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merkel-greciaUnião Europeia - PCO - Fortalecer a convalida zona do euro, que é condição do aumento do parasitismo alemão devido à paralisia da indústria.


A primeira visita de Merkel à Grécia, no dia 9 de outubro, teve como principal objetivo reforçar o compromisso do imperialismo alemão com a permanência do País na zona do euro e a imposição ao governo direitista, encabeçado por Antonis Samarás, de continuar implementando os planos de austeridade.
 
Merkel declarou que “ainda falta muito por se fazer”, apesar de, supostamente, a Grécia “ter percorrido uma grande parte do caminho” em direção à recuperação da economia. Destacou como exemplo da “recuperação”, “o projeto de melhoria do sistema de saúde e o de modernização das administrações públicas”, financiados pela Alemanha, por ridículos € 30 milhões.
 
No contexto das eleições parlamentares, que acontecerão no próximo ano na Alemanha, Merkel marcou o ponto de partida para aglutinar os partidos políticos que representam os vários setores da burguesia imperialista com o objetivo de manter em pé os mecanismos especulativos da União Europeia.
 
As baixas taxas de juros têm promovido a disparada da especulação imobiliária em Berlin, Frankfurt e Munich.
 
A economia alemã depende em 50% das exportações, das quais a metade têm por destino os países europeus, 40% a zona do euro e 11% os países asiáticos, principalmente, a China. A queda do consumo provocou a recessão industrial que tem se prolonga há quase um ano, com tendência a piorar. Por esse motivo, a própria sobrevivência da Alemanha como uma potência imperialista de primeira ordem está vinculada ao aumento do parasitismo financeiro na Europa, aumentando a disputa com as demais potências, principalmente, os EUA, com a Grã Bretanha a reboque.
As bolsas de valores alemãs cresceram 40% no ano passado, enquanto na maioria dos países da UE sofreram contração superior aos 3%.
 
O sistema financeiro alemão tem se transformado numa espécie de lavanderia que recebe os recursos, provenientes dos países mais endividados na região, a taxas de juros próximas a 0% e os retorna, em cima de taxas muito mais altas, na forma de empréstimos do BCE ou de investimentos nas grandes empresas nacionais, principalmente os bancos que deverão ser resgatadas em caso de bancarrota.
 
Por quê o imperialismo tenta impedir a implosãoo da zona do euro?
 
A continuidade da Grécia na zona do euro tornou-se crítica para o imperialismo alemão no contexto da escalada dos protestos das massas trabalhadoras na região e dos movimentos nacionalistas. Ao contrário da propaganda da imprensa burguesa, a tendência, para o próximo período, não é o abandono da zona do euro pelos governos que a integram, especialmente, quando nos referimos às principais potências da região. O fortalecimento do imperialismo alemão tem se tornado condição de sobrevivência para as potências europeias mais endividadas, particularmente, a Espanha, Itália e a França, e passa pelo aumento do controle sobre os estados nacionais, conforme está sendo feito em forma de piloto na Espanha, como condição para o BCE monetizar as dívidas públicas nacionais me maior escala, com compras ilimitadas de títulos públicos nos mercados secundários, entre outras medidas. Essa política, de fato a única alternativa possível no contexto atual representa uma espécie de canto do cisne do imperialismo europeu. Os efeitos podem ser observados hoje nos EUA, na Grã Bretanha e no Japão, onde mesmo tendo se tornado um dos principais instrumentos para repassar o peso da crise para as massas trabalhadoras tem elevado o endividamento público a níveis nunca antes imaginados e à crescente concentração da crise no estado burguês.
 
A implosão da zona do euro deverá acontecer em cima do avanço revolucionário das massas e conduz ao enfraquecimento do imperialismo e à derrocada do capitalismo.
 
Por quê têm aumentado das contradições entre os setores do imperialismo alemão?
 
O aumento do parasitismo alemão, por sua vez, provocou o crescimento do contágio ao risco da bancarrota dos demais países. É este fator o que tem impulsionado as fortes críticas ao governo Merkel por parte de importantes setores da burguesia, inclusive dentro do próprio Bundesbank (o banco central alemão, que controla o BCE (Banco Central Europeu).
 
A maior parte dos partidos políticos alemães, a começar pelo PSD (partido socialdemocrata), mas também alguns partidos da direita, mesmo os que fazem parte da base do governo, como a CSU (irmã regional da Baviera, da CDU de Merkel) e o FPD (partido liberal), têm se manifestado opostos a aumentar a exposição do sistema financeiro alemão para resgatar os países mais endividados. Mas esses posicionamentos não passam de demagogia eleitoral, pois o aumento do contágio é efeito colateral inevitável do aumento do parasitismo pelo imperialismo alemão.
 
A burguesia alemã está tentando impor, nas próximas eleições, uma nova edição da Grande Coalisão envolvendo o PSD e a CDU com o objetivo de fortalecer o regime político, devido às derrotas da direita nas últimas seis eleições regionais, nos Lands, e ao iminente ascenso das massas trabalhadoras.
O movimento grevista alemão obteve vitórias importantes nos setores metalúrgicos e nos empregados públicos no primeiro semestre deste ano. A burguesia tem evitado conter o aumento do confronto com os trabalhadoes. Mas os protestos na Europa crescem e avançam em direção ao coração da zona do euro, a França e a própria Alemanha.

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