A agência de estatísticas grega Elstat informou que o PIB caiu 6,2% no segundo trimestre deste ano na comparação com o mesmo período do ano passado. A previsão é que continue caindo ainda mais no segundo semestre do ano e em 2013.
O governo grego conseguiu reduzir o déficit público nos sete primeiros meses de 2012. Dados do Ministério das Finança, divulgados essa semana mostraram que o déficit do governo central foi de € 13,2 bilhões, perante € 15,98 bilhões no mesmo período do ano anterior e abaixo da meta imposta pela Comissão Europeia, de € 14,83 bilhões (6,7% do PIB). Mesmo assim, foi imposto um corte adicional de € 11,5 bilhões no orçamento público do governo central, excluindo os governos locais e os gastos com a previdência.
A política do imperialismo europeu tem se distanciado da promoção crescimento econômico devido ao aprofundamento da crise capitalista e o aumento do contagio em direção ao coração da zona do euro que ameaça implodir o capitalismo mundial.
O superávit primário, que são os recursos destinados aos pagamentos dos juros da dívida pública, registrou déficit de € 3,07 bilhões nos primeiros sete meses do ano.
A total submissão do governo grego ao imperialismo alemão é total. Perante a falta de recursos do governo grego e a não liberação das parcelas do "resgate" pela União Europeia e o FMI, o Tesouro grego colocou nesta semana € 4,062 bilhões em títulos públicos que se somaram aos € 1,625 colocados no dia 17 de julho. Os juros subiram de 4,28% para 4,43%. Apesar da demanda ter caído de 202% para 136%, a operação demonstra que as apostas dos especuladores financeiros não é a "saída desordenada" da Grécia da zona do euro, com a declaração da moratória da dívida. Esta seria a última alternativa, caso tudo falhar. A aposta é que a crescente submissão dos governos nacionais ao imperialismo alemão conduzam à monetização das dívidas públicas em larga escala pelo BCE.
A crescente deterioração das condições de vida dos trabalhadores gregos
A imposição dos cortes no orçamento público grego, por € 28,4 bilhões de euros até 2015, já levaram à demissão de mais de 150 mil funcionários públicos (25% do total). Os salários foram reduzidos entre 12% a 20%. O salário mínimo foi reduzido de € 751,39 para € 586, corte em torno de 22%.
A Constituição foi alterada para priorizar o pagamento da dívida pública.
O desemprego passou, em menos de um ano, de 17% para 23,1% da força de trabalho, e, entre os jovens, para 55%. Mais de um quarto da população está em situação de pobreza.
A saúde foi um dos setores que mais sofreu com os cortes no orçamento público (-36%). O número de casos de HIV aumentou significativamente no último ano. Entre os tóxico-dependentes, o aumento foi de 1.250% nos últimos 10 meses de 2011 de acordo com a ONG Médicos Sem Fronteiras. Um dos maiores motivos se relaciona com a extinção do programa de trocas de seringas para os usuários de drogas injetáveis. Nos hospitais, faltam desde gazes até remédios comuns e de combate ao câncer.
O atendimento médico está sendo mantido, de maneira precária, por meio da atuação voluntária de profissionais da saúde que têm aberto centros de Saúde Solidária após terem apoiado uma greve de fome de 300 imigrantes, em janeiro do ano passado. O descontentamento com o regime burguês ficou patente em Salônica, a segunda maior cidade do País, quando um desses centros rejeitou, recentemente, uma tentativa de doação da prefeitura local por € 10 mil euros ao projeto. Um dos diretores do Centro declarou que "não recebemos dinheiro da União Europeia, do Estado e de multinacionais".
Os gastos destinados à educação também sofreram fortes cortes (-23%). Os salários dos professores gregos foram cortados em 40%. Muitas escolas estão sendo fechadas. Faltam carteiras, cadeiras, livros etc. A responsabilidade pela manutenção das escolas passou para os governos locais.
O número de suicídios na Grécia subiu mais de 40% desde 2011.
Os crescente protestos contra os planos de austeridade
Mais de 10 greves gerais nos últimos quatro anos, além de inúmeras greves localizadas têm expressado o espírito de luta dos trabalhadores gregos. A Grécia vem sendo tomada por diversas manifestações de todos os tipos, a maioria com caráter espontâneo. Desde 2008, quando a polícia matou um garoto de 16 anos, as ruas de Atenas têm pegado fogo em resposta da população contra a ação truculenta dos órgãos repressivos e os planos de austeridade. Ataques armados à sede da polícia antimotins têm sido frequentes. Muitos artistas têm se envolvido nas manifestações; avenidas inteiras têm sido fechadas para que cantores, poetas, dançarinos e atores possam expressar sua indignação contra o governo.
Em Atenas, no dia 28 de outubro do ano passado, dia da festa nacional onde as crianças e jovens das escolas são obrigados a participar do desfile patriótico, ao invés do usual sinal de respeito às autoridades, os estudantes mostraram reações de indignação, com gritos, insultos e dando as costas para os prefeitos, oficiais, ministros e deputados que tiveram que ser retirados da cidade às presas sob proteção policial.
A ala esquerda da frente popular, encarnada pela Syriza, em primeiro lugar, e o PC grego (KKE) estalinista, tem se tornado no principal entraves para a luta revolucionária das massas, pois ela controla os sindicatos e as principais organizações sociais. A frente apoia abertamente ou de maneira camuflada, pela esquerda, o regime do diretista Antonis Samaras.
Ao mesmo tempo, a burguesia fortalece a alternativa fascista como carta na manga caso a frente popular falhar. Os ataque dos neonazistas contra os imigrantes tomam conta dos noticiários quase todos os dias. O partido neonazista, Aurora Dourada, teve na ultima eleição 7% dos votos e, pela primeira vez, passaram a ocupar 19 cadeiras no parlamento.
