49% dos interrogados afirma que caso amanhã haja um referendo sobre a independência, votaria que sim. Por que destacar estes 49% frente aos 51% que votaria não? Porque o realmente inovador do dado é saber que nestes momentos quase metade do povo estaria disposto a dar esse passo.
Os dados do inquérito que para os jornais GARA e NAIZ está a realizar diariamente a empresa Aztiker coincidiram ontem com os que ofereceu o CIS, dependente do Governo espanhol, segundo o qual 41,5% dos habitantes de Álava, Biscaia e Gipuscoa são «totalmente» ou «mais bem» a favor da independência, enquanto 42,6% são «mais bem» ou «totalmente» contra. Como pode ver-se, ambos os grupos estão praticamente num empate, o que não foi habitual.
O inquérito de Aztiker revela também que a posição em favor ou na contra a independência obedece a uma causa sentimental ou pré-racional, já que 56% dos entrevistados não sabe ou não responde à pergunta de se a independência seria beneficiosa ou prejudicial.
Neste âmbito dos sentimentos, a sondagem assinala que 47,8% dos interrogados se sente somente basco (27,6%) ou mas basco que espanhol (20,2%). Entre tanto, é só 7,4% o que se sente unicamente espanhol (5,1%) ou mais espanhol que basco (2,3%). No meio, 37,0% declarou sentir-se tão basco como espanhol.
Quanto a como são percebidas as diferentes candidaturas em relação ao seu independentismo, de 0 a 10 (sendo o 10 o máximo de independentismo), o povo situa o EH Bildu no 8,2. Segundo a sondagem, o grau de independentismo do PNV é de 5,7. Ao PSE situam-no no 2,0 e ao PP no 0,9.
Nesta espécie de termómetro independentista, a média da definição pessoal dos interrogados está em 5,1. 21,6% colocava-se num grau de independentismo entre 0 e 2; 9,6% entre 3 e 4. No centro, 5, colocam-se 18,7%. 15,5% considera que tem um grau de independentismo de 6-7, enquanto no máximo, nível 8-10, se situam 24,3%. Isto é, são mais os que estão acima da média que os que ficam por baixo.
Independência em campanha
A questão da independência, evidentemente, está presente na campanha eleitoral, embora algum partido, como o PNV, tente evitar a palavra. Iñigo Urkullu encontrou no conceito «menor dependência» a forma de eludir o termo independência mas sem eliminá-lo do tudo.
O PNV inclui no seu programa a reivindicação de «Euskadi, nação na Europa», que define como «um sistema de autogoverno que permita o desenvolvimento de uma comunidade basca com identidade própria, plural e aberta ao mundo, que inclua também a institucionalização dos relacionamentos com Nafarroa e Iparralde, na medida em que assim for demandado pelo povo, sobre a base do `território de língua basca', o território cultural partilhado que localiza à comunidade basca no mundo. A nova Euroregião da UE».
A sua proposta de novo estatus passa pela elaboração de um novo estatuto -embora não o defina como tal-, para o que procuraria um amplo acordo no Parlamento de Gasteiz. Propõe apoiar os trabalhos da conferência parlamentar com a organização de umas jornadas internacionais, auspiciadas pelo próximo Governo autonómico, e com um processo participativo social. O programa compromete que «o resultado do processo será submetido a referendo popular em 2015».
No âmbito da direita basca surgiram ontem outras duas vozes. O ex-presidente José Antonio Ardanza afirmou que perante situações de «urgência imediata» como a crise não fica «mais remédio» que ir «atenuando» a reivindicação da identidade nacional. O seu sucessor, Juan José Ibarretxe, disse em Barcelona que a «falta de democracia», entendida como a pretensão do Estado de dizer ao povo basco e catalão que decidam o que decidirem não vão poder mudar nada, «gera mais independentismo».
Motor do EH Bildu
A aposta na independência converteu-se num dos motores da esquerda basca do EH Bildu, que organizou para o próximo sábado um grande ato nacional no BEC. De facto, a coligação é vista socialmente como uma opção nitidamente independentista.
A sua candidata a presidenta, Laura Mintegi, defende que o País Basco deve ser um Estado livre na Europa e propugna que esse estádio se atinja através de um grande acordo, porque a independência, em opinião do EH Bildu, «não se pode fazer contra ninguém, há que a fazer com todos».
Diques e medos
Frente a estas opções, o PSE e o PP estão a tratar de aparecer como os diques de contenção do independentismo. Enquanto Patxi López optou por tentar assustar assegurando que a independência suporia uma redução substancial das pensões, Antonio Basagoiti está a tratar de usar o debate ao seu favor. Por um lado, afirma que «cada vez está mais claro que aqui há um pacto entre PNV e CIU» para «levar a Espanha à sua dissolução»; e depois trata de obter proveito disso na linha da sua legenda de campanha: «Se tu não vais, eles ganham».
Segundo o CIS, a maior dúvida está entre o PNV e o EH Bildu
O CIS ofereceu ontem o seu inquérito eleitoral, que concede à direita basca do PNV 27 cadeiras, à esquerda basca do EH Bildu, 21-22; 14 à socialdemocracia espanhola do PSE; 9-10 à direita espanhola do PP; e 3 à esquerda espanhola do IU. Os dados mais chamativos são que o EH Bildu seria a força mais votada em Álava, onde obteria sete cadeiras, bem como a enorme subida do PNV em Gipuscoa, que segundo a sondagem atingiria os 9 parlamentares enquanto EH Bildu teria entre 9 e 10. A ascensão do PNV não se produziria em Gipuscoa a costa da coligação da esuqerda independentista, que manteria 34,8% do voto, ercetagem que obteve Amaiur, senão à forte queda da socialdemocracia espanhola do PSE e, sobretudo, à da direita espanhola do PP, cujos votos seriam para o PNV. Dá a impressão de que a estratégia dos setores extremos do PP de dar a entender que «pode ganhar o ETA» está a ter como efeito o apoio de boa parte do seu eleitorado ao PNV, que apareceria aos seus olhos como garantia para evitar a vitória de EH Bildu.
No inquérito do CIS destaca o dado de que 37,3% dos entrevistados diz não ter decidido ainda a quem vai dar o seu voto. De todos eles, 13,2% estaria a duvidar entre votar no PNV ou votar no EH Bildu. Mais de metade de quem têm essa dúvida nas passadas eleições a Cortes votaram em Amaiur, enquanto um terço fizeram-no no PNV. Também é grande, de 13,0%, a percentagem de quem duvidam entre votar no PNV ou no PSE. Entre eles, os que mais votaram em Rubalcaba há um ano.
Em qualquer caso, o EH Bildu e o PNV aparecem como os partidos com maior fidelidade de voto, 80,1% e 79,5%, respetivamente. Por contra, a fidelidade do PSE é de 51,5% e a do PP cai a 44,6%.
Quanto à fórmula de coligação de governo preferida, a que mais apoio concita é a de PNV e EH Bildu (29,2%), seguida de PNV e PSE (23,8%). Mas dá-se a circunstância de que a coligação PNV-EH Bildu é a que reflete a aspiração maioritária de quem votaram no Amaiur (71,2%) e de quem o fizeram no PNV (48,5%). No entanto, a coligação PNV-PSE sobe graças ao apoio que obtém no seio do PSE (62,3%), mas não gosta tanto aos jeltzales do PNV (24%, metade de quem querem governar com o EH Bildu).
Tradução de espanhol para galego-português pela redação do Diário Liberdade.
