Após o anúncio do novo pacote de austeridade pelo governo espanhol, em 11 de julho, que pretende cortar € 65 bilhões adicionais dos gastos por imposição da UE (União Europeia), estouraram os protestos espontâneos e as convocações a greves e mobilizações pelos sindicatos.
No mesmo dia, centenas de funcionários públicos saíram às ruas de Madri, tomaram várias avenidas importantes e se manifestaram em frente à sede do PP (Partido Popular) do primeiro ministro Mariano Rajoy. Os protestos se repetirão duas vezes por dia, ao meio-dia e às seis da tarde.
O sindicato dos taxistas anunciou uma greve para o próximo dia 1o. de agosto. As centrais sindicais CCOO (Comissões Operárias), UGT (União Geral dos Trabalhadores) e CSI-F (dos funcionários públicos) anunciaram greves parciais, para julho e agosto, e uma greve geral, no mês de setembro, junto com a ELA (a central sindical do País Basco) e a CIG (Confederação Intersindical Galega), sindicato nacional da Galiza. O funcionalismo protestará em toda Espanha na próxima quinta-feira 19 de julho.
As declarações da burocracia sindical contra o governo têm sido cada vez mais frequentes e radicalizadas, inclusive porque foi afetada com a diminuição do número de sindicalistas que serão liberados do trabalho. O secretário geral da UGT, Inácio Fenandes Tojo, declarou que o novo plano de austeridade é “injusto e escandaloso; não há havido nem uma única medida para que as grandes fortunas paguem mais”. As medidas se concentram em atacar “os desempregados, aposentados e os funcionários públicos”.
Após a violenta repressão da manifestação dos mineiros em frente ao Ministério da Indústria, em Madri, pela tropa de choque, a UGT e a CCOO têm feito declarações sobre a perspectiva de um “outono quente” para os próximos meses.
Os trabalhadores mineiros estão à frente do enfrentamento contra a burguesia
Centenas de trabalhadores mineiros, provenientes das Astúrias, León, Valência e da Galiza, fizeram uma caminhada, durante 19 dias, para se manifestar em Madri contra as medidas do governo de Mariano Rajoi, impostas pela UE, que cortarão os subsídios à mineração do carvão. A maioria dos oito mil mineiros deverão perder os empregos sem o governo oferecer qualquer alternativa. A desativação das minas tinha sido planejada para 2017 pelo governo anterior de José Luis Rodriguez Zapatero, do PSOE.
A chegada dos mineiros a Madri, no dia 10 de julho, foi recebida por milhares de pessoas na Porta do Sol. Os dirigentes das principais centrais sindicais se juntaram ao protesto do dia seguinte. O Ministério da Indústria foi cercado por um enorme contingente policial. Os manifestantes gritaram palavras de ordem como "Não somos terroristas, somos mineiros" e "O inimigo está aí dentro", e lançaram alguns petardos. A tropa de choque disparou balas de borracha, bateu nos manifestantes e conseguiu dispersar o protesto.
O ministro da Indústria José Manuel Soria declarou que não irá ceder às reinvindicações dos mineiros devido a que a pasta teve o orçamento reduzido em 32%.
Centenas de pessoas se dirigiram ao Congresso dos Deputados, onde o primeiro-ministro Mariano Rajoy tinha anunciado o novo pacote de austeridade. Conforme a adesão ao protesto aumentava, Rajoy fugia pela porta dos fundos. As palavras de ordem "Ali está a gruta do Ali Babá" e "O nosso dinheiro é dado aos banqueiros" mostraram o enorme repúdio dos trabalhadores ao regime.
Nas regiões mineiras continuam a greve, que dura mais de um mês, e os fortes enfrentamentos com a polícia. Os sete mineiros de Santa Cruz do Sil, no leste da Galiza, que ficaram no subsolo durante 52 dias, abandonaram o protesto por recomendação médica, foram recebidos como heróis e foram substituídos por outros cinco trabalhadores. A greve continuará por tempo indefinido.


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