prática, o resgate já começou, e está em andamento, enquanto a escalada dos ataques contra as massas trabalhadoras, sob o mal disfarce de “programas de austeridade”,  continua a todo vapor. No mês de julho, o BCE (Banco Central Europeu) emprestou ao BdE (Banco da Espanha) nada menos que € 423 bilhões sob o chamado programa Target 2, que no mês de julho do ano passado tinha somado “apenas” € 57 bilhões.

Os principais fatores imediatos que explicam a situação são o estancamento generalizado da economia e a fuga de capitais que atingiu níveis alarmantes. Os depósitos bancários, no mês de julho, caíram em € 74,228 bilhões, o que representou a maior fuga desde setembro de 1997. O recorde anterior tinha sido atingido no mês de maio, com € 33,157 bilhões. Nos seis primeiros meses deste ano, a fuga foi de € 219,817 bilhões. 

A Espanha é uma peça fundamental no esquema de poder do imperialismo alemão 

A fuga de capitais tem se transformado no principal mecanismo do financiamento parasitário da economia alemã devido à recessão industrial e à queda das exportações que dependem em mais de 50% da UE, cuja demanda sofre forte contração.

Enquanto os países mais endividados acumulam enormes dívidas com o BCE, o Bundesbank (banco central alemão) detém um superávit de € 727 bilhões. Desta maneira, o imperialismo alemão estruturou uma espécie de “lavanderia” que retorna os recursos para os países mais endividados cobrando taxas de juros várias vezes superiores aos 0% que o sistema financeiro alemão paga.

A propaganda imperialista “toca terror” sobre a saída da Espanha da zona do euro e pinta um quadro futuro horroroso no caso disso acontecer. Os fatores que justificariam a saída seriam que o BCE não tem comprado os títulos públicos nacionais, o governo poderia não receber outras linhas de crédito e as taxas de juros podem aumentar a níveis que provocariam o fechamento do governo espanhol aos mercados de capitais especulativos. Se bem todos esses fatores são reais, a piora da situação financeira não necessariamente provocará a saída automática da Espanha da zona do euro desde que continue tendo a linha de crédito do BCE, pois, desta maneira, os depósitos bancários espanhóis poderão continuar fazendo pagamentos externos, ou seja, mantendo em funcionamento os serviços de pagamentos da dívida pública que é o coração da economia capitalista de hoje em dia.

Assistimos a uma enorme concentração da crise capitalista no estado burguês. As emissões de títulos públicos são a fonte principal para o resgate e garantir os lucros dos capitalistas. Devido ao aumento da aversão ao risco, as compras dos títulos dos tesouros nacionais, em grandes volumes, passaram a ser garantidos pelos bancos centrais. Esses títulos são usados em bolsas de derivativos financeiros e como colaterais (espécie de fiança) nos crescentes tipos de operações especulativas que ameaçam tomar contar de todas as atividades econômicas.

O imperialismo alemão tenta disputar os mercados da especulação financeira com as demais potências imperialistas de primeira ordem, os EUA, a Grã Bretanha e o Japão, devido ao aprofundamento da recessão industrial. Como este objetivo, a manutenção do controle da Europa se transformou em condição da sua existência como potência imperialista de primeira ordem. A existência dos mecanismos da zona do euro facilitam esse controle. A Espanha tornou-se uma espécie de laboratório prático onde vários ajustes e mecanismos estão sendo impostos com o objetivo de implanta-los posteriormente na Itália e outros países importantes. O problema é que se trata de uma corrida contra o tempo. A bancarrota da Espanha, que representa a quarta maior economia da Europa, ameaça arrastrar, em efeito dominó, a economia capitalista mundial ao colapso. 

A bancarrota técnica do estado do Reino Espanhol 

A Espanha encontra em um típico círculo vicioso. Os planos de austeridade somente intensificam a crise capitalista e os prometidos planos de “crescimento” são impossíveis de serem implementados devido aos mecanismos especulativos que tomaram conta da sociedade capitalista – a começar, pela garantia dos lucros dos especuladores financeiros imperialistas a qualquer custo.

No segundo trimestre deste ano, a queda do consumo doméstico caiu, em -3,9%, sinalizando uma recessão prolongada. O PIB caiu -1,3% entre junho deste ano e o do ano passado. A tomada de empréstimos a mais de 6,5% ao ano, nestas condições, gera uma equação insustentável.

A inflação atingiu níveis máximos históricos, com 2,7%, em agosto, impulsionada, principalmente, pelo aumento dos preços dos alimentos e dos combustíveis.

De acordo com a Eurostat, o desemprego, nos 27 países da UE, atingiu 43 milhões de pessoas, 32,1% desse total somente na Espanha.

Os preços no mercado imobiliário continuam em franca contração (durante 26 meses consecutivos) aumentando a desvalorização dos ativos dos bancos que acumulam mais de US$ 600 bilhões em títulos podres e imóveis que não conseguem vender. Em junho, a contração foi de 25,2% na comparação com o mesmo mês do ano passado segundo publicou o Instituto Nacional de Estatísticas. Sem aumento dos preços a especulação financeira não é possível e os especuladores passam a acumular crescentes prejuízos. Eles irão “socializar” a conta por meio dos vários mecanismos de resgates e incentivos públicos.

O chamado “banco mau”, que será criado por imposição da UE e acumulará os ativos podres do mercado financeiro, entrará em cheio no mercado financeiro de títulos podres. Existe um mercado parasitário, que funciona em escala mundial, especialista em comercializar títulos altamente podres

O déficit do governo espanhol acumulou 4,62% do PIB até o mês de julho. A probabilidade de que a meta de 6,3%, imposta pela UE (União Europeia) seja atingida é impossível. Este déficit é 25,8% superior ao registrado no mesmo período do ano passado, apesar de que a arrecadação tributária foi 5,3% maior que no ano passado. Mas a queda da arrecadação em cima do IVA (imposto sobre o consumo) em 9,2% refletiu a paralisia da economia.

Além do resgate dos bancos por € 100 bilhões, o governo central espanhol deverá ser forçado a solicitar um resgate generalizado à UE devido à forte contração econômica e, especificamente, a bancarrota dos principais governo locais. A Catalunha, região autônoma mais endividada, com € 42 bilhões, e mais desenvolvida da Espanha, solicitou resgate por € 5 bilhões. Valência, Murcia e Andalucía informaram que pediram ajuda. O fundo de € 18 bilhões, criado pelo governo central espanhol deverá se esgotar rapidamente.


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