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commodities-chinaChina - Causa Operária - Uma parte, cada vez maior, das matérias primas e das máquinas não tem como destino os processos industriais, mas tem sido usada como garantia para a obtenção de empréstimos que são aplicados na especulação financeira.


Após o aprofundamento da crise capitalista mundial, a partir do terceiro trimestre do ano passado, a demanda por matérias primas e máquinas pela China tem continuado maior de que a desaceleração industrial e da construção civil. A queda da demanda mundial demonstra que se trata de uma crise de superprodução que tem como tem se manifestado, principalmente, como uma crise financeira devido ao elevado grau de parasitismo do capitalismo.

O governo chinês tentou "conter" o aprofundamento da crise capitalista no País, a partir de 2009, por meio do incentivo artificial ao consumo. Foram liberados mais de US$ 600 bilhões para os bancos realizarem empréstimos destinados a promover a especulação imobiliária e obras de infraestrutura. O mecanismo se esgotou três anos depois. Como resultados, os governos provinciais aumentaram o endividamento, de conjunto, para US$ 1,7 trilhões e a dependência do orçamento público, das vendas de terras públicas para as construtoras, em 40%, na média. Várias obras públicas foram paradas devido à falta de recursos.

O crescimento do movimento operário na China tem levado ao aumento dos salários que passaram de US$ 30, na média, na década de 1980, para US$ 260. O governo chinês tem aumentado as operações para controlar diretamente as fontes de matérias primas em vários países atrasados na tentativa de conter o aumento dos preços das mercadorias, que, por sua vez, tem se convertido num dos fatores do aumento das pressões inflacionárias em escala mundial catapultada pela especulação com matérias primas pelos parasitas imperialistas. Esta política, junto com o aumento da disputa dos mercados secundários de armamentos, tem levado ao acirramento das contradições com as potências imperialistas, principalmente o imperialismo norte-americano, que busca controlar mais estreitamente as fontes de  matérias primas, com o objetivo de garantir a ditadura do dólar nas transações comerciais mundiais, que é a base do domínio dos mercados especulativos.

Os altos volumes de importações pela China têm como principal destino a especulação financeira

O governo chinês cortou as taxas de juros para os bancos duas vezes desde o mês de junho. O objetivo principal tem sido baratear o tomada de empréstimos de recursos públicos pelos bancos devido à disparada da inadimplência e às necessidades de recursos pelas construtoras.

Em relação ao barateamento do crédito para a compra de commodities, o principal fator envolvido é que uma parte, cada vez maior, das matérias primas e das máquinas importadas não tem como destino o uso em processos industriais, mas a especulação financeira. Esses produtos têm sido usados como garantia para a obtenção de empréstimos que são aplicados no mercado financeiro em investimentos a curto prazo.

Perante o esgotamento da especulação imobiliária, volumes crescentes de capitais estão sendo direcionados à especulação nas bolsas de valores, inclusive com a abertura maior para os capitais imperialistas na China continental. Esta movimentação tem ajudado as empresas industriais a reduzir a queda dos lucros perante a redução da demanda pelos produtos manufaturados nos mercados mundiais. Os recursos não têm sido usados para os investimentos produtivos, mas para a rolagem de dívidas e a especulação financeira. Na prática, trata-se das mesmas operações de carry trade que têm sido implementada pelas principais potências imperialistas e países atrasados - tomada de recursos públicos a baixo custo para continuar aplicando-os na especulação financeira garantindo rendimentos com  simples operações de troca de mãos. A peculiaridade chinesa é que os mecanismos especulativos estão menos desenvolvidos, apesar de estarem em crescente aumento. Por outro lado, o aquecimento da demanda chinesa por mecanismos artificiais é condição vital da especulação financeira mundial nos mercados de commodities, pois ela responde pelos principais produtos que são objeto da especulação financeira nas bolsas futuras de mercadorias imperialistas.

Dessa maneira, as importações de cobre aumentaram em mais de 50% nos primeiros meses do ano e a demanda por aço se manteve robusta, apesar da produção industrial ter caído 10% no mesmo período e a construção civil ter desacelerado. A demanda por soja aumentou fortemente, apesar do crescimento do consumo ter sido muito moderado.

Grandes manufaturas de máquinas industriais, como a Zoomlion e a Sany têm aumentado as vendas apesar da queda dos investimentos em ativos fixos. De acordo com um relatório da Zoomlion, a metade das máquinas vendidas (a crédito) no primeiro trimestre deste ano nunca chegaram a ser ligadas.


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