Como a cada ano, a Esquerda Independentista Catalá (Alerta Solidària, Arran, COS, CUP, Endavant, MDT e SEPC) trabalha na organização de uma Festa que tem de convertir-se "numa grande mobilização em defesa da independência, a construção nacional dos Países Catalães e a luta pela justiça e igualdade social", tal como manifestou a Candidatura d'Unitat Popular (CUP) num comunicado que emitiu nesta segunda-feira para fazer um apelo a sair à rua a 11 de setembro.
Uma Festa, a da Esquerda Independentista, caraterizada pela territorialidade -organizam-se atos e manifestações por todos os lados do Principado- e pela reivindicação social, como fica patente no próprio lema unitário da Festa "Nem pacto fiscal, nem pacto social. Independência e socialismo Países Catalães" e no da CUP, "O país não está em venda. Independência e socialismo".
Umas palavras de ordem através das quais a CUP e o conjunto do movimento da Esquerda Independentista pretende fazer questão da necessidade de "gerar um espaço claramente soberanista e de esquerdas" que rejeita propostas como a do pacto fiscal, que "manipulam o conteúdo ruturista" da manifestação.
Nesse sentido, a CUP considera que a conjuntura atual de crise económica, social e institucional "requer posicionamentos claros não apenas em relação ao eixo nacional, mas também no eixo social". Por isso, diz, "é imprescindível construir um quadro que aposte sem ambiguidades pela plena independência sem percorrer caminhos destinados ao falhanço como o do pacto fiscal" e que entenda "a construção nacional dos Países Catalães como um elemento imprescindible do processo independentista".
"O modelo político e económico neoliberal da União Européia é o que nos conduziu à crise"
E é que da perspetiva da organização independentista, a conjuntura internacional não apresenta a União Européia como um agente aliado para a justiça e a liberdade do povo catalão, senão ao contrário: "O modelo político e económico neoliberal da União Européia é o que nos conduziu à crise e é o que condena centenas de milhares de catalães e milhões de europeus ao desemprego e à pobreza". Segundo a CUP, "as políticas da União Européia a respeito dos estados grego, italiano ou o mesmo Estado espanhol demonstram que também é uma inimiga da soberania dos povos".
Por isso reafirma a sua luta "pela autodeterminação dos Países Catalães e para mobilizar a sociedade catalã a favor de um novo modelo político, económico e social" e desta maneira faz um apelo a manifestar-se com a CUP e a Esquerda Independentista próximo dia onze de setembro.
Compatible com a manifestação da ANC
Ao seu comunicado, a CUP explicou que apesar de manter a convocação tradicional da Esquerda Independentista em Barcelona esta não se contrapõe à manifestação independentista que este ano convocou a Assembleia Nacional Catalã (ANC) como culminação dos atos da Marcha para a Independência. Doutro lado, manifestações que levam muitos anos a celebrar-se, como a da CUP em Girona ou Lleida, celebrar-se-ão de manhã.
Ainda, afirma que a militância da CUP de toda parte "participa na organização de todas as manifestações" e colabora com as assembleias locais da ANC com o objectivo que este ano "tenha mais independentistas do que nunca" e que "nenhum partido nem nenhum dirigente político que defenda o pacto fiscal manipulem o conteúdo ruturista destas manifestações".
Botran: "Todas as mobilizações têm de ser bem vindas"
Um fato que também esclarece o porta voz nacional da CUP Albert Botran numa entrevista em VilaWeb onde afirma que a formação não se desmarca da manifestação da ANC senão que simplesmente mantém a convocação própria da Esquerda Independentista "sem vontade de se contrapor a nenhuma outra". Botran recordou que a militância da CUP também participa na ANC e que inclusive há membros da organização no secretariado da assembleia.
"Oxalá haja muitíssima gente nessa tarde em Barcelona, nessa manifestação e na da Esquerda Independentista. Tudo somado é parte de um processo em que as mobilizações serão crescentes. Todas têm de ser bem-vindas", assinalou, e neste sentido gabou que o ANC não tenha convertido a manifestação do onze numa mobilização pelo pacto fiscal, tal como pretende o Governo da Generalitat de Cataluña [NdT: Governo autónomo do Principado da Catalunha].
Precisamente Botran carregou contra a política de Convergència i Unió (CiU. NdT: Partido neoliberal, católico e nacionalista catalão no poder autonómico): "achamos que o governo de CiU favorecerá os interesses de determinados investidores privados e de empresas amigas em detrimento dos interesses da maioria do povo, que sofre as consequências dos cortes. Não achamos que este governo nos traga à independência, mas antes faz um papel contrário, de a adiar, e entretanto, vai fazendo uma sociedade mais desigual e mais dependente". Também denunciou que apesar mesmo que a Festa for um sucesso "não trará nenhuma mudança substancial, porque temos um governo aliado do Partido Popular [NdT: Partido da ultradireita espanhola que governa no Estado espanhol] que faz a função de conter todas estas ânsias de liberdade".
"A independência tem de ir atada a um programa social"
Botran insistiu que "faz falta um conteúdo social mais importante no independentismo" que defenda "um modelo de país que combata as desigualdades" porque "é o que fá-lo-á botar raízes e avançar". "A independência tem de ir de mãos dadas com um sequito de conquistas sociais", afirmou.
Para a CUP, "a independência tem de ir amarrada a um programa social", segundo explicou o seu porta voz, que salientou que o objetivo do país é que a luta nacional e social conflua, "que a cada dia tenha uma consciência mais forte de que as duas lutas vão juntas, e que conseguiremos uma sociedade melhor e com mais igualdade na medida que consigamos um povo mais livre e independente".
Manifestações da Esquerda Independentista no dia Onze
As organizações da Esquerda Independentista convocam atos por toda parte nas comarcas do Principado que se estenderão durante toda a semana do Onze e também as seguintes manifestações para o dia da Festa:
BARCELONA
17h Praça Urquinaona
LLEIDA
12h Praça da Paeria
GIRONA
12.30h Praça Catalunya
RÉUS
19.30h Mercado Central
MATARÓ
13.15h Praça Miquel Biada
Leia mais
[+Fotos] Catalunha enche as ruas nas principais cidades pela independência no seu Dia Nacional
Foto do Diário Liberdade - Manifestação da CUP no 11 de setembro do ano passado.