Foto: Manifestantes curdas pedem libertação do líder Abdullah Ocalam no Líbano
O líder da guerrilha independentista curda PKK (Partido dos Trabalhadores do Curdistão), Abdullah Ocalan, atualmente preso na Turquia, pediu nesta quinta-feira (21/03) aos seus seguidores que abandonem as armas e continuem com a luta através de alternativas democráticas. "Chegou o tempo de fazer prevalecer a política", disse ele, que também pediu aos militantes armados para deixarem a Turquia.
"Hoje é o início de um novo tempo. Um tempo no qual começam os direitos democráticos, a liberdade e a igualdade. As armas devem se calar", disse Ocalan em sua mensagem. "O derramamento de sangue turco e curdo se deterá. Não serão as armas mas a política que irá falar", afirmou.
A mensagem de Ocalam foi lida diante de milhares de pessoas em Diyarbakir, capital do Curdistão turco, por dois deputados do BDP Partido da Paz e a Democracia). O líder guerrilheiro foi enfático na orientação: "deixem as armas e marchem para fora das fronteiras (da Turquia)".
Esse pronunciamento é fruto de uma rodada de negociações com o governo. Ocalan, de 63 anos, é fundador e líder do PKK. Nas últimas semanas, realizou conversas com autoridades turcas através de agentes do serviço secreto turco sobre as condições para um processo de paz com o Estado. "Este não é um tempo de guerra e luta, mas de alianças e compromissos", ponderou.
O primeiro-ministro turco, o islâmico moderado Recep Tayyip Erdogan, deu garantias há algumas semanas atrás de que o Exército não atacaria os guerrilheiros durante uma possível retirada do norte do Iraque, onde o PKK mantém suas bases.
O anúncio de Ocalan ocorre após 2012 ser o ano mais sangrento do conflito desde o início do século. Ao todo 140 soldados e policiais e mais de 500 guerrilheiros morreram em enfrentamentos no sudeste da Turquia.
Os contatos entre Ocalan e o serviço de inteligência turco foram confirmados há semanas e ambas as partes afirmaram que ocorreram "avanços positivos".
Em setembro de 2011, negociações secretas entre o hoje chefe do serviço secreto turco, Hakan Fidan, e delegados do PKK em Oslo foram vazadas ao público e suspensas.
Após o fracasso dessa etapa de negociações, Erdogan adotou um discurso duro, inclusive insinuando que Ocalan deveria ter sido executado. Ao mesmo tempo, introduziu reformas históricas como o ensino optativo do curdo em alguns colégios públicos e o uso de "línguas maternas", incluindo o curdo, em tribunais.
O PKK, organização considerada terrorista pelos EUA e a UE, pegou em armas em 1984 para reivindicar os direitos dos mais de 12 milhões de curdos que habitam a Turquia. Desde então, aproximadamente 45 mil pessoas morreram nos enfrentamentos entre os milicianos e as forças de segurança turcas.