O governo russo renovou o contrato com o governo do Tajiquistão, na Ásia Central, para manter a base militar até 2042, onde estão estacionados sete mil soldados da divisão motorizada 201 desde 1993. A Rússia não pagará taxas de aluguel, pois acordou algumas facilidades imigratórias. Hoje, os imigrantes tajiquis repatriam em torno de U$ 3 bilhões, que representam a metade do PIB do País.
Essa base, assim como a Kant, no Quirquistão, onde coexiste com a base norte-americana de Manás, constitui a linha de frente contra a expansão dos movimentos guerrilheiros anti-imperialistas que se desenvolvem no Afeganistão e no Paquistão e também cumprem um papel importante na disputa pela influência na região, muito rica em hidrocarbonetos e clientes de armas.
As derrotas do imperialismo norte-americano no Iraque e no Afeganistão provocaram o enfraquecimento na região e a disparada do endividamento. Uma parte dos efetivos militares deverão ser realocados nos países vizinhos.
As disputas das zonas de influência e o aprofundamento da crise capitalista têm impulsionado o aumento das contradições pelo controle das fontes de matérias primas, pelas grandes obras de infraestrutura e pelos mercados secundários de armas.
O governo do Uzbequistão, que tem oscilado entre o governo russo e o imperialismo norte-americano, abandonou a Organização da Segurança Coletiva, hegemonizada pela Rússia.
Para completar o “cordão sanitário” dos interesses russos, que também envolvem o fornecimento da petróleo e gás à Europa, o governo assinou um acordo, em 2010, com o governo da Ucrânia, que permitirá o estacionamento da frota russa do Mar Negro, na Península de Crimeia até 2042. Outros acordos assinados com a Abjazia e a Osétia do Sul, autoproclamados independentes da Georgia permitiram o estabelecimento de bases por 49 anos, prorrogáveis por mais 15 anos. O novo presidente eleito da Georgia, Bidzina Ivanishvili, mesmo tendo contado com o apoio da Rússia, anunciou que manterá os planos do presidente anterior, Mijeíl Saakashvili, em relação ao ingresso na OTAN, mas, ao mesmo tempo, anunciou que tentará estabilizar e desenvolver as relações com a Rússia, congeladas desde o conflito militar de 2008.
A influência russa sobre o Oriente Médio
As relações entre governo russo e o da Turquia, que tenta consolidar-se como uma potência regional, têm se aproximado, mas, ao mesmo tempo, têm como pano de fundo a disputa da influência sobre a Síria. O ex chefe dos serviços de inteligência da Turquia, Assad Durrani, esteve, recentemente, em Moscou, ministrando palestras sobre a situação na região. A visita do presidente russo, Vladimir Putin, a Islamabad, a capital da Turquia, onde também deveria ter se encontrado com os dirigentes do Tajiquistão e do Irã foi adiada, após o governo turco ter detido um avião procedente de Moscou e que tinha como destino Damasco, a capital da Síria.
O governo russo aumenta o papel como fornecedor de armas para os países do Oriente Médio, sendo os principais clientes o Iraque, a Síria, o Irã, quem comprou US$ 560 milhões nos últimos três anos.
O mais recente acordo militar da Rússia aconteceu com o governo do Iraque, que se transformou no segundo maior cliente após Índia, para a venda de equipamentos por US$ 5 bilhões, confirmado durante a recente visita do primeiro ministro Nuri al Maliki a Moscou. Ao mesmo tempo, o governo do Iraque fechou um contrato com o governo dos EUA por US$ 12 bilhões, o que revela que o real objetivo é conter o avanço da luta dos guerrilheiros no País e se fortalecer perante os demais países da região.
O governo russo procura conter a queda do presidente sírio al Assad, pelo menos de maneira que consiga manter os interesses nos país, especialmente a base naval no Mediterrâneo. Com esse objetivo conta com o apoio do Iraque o Irã, cuja própria sobrevivência depende da contenção dos movimentos revolucionários na região.
O aumento das contradições entre as potências regionais e o imperialismo refletem o esforço para evitar o colapso das próprias economias perante a agudização da crise capitalista. Ao mesmo tempo, ambos dependem da contenção dos movimentos revolucionários para a própria supervivência, o que explica a tentativa de evitar a abertura de novos conflitos militares abertos na região e a imposição de regimes pseudo-democráticos.
