Foto: De Guindos, Sainz de Santamaria, Rajoi e Montoro, protagonistas atuais do desmantelamento de direitos laborais e sociais em curso no Reino de Espanha.
Em simultáneo, as empresas vão ver-se favorecidas por uma redução nas suas quotizações sociais, graças à generalizada supressão de direitos laborais e sociais propiciada pela recente aprovação da Reforma Laboral. Um gesto amável para o patronato empresarial que contrasta com um aumento do cômputo das pensões, alargando o período necessário para os reformados e reformadas terem acesso às mesmas.
Depois de negar essa possibilidade repetidamente até há uma semana, o governo do PP anunciou ontem mesmo que o aumento do IVA vai chegar imediatamente ao Estado espanhol. Não é a única medida de "austeridade" reclamada pela troika, acrescentada às já incontáveis medidas anteriores e, como todas elas, obedientemente assumida pelo governo direitista espanhol. Além disso, vai aumentar o horário laboral dos empregados e empregadas públicas e eliminar a dedução fiscal por habitação e baixar as ajudas aos desempregados e desempregadas, tanto em dinheiro: de 70% para 60% do salário; como em tempo: de 24 meses para um número ainda não anunciado, mas com certeza inferior.
Políticos do PP-PSOE-IU: Mentem mais que falam
Se alguma coisa está a demonstrar a crise económica em curso no Estado espanhol é a absoluta falta de credibilidade da chamada "classe política". Dando continuidade ao PSOE no incumprimento do programa eleitoral com que venceu as eleições, o PP não só está a aplicar medidas opostas às suas promessas eleitorais, como está a mudar de critério de semana para semana. Qualquer anúncio "tranquilizador" dos seus ministros ou primeiro-ministro deve ser posto imediatamente em quarentena, uma vez que o mais provável é que seja incumprido em poucos dias.
Assim está a acontecer com as medidas anunciadas para esta mesma semana, depois de que De Guindos (ministro da Economia), Montoro (ministro de Fazenda) e o próprio Rajoi (primeiro-ministro), anunciassem que nada disso iria acontecer (subida do IVA, redução de prestações por desemprego, etc).
Da mesma forma, a suposta oposição de esquerda, Izquierda Unida (IU), aproveitou a primeira oportunidade que já tivo de tocar poder, a seguir às recentes eleições andaluzas, para aderir ao governo autonómico como sócia do PSOE para, juntos, aplicarem cortes e medidas "de austeridade" em linha com a moda imperante na Europa do capital e da crise.
Se alguém está ainda a pensar que as medidas anunciadas ontem são as últimas, advertimos que já começam a circular os primeiros avanços do que se prepara para um futuro também imediato: o despedimento de centenas de milhares de empregadas e empregados públicos, tudo em nome da redução do défice público e de um resgate bancário que, lembram?, não iria ter custos para "a cidadania".


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