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020513 govitaliaItália - PCO - O novo governo italiano é uma caricatura de um governo de unidade nacional. Ao primeiro solavanco, deverá espatifar-se. Na base, estão o PD, a direita ligada a Berlusconi e a direita ligada a Mario Monti. O M5S (Movimento Cinco Estrelas), que tinha conseguido canalizar 25% dos votos com críticas às medidas de austeridade e à UE, ficou de fora do governo, embora que tenha se declarado a favor da governabilidade, o que, na prática, significa apoiar o novo governo desde fora, sem sujar as mãos. A relativa independência do M5S busca preservar a base eleitoral, pois em Parma, a prefeitura que governa, os planos de austeridade estão sendo aplicados por ele mesmo com demissões de funcionários públicos, e, na Sicília, apoia o governo do PD.


A imprensa burguesa lançou uma campanha histérica contra o M5S com o objetivo de apresenta-lo como uma bando de loucos fanáticos e até fascistas que ameaçavam a democracia. A saída seria a “governabilidade” por meio de um governo de “unidade nacional” que seguisse a risca a políticas da UE (União Europeia).

Alguns grupos de esquerda têm caraterizado o papel do presidente reeleito, Napolitano, como bonapartista devido à necessidade de intervir no jogo parlamentar para garantir à “unidade nacional”. Na realidade, as tendências bonapartistas têm sido uma constante nos governos burgueses devido a que, cada vez menos, conseguem manter a estabilidade do regime burguês por meios parlamentares. A própria situação política italiana se direciona à bancarrota do “governo da unidade nacional”, onde a saída só poderá passar pela adoção de mecanismos de “governabilidade” extraparlamentar.

A participação do PD em um governo de coalisão com Berlusconi deverá aprofundar a crise interna, deixando uma fratura exposta, e obrigando a direção do Partido a direcionar-se acentuadamente à direita. Além da crise que já se abriu entre as alas do PD no parlamento, deverá acentuar-se principalmente no movimento sindical onde tem forte influência e onde controla importantes setores da burocracia sindical.

O descontentamento das massas têm obrigado à CGIL, uma das principais centrais sindicais, cujos principais dirigentes são ligados ao PD, e às principais federações sindicais, como a FIOM (metalúrgicos) a aumentar a mobilização contra as demissões e os ataques contra a legislação trabalhista.

Bersani tinha declarado explicitamente várias vezes que nunca faria um pacto com Berlusconi. O acordo foi conseguido com uma grande oposição interna, o que destroi ainda mais o verniz esquerdista e deixa à ordem do dia a possibilidade de rupturas. A coalisão com a direita sob a base tutela da reeleição do presidente anterior revelou a impossibilidade de buscar uma saída parlamentar, por meio da eleição de um candidato próprio. A divisão e o aparecimento de rachas no Partido é só uma questão de tempo.

O novo governo deverá enfrentar o crescente aprofundamento da crise capitalista no País apesar das medidas desesperadas, e fracassadas, adotadas pela UE. O programa LTRO (long term refinancing operation) que repassou € 1 trilhão para os bancos que operam na Europa nada adiantou, além de ter salvo os lucros dos capitalistas. Também não têm adiantado as taxas de juros para os capitalistas super baixas, que hoje estão em 0,75%, e o BCE (Banco Central Europeu) ter assumido o controle direto de 80% dos bancos que operam na Europa.

A recessão avança em todos os setores da economia. Segundo os dados oficiais, o PIB sofreu contração de 2,5% no ano passado e o déficit publicou foi de 3%. A dívida pública deverá fechar este ano acima de 130% do PIB.

As tarefas que o novo governo precisará implementar passam pelo aprofundamento dos planos de austeridade, com ataques mais fortes e espoliadores contra as massas trabalhadoras. O problema é que esse governo muito dificilmente sobreviverá a um ascenso dos protestos populares. Por esse motivo, a imprensa imperialista começou uma campanha sobre a necessidade de considerar a imposição de um novo governo “tecnocrata” como o de Mário Monti. O problema é que esse governo ficou espatifado em apenas alguns meses. A rejeição da população ao “professor” Monti foi tão grande que os partidos que ele agrupou obtiveram resultados muito pífios nas eleições. Um novo governo com as mesmas caraterísticas precisará ser muito mais forte que o de Monti. A questão colocada, portanto, gira em torno a como viabiliza-lo.

As alternativas políticas da “democracia burguesa” estão ficando cada vez mais limitadas. A alternativa à reeleição de Napolitano teria sido a formação de um governo de coligação entre o PD e o M5S, o que teria colocado em pauta a saída da Itália da zona do euro e, até certo ponto, a rejeição ou, pelo menos, a “suavização” dos planos de austeridade. O contágio da crise da terceira maior potência da zona do euro teria escalado rapidamente para o coração da região.

A saída para a crise na Itália passa pela luta dos trabalhadores, independente dos vários setores da burguesia, contra os planos de austeridade, contra a UE, pela estatização do sistema financeiro parasitário. Somente um governo operário tem condições de romper as amarrações da especulação financeira e aplicar políticas de crescimento a favor da massas trabalhadoras e contra o punhado de parasitas imperialistas que domina o mundo.


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