1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 (0 Votos)

261012 palestinePalestina - Desacato - À medida que as eleições se aproximam, a temporada de pesquisas de opinião já está entre nós. Mas tem uma pesquisa [i] mais preocupante e significativa nas suas revelações que as que nos informam que Yair Lapid está decolando ou Ehud Barak está caindo nas pesquisas.


Ela deixa em evidência um retrato da sociedade israelense, e a imagem é de alguém muito, muito doente. Já não são somente os críticos no país e no estrangeiro, mas os mesmos israelenses os que estão abertamente, sem vergonha e sem culpa, se definindo como racistas nacionalistas.

Nós somos racistas – estão dizendo os israelenses –-, praticamos o apartheid e inclusive queremos viver em um Estado de apartheid. Sim, isto é Israel.

Entre seus terríveis resultados, a pesquisa descobre certo candor inocente. Os israelenses admitem eles serem assim e não têm vergonha disso. Já tinham sido feitas pesquisas similares, mas nunca os israelenses tinham aparecido tão satisfeitos de si próprios, mesmo admitindo o seu racismo. A maioria deles pensa que Israel é um bom lugar para se morar, a maioria deles pensa que é um Estado racista.

É bom viver neste país, diz a maioria dos israelenses, não apesar de seu racismo, mas talvez por causa dele. Se se revelasse uma pesquisa como essa sobre a atitude em relação a um Estado europeu, Israel faria um escândalo. Mas quando de nós se trata, as regras não se aplicam.

A parte "judia" da "democracia judaica" ganhou longe. O aspecto "judaico" nocauteou a "democracia", jogando-a contra as cordas. Os israelenses querem um Estado mais e mais judeu e menos e menos democracia. A partir de agora, não digamos mais "a democracia judaica". Ela não existe, logicamente; ela não pode existir. A partir de agora, digamos: "o Estado Judaico", só judaico e para os judeus. Democracia? É claro, por que não. Mas só para os judeus.

Porque isso é o que a maioria quer. Porque assim é como a maioria define seu Estado. A maioria não quer que os árabes votem no Parlamento, não quer ter vizinhos árabes nem colegas da escola árabes. Deixem que o nosso campo seja puro; tão limpo de árabes como seja possível; e talvez ainda mais.

A maioria quer estradas segregadas na Cisjordânia, e não se imuta diante do que isto implica. Inclusive a conotação histórica não lhe incomoda no mais mínimo. Quer discriminação nos locais de trabalho, e quer transferência [de população]. Basta de encobrimento e de simulação. Isto é o que queremos. Porque isso é o que somos.

A direita provavelmente atacará o Fundo Novo Israel por ter encomendado a pesquisa. "Que horror!, vai berrar; esquerdistas que odeiam Israel!" Mas a gritaria da direita não vai mudar o resultado. Isto foi feito por uma empresa de pesquisas confiável e reconhecida. Aliás, qual o problema na pesquisa? O que tem de novo que já não soubéssemos antes, aparte da perda da vergonha? Deixemos que a direita demonstre que não somos assim, que muitos israelenses querem viver com os árabes. Que a maioria vê os árabes como gente como eles, iguais em direitos e oportunidades. Vamos ver como demonstram que a pesquisa está errada. Isso seria um verdadeiro motivo de celebração.

A pesquisa nem só enfrenta os israelenses com seu presente, mas também com o seu futuro. Esse parece ter sido o principal objetivo daqueles que a fizeram. A pesquisa diz para os israelenses: vocês queriam assentamentos, queriam ocupação, querem o Netanyahu, e não fizeram nada pela solução, que já morreu, dos dois Estados. Agora vamos ver qual é a alternativa.

A alternativa, como toda criança sabe, é um Estado só. Um Estado? A maioria dos israelenses diz que será um Estado de apartheid, mas não faz nada para evitá-lo. Alguns deles até o desejam. Nem sequer se perguntam: Para onde vamos? Para onde nos estão levando? Qual é a visão para os próximos 10 ou 20 anos? Bom, se tudo der certo, se tudo continuar como está agora, os israelenses sabem qual é a resposta, e ela é uma verdade amarga.

Até agora, a imagem de Israel 2012 é a seguinte: não queremos os árabes, não queremos palestinos, não queremos igualdade, e para o diabo com o restante.

Democracia e Direito Internacional: esses são assuntos para os antissemitas, não para nós. Nós seguiremos votando em Netanyahu, recitando que somos a- única-democracia-do-Oriente Médio, e gemendo que o mundo inteiro é contra nós.

[i] Se refere à pesquisa publicada por Haaretz em: http://www.haaretz.com/news/national/survey-most-israeli-jews-would-support-apartheid-regime-in-israel.premium-1.471644?fb_action_ids=4804153582959&fb_action_types=og.recommends&fb_source=aggregation&fb_aggregation_id=246965925417366 Um resumo em espanhol foi publicado em: http://www.elperiodico.com/es/noticias/internacional/judios-apoyan-apartheid-israel-anexiona-cisjordania-2232351

Publicado originalmente em Haaretz: http://www.haaretz.com/news/national/survey-most-israeli-jews-would-support-apartheid-regime-in-israel.premium-1.471644


Diário Liberdade é um projeto sem fins lucrativos, mas cuja atividade gera uns gastos fixos importantes em hosting, domínios, manutençom e programaçom. Com a tua ajuda, poderemos manter o projeto livre e fazê-lo crescer em conteúdos e funcionalidades.

Microdoaçom de 3 euro:

Doaçom de valor livre:

Última hora

Quem somos | Info legal | Publicidade | Copyleft © 2010 Diário Liberdade.

Contacto: info [arroba] diarioliberdade.org | Telf: (+34) 717714759

Desenhado por Eledian Technology

Aviso

Bem-vind@ ao Diário Liberdade!

Para poder votar os comentários, é necessário ter registro próprio no Diário Liberdade ou logar-se.

Clique em uma das opções abaixo.