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200512 g8Diário Liberdade - Na reunião dos G8 (as oito maiores potências do mundo), o ponto central das discussões girou em torno da manutenção da política econômica atual da UE (União Europeia), centrada na continuidade dos planos de austeridade e a implementação de medidas que possibilitem o crescimento econômico.


A forte resistência das massas trabalhadoras contra os brutais ataques impostos pelo imperialismo tem colocado em xeque a própria estabilidade do regime parlamentar burguês na Europa. Assistimos ao descalabro do bipartidarismo na Grécia, à vitória do Hollande, apesar dos setores majoritários da burguesia terem tentado ao máximo impor a vitória de Sarkozy, que é um representante direto dos especuladores financeiros, as recorrentes derrotas da direita neoliberal nas eleições regionais da Alemanha, a Grã Bretanha e a Itália, e, no geral, o avanço das manifestações contra os programas de austeridade nos principais países europeus que visam repassar para os trabalhadores o peso da crise.

Ambas as duas políticas perseguem o mesmo objetivo - garantir o repasse de recursos para os especuladores financeiros.

Um dos pontos principais para viabilizar o programa de crescimento é: de onde obter os recursos no contexto de fortíssimo endividamento e déficit públicos?

As alternativas são muito poucas e estão fortemente atreladas à especulação financeira que, cada vez mais e de maneira mais profunda, tem tomado conta de todos os setores da economia mundial devido ao estancamento dos setores produtivos.

Tem se falado em emitir eurobônus garantidos pelo BCE (Banco Central Europeu). O peso principal, neste caso, iria impactar, principalmente, o imperialismo alemão, que impõe como condição o irrestrito controle das finanças dos países da UE (União Europeia). O principal instrumento que tem imposto, mas que ainda deve ser validado pelos parlamentos dos países da UE, é o Pacto Fiscal.

Outra das ideias é aplicar uma taxa sobre as transações financeiras, mas o imperialismo britânico se opõe, pois a Citi de Londres é um dos principais centros da especulação mundial, a sua dívida supera os 200% do PIB britânico e a sua própria existência depende da ajuda estatal, a desregulamentação financeira e a inexistência de impostos. O governo direitista de David Cameron propõe o uso de mecanismo públicos para facilitar a obtenção de recursos facilitados em cima de garantias estatais – principalmente, que o estado passe a garantir os colaterais para a compra de CDS (credit default swaps) e CDO, que são uma espécie de seguros da especulação financeira, aliviando os especuladores da alocação de recursos com o objetivo de segurar (colaterizar) os suas operações com derivativos financeiros.

Os investimentos em infraestrutura, por meio da revitalização do BIE (Banco de Infraestrutura Europeu), tem como calcanhar de Aquiles a própria paralisia do Banco que, praticamente, tem congelado os seus empréstimos para evitar o aumento do risco e a perda da sua nota triple A. Uma das ideias seria alocar algumas dezenas de bilhões de euros e multiplica-los em cima das típicas operações especulativas com derivativos.

Os modelos que o imperialismo europeu tem em relação a um programa de crescimento são os EUA e o Japão. Ambas potências têm priorizado a manutenção de programas sociais e de investimentos públicos. Se bem têm conseguido manter de maneira artificial um leve crescimento, muito próximo ao estancamento econômico, o endividamento público e privado tem disparado. O principal mecanismo para viabiliza-lo tem sido as emissões de papel moeda e a compra de títulos podres em larga escala, além do repasse direto de recursos para os especuladores e as multinacionais mediante uma série de programas.

A derrota das políticas neoliberais é resultado do enfraquecimento do capitalismo mundial. As "políticas de crescimento" representam a necessidade da mudança dessa política, mas deverão ser implementadas de maneira muito limitada devido ao aprofundamento da crise capitalista. A médio e longo prazo deverão continuar se desenvolvendo ainda mais os mesmos fatores explosivos que hoje corroem o capitalismo e ameaçam leva-lo à sua implosão: disparada do endividamento público e privado, hiperinflação em cenário recessivo, desemprego crônico, empobrecimento dos trabalhadores e o aumento do parasitismo financeiro.


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