Fotos: 1: Imagem da campanha espanholizadora do governo espanhol para este 12 de outubro. 2: J. Ignacio Wert, ministro espanhol da Educaçom.
Já está aí o dia 12 de Outubro, tradicionalmente comemorado polo imperialismo espanhol como "Dia de la Raza' em lembrança da conquista e extermínio protagonizado a partir do século XV após a chegada do imperialismo castelhano-espanhol ao continente americano.
Neste ano, o acontecimento coincide com umha fortaleza sem precedentes do movimento independentista catalám, com umha ampla maioria social, política e parlamentar que aposta na independência e parece disposta a ir avante com a ruptura do Estado espanhol.
Irracionalidade imperial espanhola e controlo dos conteúdos educativos
A reaçom irracional dos partidos e instituiçons espanholas reflete-se nas últimas semanas em declaraçons ameaçadoras de militares, ministros e do próprio presidente espanhol contra as instituiçons catalás, incluída a declaraçom de ilegalidade de qualquer consulta popular como a que o governo catalám propom, para o qual conta com o apoio do segundo partido do sistema, o PSOE.
Assim aconteceu nos últimos dias no Parlamento espanhol, onde foi rejeitada com os votos do PP, PSOE e UPyD a proposta da catalá ERC de possibilitar umha consulta democrática autodeterminista na Catalunha.
A mais recente provocaçom espanhola contra o povo catalám chegou hoje mesmo de boca do ministro da Educaçom, que abertamente declarou em sede parlamentar: "O interesse do Governo [espanhol] é espanholizar os alunos cataláns". O ultra José Ignacio Wert, responsável da pasta de Educaçom, atribuiu à "descentralizaçom educativa" o auge do independentismo, mostrando-se disposto a que o governo espanhol recupere, como em tempos do franquismo, o controlo dos conteúdos educativos para combater a afirmaçom nacional dos povos oprimidos polo Estado espanhol.
De facto, a reforma da legislaçom educativa caminha nessa direçom, tal como o Decreto aprovado há três anos na Galiza polo governo do PP, que representou umha brusca viragem para a espanholizaçom lingüística e cultural.
Quanto ao mais agudo problema de ruptura, o representado pola Catalunha, o próprio monarca espanhol está a sondar elementos representativos da grande burguesia catalá para conhecer o grau de adesom que o Estado monárquico espanhol ainda mantém na classe dirigente catalá perante a evidência de que a maioria social já a perdeu.
12 de Outubro, de 'Dia de la Raza' a "Dia de la Fiesta Nacional'
É neste particular contexto que chega mais um 12 de outubro, data referencial no calendário do espanholismo, que desde a monarquia e Alfonso XIII primeiro e o franquismo depois, cada ano aproveita o dia para exaltar o militarismo associado ao projeto imperialista espanhol, sob os nomes sucessivos de 'Dia de la Raza' (monarquia e franquismo), Dia de la Hispanidad (franquismo e II Restauraçom Bourbónica) e Dia de la Fiesta Nacional (II Restauraçom Bourbónica, a atual).
Neste ano, a campanha, sintomaticamente lançada polo Ministério da Defesa, tem como mote "A nossa força somos todos", e vai acompanhado polo protagonismo da bandeira fascista adotada como oficial polo atual regime espanhol, bem como um mapa do Estado espanhol ocupado por militares em todas as suas províncias e comunidades autónomas.
Com o eufemismo da promoçom da "Cultura de Defesa", o governo do PP preparou umha campanha de propaganda nos meios de comunicaçom, assim como um programa de atos protagonizados polas forças armadas, constitucionalmente encarregadas de manter "a indissolúvel unidade de Espanha", funçom atribuída pola Constituiçom cedida polos franquistas e reivindicada nos últimos tempos por vários militares espanhóis de alto escalom.