E para Portugal em particular onde, a par da revolução cubana, exerceu uma grande influência mobilizadora na juventude portuguesa dos anos sessenta, e as forças antifascistas organizadas na FPLN, Frente Patriótica de Libertação Nacional, encontraram no povo argelino e no governo revolucionário da FLN, uma valiosa solidariedade.
É preciso não esquecer quanto sacrifício e heroísmo foram necessários para derrotar o opressor que desde 1830, antecipando a avalanche de invasões coloniais da época do imperialismo em finais do século 19, ocupava de fato o território da Argélia. Um milhão e meio de mortos foi o preço que o povo árabe e berbere argelino teve de pagar para se libertar da exploração colonial, da discriminação racial e da opressão nacional.
Esgotadas todas as vias de uma solução negociada, confrontado com a repressão feroz das mais elementares reclamações democráticas e nacionais e com o massacre impiedoso de populações inteiras, não restou à resistência outro caminho que o de responder à violência do opressor com a violência libertadora. Perante atos de inaudita violência como os massacres de Setif e Guelma (40 mil mortos) a luta de libertação empreendeu, com a insurreição do 1.º de Novembro de 1954 o caminho da luta armada e da guerra de guerrilha rural e urbana. A resposta da burguesia colonialista foi o terror, o terrorismo de estado mais impiedoso, com o bombardeamento com napalm de populações inteiras e o recurso indiscriminado à tortura, realidade brutal que o escritor comunista Henri Alleg tão brilhantemente denunciou ao mundo em La Question. A ação criminosa dos bandos fascistas da OAS, não foi apenas uma reação desesperada à iminente vitória da insurreição argelina, foi uma expressão exemplar da essência criminosa do capitalismo.
Após o triunfo da revolução a Argélia independente seguiu o caminho de grandes transformações econômicas e sociais e inseriu-se na vida internacional como um país solidário com a causa emancipadora dos povos e membro prestigiado do Movimento dos Não-Alinhados. Muitos projetos e sonhos ficaram pelo caminho, desenvolveram-se fenômenos de degenerescência, a mudança da correlação de forças resultante das derrotas do socialismo e a globalização imperialista não passaram ao lado deste importante país do Magreb. Mas os sulcos da revolução não se apagaram.
Como todas as revoluções genuínas, a revolução argelina confirma o papel determinante das massas no processo de emancipação social e humano. Um povo unido e determinado é invencível. Mostra também como são diversificados os caminhos da revolução, sem obediência a "modelos" apriorísticos, e como é no decurso do próprio combate revolucionário, criativamente, que as massas com os seus combatentes de vanguarda, encontram as formas de luta e constroem as alianças e as formas de organização que conduzem à vitória.
* Albano Nunes é membro da direção do Partido Comunista Português


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