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eurosemaforovermelhoEslovénia - PCO - O endividamento público dispara para salvar o sistema financeiro parasitário. Os ataques contra os trabalhadores provoca os maiores protestos dos últimos 20 anos


A Eslovênia tornou-se o mais novo país a colapsar e será “resgatado” pela UE (União Europeia). Apesar de ser um país pequeno, com apenas dois milhões de habitantes e um PIB de US$ 50 bilhões, a bancarrota reflete a crescente crise que atingiu em cheio às economias exportadoras da Europa Oriental e que está se alastrando na direção do país mais forte da região, a Polônia.

No segundo trimestre deste ano, a queda do PIB foi de 3,2% (dados oficiais) na comparação com o mesmo período de 2011. Em 2009, a queda tinha sido de 8% devido ao forte impacto provocado pela explosão da bolha imobiliária. Em 2011, a queda foi de 0,2% e a expectativa para este ano é de contração de, pelo menos, -1%.

O consumo despencou.

As exportações, das quais depende o grosso da economia, continuam caindo devido à queda da demanda na UE.

O valor do resgate está estimado em € 1 bilhão, relativamente pequeno comparado com os resgates da Irlanda, Grécia, Portugal, Espanha e até Chipre, mas de grande impacto para o País, que tem apenas dois milhões de habitantes e que conta com 160 mil funcionários públicos.

A agência qualificadora de riscos Moody’s degradou a Eslovênia em dois pontos, para Baa2, no status lixo, o que, na prática, inviabiliza a capacidade do governo colocar títulos públicos no mercado especulativo. 

O endividamento público dispara para salvar o sistema financeiro parasitário 

Os juros dos títulos da dívida pública, com vencimento a dez anos, passaram dos 7%. A dívida pública (oficial) passou de 22% em 2008 para 52%.

As medidas de austeridade impostas pelo primeiro ministro direitista, Janez Jansa, em junho, visavam obter € 800 milhões com o objetivo de reduzir o déficit público, que apontava para fechar o ano em 6,4% do PIB, mas, principalmente para repassar recursos públicos para os principais bancos que operam no País.

No dia 3 de julho deste ano, o banco NLB (Nova Ljubljanska Banka) foi o primeiro a ser resgatado. O governo lhe repassou € 383 milhões obtidos da UE e do banco belga KBC. A operação foi aprovada pela Comissão Europeia e se somou a uma ajuda por € 250 milhões efetivada no passado mês de março. Outros bancos, como a Nova KBM ou a Abanka Vipa, também estão à beira da bancarrota.

O segundo banco que opera no País, o NKBM, majoritariamente de propriedade pública, fechou o segundo semestre com quase 20% dos empréstimos inadimplentes.

Estima-se que o conjunto dos bancos detenha, pelo menos, € 4 bilhões em títulos podres. 

Os ataques contra os trabalhadores provoca os maiores protestos dos últimos 20 anos 

O governo esloveno já se adiantou às exigências da UE e anunciou que aumentará os ataques contra as aposentadorias e a legislação trabalhista, e o aumento do imposto sobre o consumo, o IVA.

Mas os cortes dos salários e nos programas sociais, e as demissões no funcionalismo público têm aumentado ainda mais as pressões recessivas. Além dos salários terem sido reduzidos em 8%, neste ano, e os salários dos professores terem sido cortados em 15%, foi eliminada a indexação aos índices da inflação, o que deverá correr o poder de comprar de maneira acelerada.

Segundo o governo, foram perdidos 120 mil postos de trabalho no setor privado nos últimos três anos.

O desemprego aumentou rapidamente para os 8,1% (dados oficiais) da força de trabalho. Entre os jovens que têm entre os 16 e os 24 anos passa para 17,7%.

Crescentes protestos de estudantes e trabalhadores têm se sucedido, neste ano, principalmente, na capital, Ljubljana. No dia 18 de abril, os funcionários públicos fizeram a maior greve dos últimos 20 anos. A adesão foi superior aos 85%.


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