As manifestações começaram na terça-feira passada quando começou a se espalhar pelo mundo muçulmano uma onda de violência devido à difusão no ciberespaço de um filme que insulta a vida do profeta Maomé.
Pouco depois de manifestantes violarem o perímetro da embaixada estadunidense nesta capital, uma multidão atacou o consulado do mesmo país na cidade líbia de Bengasi, atearam fogo ao edifício e causaram a morte do embaixador Christopher Stevens e de três membros do grupo diplomático.
Esses ataques foram um tipo de aviso para o começo de um maremoto de protestos que até agora abarca duas dezenas de países no Oriente Médio; África, ao norte e o sul do Sahara; Europa e inclusive Oceania, causando ao redor de 10 mortes.
Washington tem respondido à crise enviando soldados à Líbia, onde sua influência política é palpável; uma petição similar para enviar militares a Cartum, capital do Sudão, foi negada pelo governo, cujo presidente Omar al-Bashir, será recebido hoje aqui pelo presidente Mohamed Morsi.
Na sexta-feira a tensão nesta capital era visível durante a convocação de uma marcha de um milhão de homens, mas diminuiu depois que os Ajuan Musulmín (Irmandade Muçulmana, islamistas) desviaram seus membros do centro metropolitano, onde indignados combatiam com a polícia antidistúrbios.
Relatórios de fontes oficiais disseram que de ambos lados há quase 300 feridos por chumbo e pedras lançadas pelos manifestantes, assim como intoxicados pelo gás lacrimogêneo usado pelos uniformizados; outras fontes divulgam a cifra de quatrocentos.
A primeira notícia sobre uma morte nos protestos aqui, um homem do qual só foi dito que tinha 36 anos, circulou na sexta-feira; o premiê Hicham Qandil informou sobre outra morte nas filas dos manifestantes no sábado.
A ira das manifestações contra a política estadunidense no Levante mostra a existência de um ressentimento subjacente pronto para explodir, o que aponta a uma reavaliação da política de Washington na zona, improvável dados seus compromissos com Israel.
No âmbito interno estadunidense, ainda está incerto qual será o impacto da crise entre os eleitores na véspera das eleições presidenciais de novembro, cujos resultados são incertos, segundo as pesquisas de opinião.


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