Arredor do Nobel há toda uma nebulosa, existem muitas luzes e muitas sombras nas escolhas que são feitas cada ano, razões políticas, económicas e doutro tipo, mesmo filias ou fobias. O que não deveria acontecer, ao tratar-se dum prémio de categoria mundial, que, ainda assim tem o seu prestígio. As editoras, com poder mais concentrado na atualidade nos seus diferentes países, jogam também com as suas influências. É o caso, por exemplo, do que aconteceu quando foi atribuído o galardão a Vargas Llosa. Não lhes falta razão aos que dizem que o Prémio Nobel é a única contribuição da Suécia para a literatura universal. E eu digo que, com perdão para a excelente escritora sueca Selma Lagerlof, premiada em 1909, e para August Strindberg, outro escritor extraordinário, que foi vetado para ser premiado polo secretário perpétuo da Svenska Akademien, Carl David af Wirsen. O mesmo que se opôs também a outorgá-lo a Liev Tolstói por anarquista e corruptor da juventude. Uma espécie de Méndez Ferrín, que sempre se opõe a que Carvalho Calero tenha um Dia das Letras Galegas.
Não sei se alguém dentre os meus leitores me pode explicar como o quarto ou quinto idioma mais importante do mundo como é o português – o nosso galego culto – desde 1901 só tenha um escritor laureado, José Saramago, que o foi em 1998. Que escreveram em português houve de forma sobrada infinidade de excelentes escritores no Brasil e Portugal merecedores deste prémio. Aos que se poderiam agregar alguns da Galiza, o angolano Pepetela e o moçambicano Craveirinha. Remeto aos meus leitores a um artigo anterior meu intitulado «A maldição do Brasil com o Prémio Nobel», em que destaco todos aqueles escritores brasileiros que sobejamente mereciam ter recebido este galardão literário.
Desde 1901 receberam o prémio 108 escritores. Polo idioma em que escreveram existe um profundo desfasamento em prejuízo do nosso comum idioma universal. Em inglês escreviam 26, 14 em francês e também em alemão, 11 em castelhano, sete em sueco, seis em italiano, cinco em russo, quatro em polaco, três em dinamarquês e em norueguês e dous em japonês e grego. O português, com tão só um escritor, está ao nível do finlandês, o checo, o ocitano, o islandês, o iídixe, o turco, o árabe, o chinês e o bengali, chamado Bangla.
Houve infinidade de escritores por todo o mundo merecedores de ser premiados, antes de muitos que, com efeito, o foram. Já em 1901 tinha que ser galardoado Tolstói no lugar do francês Proudhomme, com quem concorria. Em 1903 merecia o prémio o norueguês Henrik Ibsen (1828-1906) e levou-o o seu concidadão Bjorson. O argentino Jorge Luis Borges esteve sempre magoado por não o ter recebido, merecendo-o claramente. Do caso de Strindberg já falamos ao princípio do artigo. Escritores em castelhano, além de Borges, que tinham que ter sido laureados há quantidade: Julio Cortázar (1914-1984), García Lorca (1898-1936), Pérez Galdós (1843-1920), Augusto Roa Bastos (1917-2005), Juan Rulfo (1917-1986), Rafael Alberti (1902-1999), Pío Baroja (1872-1956), Rómulo Gallegos (1884-1969), Blasco Ibáñez (1867-1928), Valle Inclán (1866-1936), Alejo Carpentier (1904-1980) e, muito especialmente, Antonio Machado (1875-1939). Entre os gauleses merecedores do prémio temos: Marcel Proust (1871-1922), Paul Valéry (1871-1945), Émile Zola (1840-1902) e Saint-Exupéry (1900-1944). Finalmente de outras diferentes nacionalidades há escritores de verdadeira categoria merecedores do galardão: James Joyce (1882-1941), Vladimir Nabokob (1899-1977), Franz Kafka (1883-1924), Virgil Gheorgiu (1916-1992), Lajos Zilahy (1891-1974), Mika Waltari (1908-1979), Lazslo Passuth (1900-1979), William Saroyan (1908-1981), Nikos Kazantzakis (1883-1957), Joseph Conrad (1857-1924), Stefan Zweig (1881-1942), Lin Yutang (1895-1976), Michio Takeyama (1903-1984) e António Tabucchi (1943-2012). Entre os vivos mereceriam o prémio Eduardo Galeano, Ismail Kadaré, Sunil Gongopadhyay, António Lobo Antunes e o japonês Haruki Murakami. Esta lista tem que ser acrescentada com todos aqueles escritores brasileiros e portugueses que mereciam o Nobel de Literatura a seu devido tempo e não o conseguiram de forma muito injusta. Tal como assinalo no meu artigo publicado antes no PGL a que acima me referi.
José Paz Rodrigues é Didata e Pedagogo Tagoreano.
Foto: Mo Yan, escritor chinês recém eleito prémio Nobel de literatura no ano 2012


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