Quer dizer... Como se consegue ser promovido, de terrorista, a democrata? Essa é fácil. Basta contratar a melhor equipe delobbying que o dinheiro possa comprar e investir pesado em “Relações Públicas” eficazes.
Mais uma vez se comprova que esse é o meio certo e provado para enterrar história sangrenta de atentados à bomba e assassinatos que mataram, não só empresários norte-americanos e cientistas iranianos mas, também, milhares de civis iranianos jamais contabilizados.
Nada como o toque cool de um especialista em Relações Públicas –PR, em inglês, por favor, sempre – para reformatar um bando de doidos assassinos e reapresentá-los como leais aliados dos EUA na luta contra o regime de Teerã “do mal”. Deputados, senadores e os proverbiais exércitos de “ex-ministros” e ex-altos funcionários de ex-governos – onipresentes na mídia – são os puxa-sacos e mercenários que se prestam a esse tipo de serviço.
Como é que a al-Qaeda nunca pensou nisso?!
O modo “terrorcrático” de governar
O dinheiro do MEK – doações da diáspora iraniana canalizado por uma rede do organizações de fachada na Florida, no Texas, no Colorado e na California – comprou um gordo portfólio bipartidário.
Lá estão todos, do ex-prefeito de New York e eterno relembrador do 11/9, Rudy Giuliani, ao jornalista Carl Bernstein; no mínimo, dois ex-diretores da CIA; o ex-governador da Pennsylvania, Ed Rendell; o ex-chefe da OTAN, Wesley Clark; o ex-governador do Novo México, Bill Richardson; e o ex-chefe do Estado-Maior das Forças Armadas dos EUA, general Hugh Shelton.
Está provado, por exemplo, que Shelton, o ex-diretor do FBI, Louis Freeh e o ex-procurador-geral dos EUA, Michael Mukasey (que examinava casos de terrorismo), dentre outros, comprovadamente receberam dinheiro. Os jornais já publicaram o que se pode aceitar como satisfatória lista dos que se uniram ao bando. [3]
Em junho, o ex-candidato Republicano à presidência Newt Gingrich foi a Paris para participar de um evento pro-MEK ao lado da co-líder do “movimento”, Maryam Rajavi.
O Departamento do Tesouro iniciou investigação [4] de “contribuições para financiar palestrantes” – algumas contribuições chegam a $40 mil – recolhidas em nome do MEK. Mas nada garante que essa investigação progrida. Em casos que envolviam o Hamás e o Hezbollah, gente foi para a cadeia por oferecer apoio financeiro indireto a essas organizações. Mas, ora... Essas organizações não foram promovidas ao status de “democráticas” nos EUA.
E há o ângulo Clinton, mais estranho a cada minuto.
O MEK foi incluído na lista das organizações terroristas no governo Clinton, porque Bill Clinton tentava seduzir o ex-presidente do Irã, Muhammad Khatami. Agora, como secretária de estado, Hillary Clinton divulgou informação secreta [5] sobre o MEK ao Congresso a qual, certamente, envolve a identidade de cientistas nucleares iranianos.
Assim, de fantoche de Saddam, o MEK finalmente conseguiu ser promovido a fantoche da CIA e do Mossad. Esperem, doravante, a torrente de “funcionários do governo dos EUA que pediram para não ser identificados” de sempre, a repetir que a promoção não implica que o governo dos EUA tenha passado a apoiar oficialmente os doidos do MEK. Teremos mais um caso de “liderar pela retaguarda”.
Desnecessário dizer que a coisa também opera como golpe de “PR” de valor inestimável a favor da ditadura do mulariato em Teerã – que não poupará ninguém, na operação para provar que Washington amasiou-se com grupo de terroristas conhecidos, que até a inteligência dos EUA já admitiu que agiu como facilitador no assassinato à moda Mossad de cientistas iranianos.
Grupos terroristas do mundo, uni-vos. Nada tendes a perder além da proibição de subir no elevador de uma das empresas-ás de PR de Washington. É mais que hora de reposicionarem as respectivas marcas: todos têm idêntico direito ao título de “organizações terrorcráticas”.
Notas de rodapé