Cinco organizações internacionais acusaram o Banco Mundial de "socavar os direitos dos povos indígenas" depois que a instituição financeira tenha aprovado um crédito multimilionário para construir uma linha eléctrica entre a Etiópia e o Quénia. A linha sairá da futura barragem de Gibe 3, a construção da qual é contestada por várias organizações internacionais porque, segundo elas, ameaça a forma de vida de vários povos autóctones (entre os quais se encontram os bodi, os kwegu, os kara ou os nyangatom) que vivem nas margens do rio Omo.
As organizações críticas (Human Rights Watch, Amigos do Lago Turkana, International Rivers, Survival e o Bank Information Center) asseguram que o Banco Mundial se saltou os seus próprios "standards meioambientais e sociais" à hora de analisar Gibe 3 e, portanto, se era ajeitado financiar um empreendimento associado a esta barragem. As entidades detalham que as comunidades que vivem na região (meio milhão de pessoas, segundo os seus dados) verão destruído o ecossistema que as alimenta quando Gibe 3 esteja em marcha.
As organizações também denunciam que, na parte baixa do rio, a Etiópia está forçando os habitantes a abandonarem as margens do rio e a assentar em outras regiões. Segundo denunciam, "as forças de segurança do Estado etíope usaram a intimidação, as agressões e os detençoes arbitrárias" contra aqueles que não queriam abandonar o seu território.
O Banco Mundial fala de garantias "rigorosas"
Por sua vez, o Banco Mundial defende-se das críticas e assegura que o projecto da linha eléctrica "obedecerá a normas rigorosas de protecção social e meioambiental", ainda que não especificou quais. A entidade financeira considera que o projecto levará grandes benefícios tanto a Etiópia (que poderá vender o seu excedente de eletricidade) como o Quénia (que podê-lo-á comprar) em matéria comercial, de infra-estruturas e de desenvolvimento regional.
Foto: um trecho do rio Omo, em Etiópia. Marc Veraart


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