O PQ (Parti Québéquois) foi o vencedor das eleições na Província do Quebec, no Canadá, e terá 54 deputados de um total de 125. A sua candidata, Pauline Marois, obteve 31,98% dos votos.
O PL (Partido Liberal), que esteve no poder desde 2003, obteve 50 vagas, 14 a menos que no governo anterior. O Avénir Québec, um partido nacionalista de direita, obteve 19 representantes.
O socialdemocrata independentista Québec Solidaire obteve 6% dos votos e contarão com dois representantes.
Por trás da fragorosa derrota do PL, encontra-se o enorme desgaste do regime político provocado pelo aprofundamento da crise capitalista, agudizada devido à aplicação das políticas neoliberais assim como a proliferação da corrupção.
O governo foi enfrentado por grandes protestos nas ruas, protagonizados, principalmente, por estudantes. Mais de 150.000 estudantes secundaristas e universitários protagonizaram uma greve estudantil com maciços protestos de rua que levantaram como principal exigência a convocatória de eleições. Eles questionaram o desvio de recursos públicos para o ensino privado e exigiram uma educação pública gratuita e de qualidade, nos mesmos moldes que têm sido vistos, com muita intensidade, no Chile nos últimos meses.
O governo do PL chegou a se valer da chamada “Lei 12” para proibir as manifestações com mais de 50 pessoas sem autorização prévia da polícia. Mas essa medida provocou o aumento da adesão aos protestos e os confrontos entre os estudantes e a polícia.
O primeiro ministro Jean Charest foi obrigado a convocar eleições de maneira antecipada.
O novo governo representa uma saída institucional de contensão dos protestos. A própria Marois, quando foi ministra de Educação, em 1996, foi responsável pelo aumento das mensalidades escolares.
O novo fôlego do movimento pela independência do Quebec reflete o aprofundamento da crise capitalista no Canadá, sob forte contágio da crise nos EUA. Nos últimos anos, o Canadá tem intensificado o papel fornecedor de petróleo e gás para os EUA, obtidos a partir das areias asfálticas e o xisto, o que tem sido responsável pela disparada da depredação do meio ambiente. As políticas canadenses fortemente atreladas aos interesses do imperialismo norte-americano não conseguiram conter a crise, o endividamento público está aumentando aceleradamente e o ritmo de crescimento caminha em direção ao estancamento.
No referendo realizado em 1995, a independência foi derrotada por apenas 50.000 votos, o que é uma diferença muito baixa considerando que a população da região autônoma francófona é de 8 milhões de habitantes. Um eventual novo referendo parece ter mais chances de vitória. A separação de uma das maiores províncias do País será mais um fator de intensificação da crise no Canadá.
