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obama eleito 2012 presidente dos euaEstados Unidos - PCO - O Partido Republicano é o representante natural da burguesia imperialista norte-americana. O Partido Democrata tem entrado em cena, ganhando a presidência do País, cada vez que os republicanos entravam em crise devido à implementação das politicas abertamente reacionárias. Isso explica o porque os presidentes democratas raramente conseguiram se reeleger, principalmente a partir da escalada do neoliberalismo na década de 1980. A exceção foi a administração de Bill Clinton que, na prática, executou as políticas republicanas. A vitória e, principalmente, a reeleição de Barack Obama foi viabilizada devido à enorme crise do Partido Republicano e à incapacidade de conter o crescente ascenso dos trabalhadores.


O Partido Republicano, que vive a pior crise da história, somente conseguiu se impor nos estados mais atrasados do sul e centro do País - Idaho, Montana, Arizona, Kansas, Nebraska, Virginia Ocidental, Dakota do Norte, Dakota do Sur, Wyoming, Utah, Mississippi, Alabama, Tennessee, Carolina, Arkansas, Kentucky,Indiana, Oklahoma, Louisiana, Missouri, Carolina do Sur, Georgia e Texas. Após a derrota dos EUA nas guerras do Iraque e do Afeganistão, promovidas pelo governo Bush Jr., e o colapso capitalista de 2007-2008, a imposição da direita à frente do governo federal tem se tornado cada vez mais inviável. Avaliando a evolução da candidatura republicana à presidência da República, desde as eleições primárias, temos um deslocamento ao centro e a derrota dos candidatos da ultradireita do Tea Party, que não conseguiram vencer nem mesmo no estado do candidato a vicepresidente, Paul Ryan, Wisconsin, onde inclusive a vencedora foi a democrata Tammy Baldwin, lésbica e representante dos direitos da comunidade gay.

Mitt Romney se aproximou muito das propostas da candidatura Obama, mas, mesmo assim, as diferenças de matiz poderiam ser catastróficas para o enfraquecido imperialismo norte-americano, além de não terem conseguido manter a unidade do Partido Republicano. Ataques abertos contra os trabalhadores e os sindicatos levariam a escalada do confronto entre a burguesia e o proletariado num momento em que o regime tem muito pouco a oferecer, a não ser um maior aperto dos cintos.

Os candidatos republicanos mais reacionários foram deixados de lado pelo Partido, mesmo antes de sofrer escandalosas derrotas. Ted Akin, o candidato a senador por Missouri, o mesmo que tinha declarado que a gravidez das mulheres estupradas era uma decisão de Deus e que nem mesmo assim o aborto deveria ser permitido, foi esmagado pelo democrata Claire McCaskill por 55% a 39% dos votos. Mesmo após ter sido intimado, pela direção do Partido Republicano, a retificar-se, Akin se negou, o que levou a que o próprio Romney a retira-lhe o apoio.

Em Indiana, Richard Mourdock, que tinha declarado que a gravidez provocada por estupros “era algo que Deus quer que aconteça”, perdeu a reeleição por 50% a 44% dos votos, para o democrata Joe Donnelly, apesar de ter mantido o apoio de Romney.

O sistema bipartidário está em crise, o que representa um dos principais sintomas da crise do regime político. O Partido Republicano está rachado. O Partido Democrata tem uma certa consistência promovida pela liderança e a vitória de Obama, apesar da crescemte tendência à desagregação provocada pelo fracasso da palavra de ordem da campanha anterior, “Yes, we can” (Sim, podemos), devido ao fracasso em implementar as políticas prometidas. A contrapartida de colocar 30 milhões de pessoas pobres na rede de proteção social foi a disparada do endividamento público, devido aos fartos recursos públicos destinados ao resgate dos grandes capitalistas e a sustentação da especulação financeira.

A reeleição de Barack Obama foi extremamente apertada e refletiu o considerável grau de rejeição dos democratas após terem dado continuidade às políticas reacionárias dos dois governos de George Bush.

A suposta democracia dos EUA não passa de uma farsa. Nestas eleições, o poder econômico esteve presente de maneira mais forte do que nunca. Os gastos destinados somente à eleição presidencial chegaram próximos aos US$ 3 bilhões e no total encostaram nos US$ 5 bilhões. O chamado SuperPac permitiu que neste ano um punhado de grandes especuladores contabilizassem 80% do total recolhido com menos de 1% das doações.

O poder econômico teve a maior influência na história das eleições nos EUA. Mas, apesar disso, segundo pesquisas oficiais, o numero de eleitores satisfeitos com os candidatos teria caído para 54%, o menor percentual desde 1992, muito inferior ao de 2008 (72%). Inclusive estes números baixos ocultam a realidade, já que milhões não contam como "votantes" e não estão nestas pesquisas. Os votos válidos estão em torno aos 130 milhões, em torno à metade do total de habilitados, o que representa um altíssimo abstencionismo.

O resultado apertado além de representar a pressão da direita sobre a candidatura Obama, foi transformado num instrumento para os monopólios da imprensa burguesa venderem mais publicidade e aproveitarem os bilhões jogados na campanha eleitoral. Ao mesmo tempo, a força eleitoral dos republicanos e o controle que manterão da Câmara dos Deputados e nos governos estaduais facilitará empurrar os inevitáveis planos de austeridade.

Os candidatos à margem do jogo bipartidário não tiveram a mínima chance no verdadeiro jogo de cartas marcadas que representa o bipartidarismo onde sempre os vencedores são os especuladores financeiros.


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