No Diário Liberdade reproduzíamos na manhã de hoje uma matéria original do hispano Kaos en la Red, segundo a qual o SAT, sindicato andaluz que ficou conhecido a nível internacional pela ação de expropiação de um supermercado, acusava IU de pactuar com o capital e de traiçom à classe operária. IU mantém na Andaluzia um governo de coalizão com o PSOE, autor de alguns dos mais duros cortes antissociais nos últimos anos.
No entanto, segundo um texto publicado no mesmo dia pela fonte da informação, o Kaos en la Red, essa informação resultava ser falsa.
Reproduzimos a seguir, traduzido para o galego-português, a retificação do portal contrainformativo:
"Ontem, por engano, publicamos uma notícia onde se afirmava que "O SAT acusa a IU de exercer como partido para o pactismo com o capital e de trair à classe operária". O texto com o acompanhamos a notícia, em realidade, não é do SAT, senão de um militante. Pedimos desculpas e publicamos retificação.
Queremos deixar claro que, em nenhum caso, a nossa intenção foi inventar notícia alguma. A confusão deveu-se a que a assembleia local do SAT de Alcalá del Valle (Cádiz, Andaluzia) utiliza em facebook a identificação genércia "soc-sat sindicato", sem especificar que se trata de um agrupamento local: http://www.facebook.com/soc.satsindicato
Conquanto é verdadeiro que na foto do seu perfil aparece uma imagem que identifica o seu carácter local, quando as suas mensagens são publicadas no seu muro e aparecem no muro de terceiras pessoas, a identificação que aparece é o mencionado genérico "soc-sat sindicato", e ao consultar as mensagens partindo desde o muro de uma terceira pessoa não nos demos conta de que, em realidade, não se tratava de uma conta nacional do SAT, senão de uma assembleia local.
Como o texto também não estava acompanhado de um enlace nem se citava ao autor do mesmo, somadas ambas confusões, desde esta redação demos por feito com que se tratava de uma mensagem do sindicato publicado na sua conta nacional e, embora nos estranhou que não se tivesse publicado no site oficial, o conteúdo do texto nos pareceu o suficiente interessante como para o publicar íntegro no site. Equivocamo-nos e assim o queremos fazer saber a todos os nossos leitores a modo de desmentido de dita notícia. O SAT em nenhum momento fez tais afirmações em relação a IU.
Depois de conhecer posteriormente que se trata de um texto do colega Benito (da União Local de Sanlucar) publicado no seu blogue pessoal: http://derrotaenderrotahastalavictoriafinal.blogspot.com.é/2012/12/o-diligente-discipulo-de-s-carrillo-sr.html?spref=fb, não nos fica outra, pois, que assumir o erro, retificar e pedir as oportunas desculpas pelos problemas que possa causar com isso, se é que causámos algum. Trataremos no futuro de que algo similar não volte a acontecer e, desde depois, saberemos em adiante identificar a conta oficial do SAT nacional em facebook.
Em concreto, na notícia em questão, alguém, assinando como SAT, através da conta de utente que o SAT tem registada em Kaos, deixou uma mensagem com o seguinte texto que nos fez nos dar conta do erro, algo que agradecemos, desde depois:
'Este texto não é uma declaração do SAT nem se publicou na página de facebook do SAT, que é a seguinte: facebook.com/.../145631348295
Trata-se de um texto do colega Benito (da União Local de Sanlucar) publicado no seu blogue pessoal (.../o-diligente-discipulo-de-s-carrillo-sr.html?spref=fb), com o que podemos estar mais ou menos de acordo, mas daí a afirmar que é uma mensagem oficial do SAT na sua conta de facebook há um abismo. Não faz falta se inventar notícias para saber que estamos e estaremos em frente a quem recortam, incluídos, por suposto, quem o fazem "por imperativo legal".'
Não obstante, a acusação que alguma pessoa, em nome do SAT mas oculto no anonimato, nos fez, ao dizer ou insinuar que nos inventámos a notícia, nos parece desproporcionada, máxime tendo em conta o trato que desde esta redação se lhe tem dado e seguir-se-lhe-á dando ao SAT.
Bem faria quem faz semelhantes acusações desde o anonimato de não usar o nome do SAT para isso e sim assinar com o seu nome próprio, pois não é de recebo usar o nome do SAT para lançar tais insinuaciones contra um médio como Kaosenlared que desde faz anos leva dando abrangência e tratando de ser o mais fiável possível em relação ao SAT, pese aos erros que, como humanos que somos, cometa ou possamos cometer no futuro, sempre desde a boa fé e o trabalho honesto.
Acusar a um médio de comunicação de inventar notícias intencionadamente tanto faz que se nós acusássemos a alguém de militar em um sindicato para lucrarse ou para trair aos trabalhadores e trabalhadoras, isto é, o acusar de fazer justo o contrário do que se pressupõe deve fazer. Kaosenlared pode cometer erros e inclusive pode publicar em ocasiões informações erróneas por engano, mas jamais fá-lo-á a sabiendas disso e de maneira consciente. O simples facto de insinuar que assim possamos o fazer nos parece fora de local e, mais ainda, se em cima se usa para isso o nome de um sindicato ao qual desde aqui respeitamos, valorizamos e apoiamos como seguramente muito poucos meios de comunicação fazem."
