A Candidatura de Unidade Popular (CUP) tem-se posicionado em relação à resolução sobre o direito a decidir aprovada ontem à tarde no Parlamento de Catalunha, que tinha sido pactuada entre os grupos de CiU e ERC e que acabou contando, também, com os votos de ICV-EUiA e a abstenção dos deputados do PSC. A formação celebrou que a pressão popular expressada nas grandes mobilizações do Onze de Setembro tenha sido capaz de situar o debate independentista num lugar preferente da agenda política do Principado, e neste sentido considera positivo que o Parlamento de Catalunha tenha tido de mover ficha e se tenha posicionado a respeito destas demandas.
Quanto ao conteúdo da resolução, porém, a CUP mostrou-se muito crítica com o fato de que o texto aprovado não faça referência em nenhum momento ao marco territorial dos Países Catalães, nem preveja nenhum tipo de relação entre os diferentes territórios do país à hora de pôr em marcha um processo de independência, a qual coisa, no parecer da CUP, trata-se duma renúncia inaceitável. A formação deixou claro que o processo de construção nacional catalão inclui o conjunto dos territórios dos Países Catalães, e tem reafirmado o seu compromisso de trabalhar de forma inequívoca para incluir a perspectiva territorial no debate soberanista no Principado de Catalunha.
De outra banda, a CUP lamentou a ambigüidade do texto, que segundo a formação está cheio de inconcreçoes em aspectos chave como qual seria o objecto exacto da consulta, que formato teria ou se seria vinculante ou não. Neste sentido, a CUP alertou do perigo que esta ambigüidade “deixe via livre ao futuro governo da Generalitat de Catalunha por rebaixar o alcance e as implicações finais desta resolução”, e a possibilidade que finalmente fique só numa declaração de intenções. Finalmente, a CUP fez um apelo a “não cair na armadilha de CiU, e evitar que pronunciamentos como este se tornem só numa maneira de lavar a cara ao partido de Mas, e esconder os seus acordos com o PP e o mal-estar gerado pela política de cortes aplicada durante a legislatura”.
