A desaceleração da economia da China continua a todo vapor. No mês de julho, a produção industrial cresceu apenas 1%, em grande medida, impactada pelo aprofundamento da crise na Europa, que tem diminuído sensivelmente os pedidos.
As exportações cresceram 1% em julho, enquanto tinham crescido 11,3% em junho – foi o sexto mês consecutivo de quedas. As importações caíram de 6,3% para 4,7% no mesmo período. As exportações destinadas à UE (União Europeia) passaram de 10,6%, em junho, para -16,2%, em julho, e, para os EUA, caíram de 10,6% para 0,6%.
O PIB acumulou um crescimento de 7,6% nos últimos 12 meses, mas deverá cair ainda mais até o final do ano, o que, inevitavelmente, aumentará os conflitos sociais devido a que as enormes contradições existentes o transformam num barril de pólvora.
A inflação caiu de 6,5% para 1,8% (dados oficiais) no último ano, mas a implementação de novas medidas monetaristas poderá provocar uma nova disparada.
As políticas do governo representam maior combustível para as bolhas financeiras
Os cortes das taxas de juros, nos meses de junho e julho, e as três reduções do compulsório dos bancos, desde dezembro, pouco conseguiram fazer para manter o ritmo de crescimento do consumo. Pior ainda, a tomada de crédito caiu pela metade do que era esperado.
O governo central está reticente em "estimular" a economia em larga escala, pois o pacote de mais de US$ 600 bilhões, lançado em 2009, tornou-se combustível para o crescimento das bolhas imobiliárias, das obras de infraestrutura e do consumo, que ameaçam levar os governos provinciais, as grandes construtoras e os bancos à falência.
Algumas iniciativas estão sendo implementadas nesse sentido por governos locais, como os das cidades de Changsha e Guizhou, mas os riscos são enormes. O novo plano de investimentos da prefeitura de Changsha, por exemplo, por Rmb 829 bilhões (US$ 130 bilhões), representa 150% do PIB e está destinado a grandes obras de infraestrutura, como a expansão do aeroporto local, a construção de rodovias e autopistas, a modernização do tratamento do lixo e a expansão da cidade. O montante é muito superior, proporcionalmente, ao repasse feito pelo governo central em 2009, que representava 5% do PIB nacional. O risco dispara quando levamos em conta a queda das receitas dos governos locais com a venda de terras públicas para as construtoras, o que chegou a representar 40% das receitas, e à contração do crédito bancário. O governo central afrouxou as restrições creditícias para algumas cidades, mas, na prática, está colocando mais combustível nas bolhas financeiras.
A maior liberalização do sistema financeiro visa promover uma maior especulação financeira perante a paralisia da economia real.
As políticas do governo visam aumentar a especulação financeira
Além das recentes medidas que institucionalizaram maiores facilidades para os capitais especulativos investirem no País, o governo chinês tenta internacionalizar o Renminbi com o objetivo de obter recursos a partir de uma fatia do mercado especulativo mundial. Em 2009, foi estabelecida a plena conversibilidade da moeda e Hong Kong foi designado como o centro financeiro, fora da China Continental, para cuidar das operações. Agora, essas operações estão sendo expandidas para Singapura, como um passo prévio na tentativa de globalizar a moeda.
Os volumes são relativamente pequenos. A Autoridade Monetária de Hong Kong reconhece a existência de Rmb 554 bilhões, menos de 1% da base de depósitos existentes na China, e em Singapura há Rmb 60 bilhões.
As transações comerciais chinesas em Renminbi passaram de 0,2% em dezembro de 2009 para 6,8%.
A especulação financeira mundial é controlada pelas grandes potências imperialistas, principalmente os EUA e a Grã Bretanha. Este controle do mercado mundial foi obtido por meio da imposição militar, que levou, inclusive, a duas guerras mundiais.
Por esse motivo, os principais beneficiários dessas operações continuarão sendo, principalmente, bancos como o CitiBank, o Standard Chartered, o Barclays, o HSBC e o JPMorgan entre outros. Os instrumentos da especulação financeira passarão a ser operacionalizados também em Renminbi, referenciando a produção chinesa.
Ao mesmo tempo, a operação deverá ser controlada, pois representa um desafio para o imperialismo que precisará evitar, a qualquer custo, a perda do poder central do dólar nas transações comerciais mundiais. Ele é garantido pelos petrodólares, que são impostos pela comercialização de petróleo em dólares norte-americanos. O deslocamento do grosso da força militar dos EUA para a região Ásia Pacífico visa conter a expansão da China como potência regional.


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