As contradições entre o imperialismo francês, assim como a maior parte das potências imperialistas, e o imperialismo alemão estão aumentando em relação à política econômica baseada nos programas de austeridade. O avanço dos protestos populares têm crescido em toda Europa em confronto contra os ataques aos programas sociais.
Mas o imperialismo alemão tem se mantido irredutível na posição de que para liberar as emissões de eurobônus ele deverá aumentar o controle sobre os demais países da zona do euro. O ministro da finanças Steffen Kampeter declarou que “sempre temos deixado claro que enquanto a política fiscal da Europa não estiver integrada, rejeitaremos o financiamento comum via bônus da zona do euro”. O controle da zona do euro lhe tem permitido o financiamento a taxas de juros que continuam batendo recordes históricos à baixa.
No dia 23 de maio, o governo alemão vendeu € 4,5 bilhões de títulos com vencimentos a dois anos a taxa de juros de 0,07%. As ofertas superaram os € 7,5 bilhões o que reflete a disparada da aversão ao risco na região. Mas é evidente que o imperialismo alemão não conseguirá evitar o contágio da agudização da crise capitalista na Espanha que, pelo tamanho, é irresgatável.
Os EUA e o Japão são o modelo da proposta de crescimento de Hollande
François Hollande está manobrando para forçar o governo de Angela Merkel a uma mudança de política e um momento crucial será a reunião dos chefes de estado da UE que acontecerá nos próximos dias.
Há alguns dias Hollande declarou que era contrário a que o ministro de Finanças da Alemanha, Wolfgang Schäuble, assumisse a presidência do Eurogrupo nos próximos meses, que reúne todos os ministros de finanças da zona do euro e que caso ele viesse a ser eleito deveria renunciar ao Ministério das Finanças.
Enquanto Merkel tenta neutralizar a nova estratégia de Hollande, tentando agrupar os aliados mais próximos, Hollande tem conseguido o apoio aberto da administração Obama e o apoio oscilante do governo britânico e até de organismos e governos diretamente controlados pelo imperialismo alemão: do primeiro ministro italiano Mario Monti, do primeiro ministro espanhol Mariano Rajoy, que pretende obter novos recursos do BCE, e até do presidente da Comissão Europeia Durão Barroso e do presidente do Eurogrupo Jean Claude Duncker.
O imperialismo norte-americano, japonês e britânico encontram-se fortemente contagiados pela crise da zona do euro, tanto pela queda da demanda quanto pelos enormes volumes de títulos da dívida pública e privada, principalmente, alemães e franceses que detêm.
Essas movimentações e manobras refletem o aumento das contradições entre duas políticas que pretendem enfrentar o aprofundamento da crise econômica e política na zona do euro priorizando os próprios interesses. A política do imperialismo alemão, que visa manter o domínio na Europa a qualquer custo, e a política do imperialismo francês que pretende se fortalecer em cima de uma política que siga o modelo dos EUA e do Japão – um certo crescimento econômico e o aumento gradual do repasse da crise para as massas trabalhadoras mediante o aumento das emissões de títulos e papel moeda sem lastro produtivo.