A seguir, reproduzimos também o texto original de Kaos en la Red:
SAT andaluz fala claro: acusa IU de pactuar com o capital e de traiçom à classe operária
[Traduçom do Diário Liberdade] O Sindicato Andaluz de Trabalhadores/as acusa IU de exercer como partido para o pactismo com o capital e de traiçom à classe operária.
Numha mensagem através de sua conta em facebook, o SAT acusa IU de "jogar o mesmo papel que o PCE tem jogado com a sua reconciliaçom nacional, eurocomunismo, vergonhososo pactos da impunidade e assunçom da monarquia, com o qual desmobilizam e desarmam a classe operária".
Eis a mensagem completa:
O diligente discípulo de Santiago Carrillo, o Sr. Valderas, chefe do aparelho possibilista de IU e comparsa do PSOE diz:
"... os orçamentos da Junta da Andaluzia som 'magníficos'"... "de sentimentos, de coraçom e de esquerda". Toda a culpa é do governo central que faz o que lhe manda a troika... eles nom, eles fazem os cortes como Rajoi com toda a dor de seu coraçom, mas por imperativo legal.
E di todo isso após ter deixado na rua mais de 4.500 docentes, milhares de trabalhadores/as da saúde e doutros setores públicos, como o SAE, cortes em serviços sociais, aumentos de jornada trabalhista aos trabalhadores públicos em 2,5 horas semanais, eliminaçom da paga de natal, contratos a 75%, a 50% no SAS, enquanto continua a externalizaçom de serviços, continuam os concertos hospitalares, as contratas... seguem eliminando-se camas nos hospitais públicos... E nos próximos meses ameaçam com mais despedimentos, mais precarizaçom e mas repressom.
Mas nom é algo novo. Já nom recordam o governo do tripartido catalám, as medidas que adotou, a repressom dirigida por eles contra estudantes, trabalhadoras e trabalhadores...? Os pactos e o papel jogado no País Basco?
Nom lembram já a quantidade de pactos em cámaras municipais, deputaçons, comunidades autónomas, as privatizaçons, o papel nas caixas de aforro...?
E diante do documento que mais de 100 cargos públicos de IU assinárom contra uns orçamentos andaluzes que som, segundo os assintantes, "piores que os de 2012", o senhor Valderas e a direçom de IU-A, desprezam as criticas e propostas desses cargos públicos.
A esta "rebeliom" de cargos públicos une-se a decisom da X Assembleia Federal de IU que aprovou por um só voto umha emenda de Andaluzia, defendida polo presidente da cámara de Villaverde (PCE) que depois de criticar os orçamentos andaluzes concluía: "O programa de IU é incompatível com estes orçamentos. Por isso, apelamos aos nossos deputados para que rompam quanto antes esta coligaçom de governo para se pôr à frente da mobilizaçom contra todo o tipo de cortes das despesas sociais e os direitos trabalhistas, venham de onde vinherem".
Esta emenda foi aprovada por um só voto de diferença na Comissom Política da Assembleia cujas deliberaçons tinham caráter definitivo segundo o próprio regulamento da X Assembleia Federal de IU.
IU vai continuar a jogar o mesmo papel que o PCE tem estado a jogar com sua reconciliaçom nacional, eurocomunismo, vergonhosos pactos da impunidade e assunçom da monarquia com o qual desmobilizam e desarmam a classe operária, abandono no mais profundo dos seus baús da luita de classes e da memória e as ideias dos homens e mulheres que deixárom a sua vida ou parte dela na luita por nossa emancipaçom frente à ditadura e a este, seu regime continuador.
Muitas companheiras e companheiros valiosos deixárom parte de sua vida na militáncia ao serviço do PCE, de IU, infelizmente para elevar uns quantos sem-vergonha, oportunistas, possibilistas ou no melhor dos casos reformistas convictos, por mais que eles pensassem ou desejassem outra cousa. O mesmo pode ser dito de CC.OO e UGT.
Qualquer militante operário ou popular sabe, ou deveria saber que a organizaçom é um instrumento, uma ferramenta que nós construímos para transformar a sociedade, para conquistar a nossa emancipaçom como classe e como povo, nom para colaborar com os nossos inimigos de classe para apanhar as migalhas que caem da sua mesa; queremos a mesa, a casa, a terra, porque é nossa, como é nosso o fruto de nosso trabalho, a fidelidade em qualquer caso é a nossa classe, à construçom de poder popular, de uma sociedade sem classes, nom a um aparelho... Porque é a única saída, é a única soluçom aos nossos problemas.
Ou talvez alguém acha ainda que dentro deste regime, deste sistema voraz, vam mudar as nossas condiçons de vida?
Temos de construir poder popular, ser os protagonistas da nossa história, da construçom da nossa sociedade, do desfrute coletivo e individual da riqueza, da que temos e da que geramos, e seremos capazes de construir uma sociedade solidária, em harmonia com os demais povos e em equilíbrio com nosso meio... e a unidade vamos consegui-la na luita, na rua, nas assembleias, pondo à frente das siglas e capelas os interesses de classe.
Mais dano que os inimigos de classe, que a direita de sempre, nos fam os que julgamos serem amigos, os que das nossas fileiras e com enganadoras palavras servem ao sistema ajudando-o a nos submeter, dividindo as nossas forças, fazendo com que participemos da nossa própria exploração.
Saúde e poder popular
Foto: José Antonio Griñán, presidente da Andaluzia polo PSOE, brinca com Diego Valderas, vice-presidente andaluz pola IU. Ambas forças reformistas mantenhem um acordo de governo alegadamente "de esquerda".