Os EUA, o Japão e a Grã Bretanha são as potências imperialistas que mais tem implementado a monetização das dívidas públicas desde o colapso capitalista de 2007-2008.
O governo da Grã Bretanha tem gastado trilhões de libras esterlinas em repasses para os especuladores imperialistas, por meio de vários mecanismos, e tem implementado os programas de austeridade em grande escala devido ao gigantesco endividamento público e privado e à crescente paralisia da economia que tem se acentuado nos últimos quatro anos.
A dívida do sistema financeiro (a Citi de Londres é um dos principais centros da especulação mundial) supera os 250% do PIB, o que é uma amostra de que a especulação financeira somente se sustenta em cima de recursos públicos.
A movimentação à esquerda das massas trabalhadoras se refletiu na derrota do partido conservador (Tories) nas recentes eleições municipais. A demissão de centenas de milhares de funcionários públicos levou à maior manifestação das últimas décadas, no mês de maio, quando 400 mil pessoas, dentre das quais 30 mil eram policiais, saíram as ruas de Londres para se manifestarem contra as políticas de austeridade do governo direitista.
O governo do Japão tem evitado a implementação de planos de austeridade em larga escala. Para manter um certo crescimento econômico, que desde os anos de 1980 mas se aproxima a um estancamento econômico, e o controle das massas trabalhadoras, tem se valido do setor industrial orientado às exportações de produtos manufaturados com alto valor agregado, a especulação financeira, de maneira marginal, na comparação com os imperialismos norte-americano e britânico, e à disparada do endividamento público. A dívida pública superou ou 235% do PIB e continua aumentado, apesar das taxas de juro estarem próximas a 0%. A economia continua paralisada. Como "solução" o governo esta aumentando os impostos sobre o consumo de 5% para 10%, o que tem provocado a enorme crise do regime político.
A paralisia da economia dos EUA
O ISM (Instituto de Gerenciamento de Suprimentos) informou que a atividade industrial dos EUA caiu de 53,5 pontos em maio para 49,7 em junho. Essa foi a primeira vez desde julho de 2009 que o índice caiu abaixo da marca de 50, o que indica contração da indústria.
A previsão de crescimento do PIB foi novamente reduzida para 2%, mas provavelmente será ainda menor.
O teto de endividamento público, que já está em US$ 16,4 trilhões deverá ser alcançado novamente até o final deste ano. Durante a Administração de Obama, a dívida pública aumentou em mais de US$ 6 trilhões apesar das taxas de juros baixíssimas que são praticadas – em torno de 0,25%. O mesmo montante foi atingido pela primeira em mais de 200 anos, entre a Independência e a década passada.
O déficit público atinge 40% do orçamento.
O contágio do aprofundamento da crise capitalista na zona do euro e a desaceleração da economia chinesa levou o governo, recentemente, a estender a Operação Twist até o final do ano com o objetivo de continuar sustentando a especulação financeira em cima de recursos públicos até as eleições presidenciais de novembro, para depois liberar recursos de maneira maciça por meio de uma nova edição do QE (o QE3 – quantitative easing ou facilitação quantitativa) que terá como objetivo a compra de títulos podres em larga escala por meio da impressão de papel moeda podre sem lastro produtivo.
As políticas de monetização nos EUA tem provocado um monumental enfraquecimento do imperialismo norte-americano em todos os sentidos. À dúvida pública somam-se os, aproximadamente, US$ 25 trilhões de recursos não provisionados até 2025 (aposentadorias, gastos militares recorrentes das guerras do Afeganistão e Iraque, Medicare, programas sociais, dos quais dependem para sobreviver nada menos que 60 milhões de pessoas), além da dívida dos consumidores e das empresas que soma várias dezenas de trilhões de dólares.
As manipulações estatísticas têm camuflado a inflação, o desemprego e o crescente aumento da pobreza, mas a forte deterioração da economia é evidente.
A aplicação da política da monetização da dívida pública na zona do euro somente favorecerá a manutenção das taxas de lucro dos especuladores. As contradições internas existentes na Europa, o gigantesco endividamento dos chamados países PIIGS (Portugal, Itália, Irlanda, Grécia e Espanha), o avanço acelerado do epicentro da crise na direção da Itália e da França, assim como a crescente dependência do imperialismo alemão dos mecanismos especulativos impedirão qualquer possível recuperação da economia real.
O recente repasse de nada menos que € 1 trilhão, por meio do programa LTRO (Long Term Refinancing Operation), promovida pelo BCE (Banco Central Europeu) para os bancos que operam na Europa, se esgotou em menos de quatro meses. Quantos trilhões de euros podres serão necessários para conter o aprofundamento da crise capitalista na Europa? 10 trilhões? 100 trilhões? A máquina de impressão poderá funcionar dia e noite, mas a economia real não conseguirá avançar, pois o crescente parasitismo e a queda da demanda mundial, provocada pela crise de superprodução, impedem o direcionamento de capitais para a produção onde as taxas de lucro são baixíssimas e os riscos enormes, quando comparados com a especulação financeira.
Vivemos na etapa de transição do capitalismo ao socialismo. Não há recuperação possível. O desenvolvimento futuro do gigantesco grau de parasitismo somente conduz ao aumento, ainda maior, da especulação financeira.


Diário Liberdade defende a discussom política livre, aberta e fraterna entre as pessoas e as correntes que fam parte da esquerda revolucionária. Porém, nestas páginas nom tenhem cabimento o ataque às entidades ou às pessoas nem o insulto como alegados argumentos. Os comentários serám geridos e, no seu caso, eliminados, consoante esses critérios.