Em nosso país querem que se materialize uma estratégia do imperialismo, que é fragmentar nações e criar Estados baseados na religião, analisou a máxima figura religiosa síria ao conversar com Prensa Latina.
Rechaçou certas posturas que chamam de negativo ao secularismo, e mais bem o considerou expressão de que se respeitam todas as crenças e não se imiscui ou persegue a nenhuma.
É muito perigoso jogar à política usando a religião, advertiu em referência aos governos que tentam exacerbar na Síria o confronto entre fés e estimular os assassinatos por motivos religiosos.
Recordou que ainda que o presidente Bashar a Al-Assad provem de uma minoria -a alauita-, e reza segundo os preceitos de sua seita, ele representa os 23 milhões de cidadãos sírios sem distinção.
Igual ocorre comigo, que em minha condição de Mufti represento a todos os sírios, inclusive os não crentes,esclareceu. Consideramos às pessoas primeiro por sua condição de cidadão, pois as relações com Deus são um assunto pessoal, agregou.
Sobre o fanatismo e intolerância de uma grande parte dos integrantes das quadrilhas mercenárias que pretendem com a ajuda de governos de Ocidente e regionais derrubar o governo, o líder religioso ofereceu seu depoimento pessoal.
Há um ano, os irregulares assassinaram meu filho, como uma forma de me pressionar e me obrigar a desertar de meu cargo, relatou.
Destacou que lhe ofereceram inclusive palácios em alguns países da região para viver com sua família, rodeado de luxos, mas se negou a trair a sua pátria.
Ao pé do cadáver de meu filho jurei que perdoava seus assassinos, desde que aceitassem a sentar à mesa de negociações com as autoridades para dialogar e deixar de destruir o país, destacou.
No entanto, eles mandaram dizer que assassinariam a mim também, expôs.
Recordou os numerosos ataques e sabotagens contra mesquitas, igrejas e lugares sagrados, ao igual que os assassinatos contra ímans, predicadores e líderes religiosos, como o de Mohammed Saed Ramadan Bouti, presidente da Federação de Ulemas Muçulmanos do Levante, em 21 de março.
Os opositores armados assassinaram Bouti por suas ideias ecumênicas e por ser defensor da paz e recusar a violência, argumentou.
O Mufti mostrou-se disposto a viajar a qualquer país do mundo, em especial a América Latina, para dialogar e oferecer conferências com o objetivo de que se conheça a verdade sobre a agressão contra esta nação do Levante.
Neste sentido, mostrou seu pesar pela morte do presidente Hugo Chávez, "comparável à morte de Gamal Abdel Nasser e de Hafez a Al-Assad", manifestou.
De igual forma, transmitiu uma mensagem de respeito e admiração pelo líder da Revolução cubana Fidel Castro, e confessou que orava todos os dias por sua saúde.
Sobre uma viagem à América Latina, "uma região cuja enorme riqueza é sua diversidade cultural e cidadã", gostaria de reunir-se sobretudo com os jovens, pois são quem estão chamados a mudar ao mundo e é necessário semear consciência neles, estimou.
Valorizou que seu papel é convencer às pessoas de que é o homem quem está a serviço da religião, e não ao revés, "pois as crenças não se impõem".
Quando visito cidades ou povoados, me alegra mais que ver mesquitas e igrejas, testemunhar que as pessoas vivem em harmonia, que se amam, respeitam e ajudam, concluiu.