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mo-yan-2-size-598PGL - [José Paz Rodrigues] No dia 11 do presente mês a Svenska Akademien (Academia Sueca) tem previsto dar a conhecer o literato ou literata galardoado com o Prémio Nobel de Literatura do presente ano de 2012. Se se cumprissem os desejos de Alfred Nobel, criador dos prémios que levam seu nome, o premiado ou premiada, ademais do valor literário dos seus escritos, poemas, dramas, romances e contos, deveria ser uma pessoa com altos valores humanos e ideais positivos a favor da humanidade e a irmandade de povos, países e gentes. Ao estilo dos que tinham Tagore – o que mais -, Jiménez, Rolland, Anatole France, Yeats, Bergson, Pearl S. Buck, Gabriela Mistral, Hesse, Steinbeck, Kawabata, Neruda, Octavio Paz, Saramago, Russell, laureados a seu devido tempo de forma muito acertada. O filantropo Nobel não aceitaria, no entanto, se vivesse, que fossem premiados como foram, por não reunirem aqueles valores humanos na sua conduta, Kipling, bom escritor mas defensor do colonialismo, Churchill, nem bom escritor nem bom ser humano, também defensor do colonialismo britânico, e, muito especialmente, Camilo José Cela, que nasceu na Galiza por acidente, e mesmo foi espia e delator no franquismo, como todos devem saber.


Arredor do Nobel há toda uma nebulosa, existem muitas luzes e muitas sombras nas escolhas que são feitas cada ano, razões políticas, económicas e doutro tipo, mesmo filias ou fobias. O que não deveria acontecer, ao tratar-se dum prémio de categoria mundial, que, ainda assim tem o seu prestígio. As editoras, com poder mais concentrado na atualidade nos seus diferentes países, jogam também com as suas influências. É o caso, por exemplo, do que aconteceu quando foi atribuído o galardão a Vargas Llosa. Não lhes falta razão aos que dizem que o Prémio Nobel é a única contribuição da Suécia para a literatura universal. E eu digo que, com perdão para a excelente escritora sueca Selma Lagerlof, premiada em 1909, e para August Strindberg, outro escritor extraordinário, que foi vetado para ser premiado polo secretário perpétuo da Svenska Akademien, Carl David af Wirsen. O mesmo que se opôs também a outorgá-lo a Liev Tolstói por anarquista e corruptor da juventude. Uma espécie de Méndez Ferrín, que sempre se opõe a que Carvalho Calero tenha um Dia das Letras Galegas.

Não sei se alguém dentre os meus leitores me pode explicar como o quarto ou quinto idioma mais importante do mundo como é o português – o nosso galego culto – desde 1901 só tenha um escritor laureado, José Saramago, que o foi em 1998. Que escreveram em português houve de forma sobrada infinidade de excelentes escritores no Brasil e Portugal merecedores deste prémio. Aos que se poderiam agregar alguns da Galiza, o angolano Pepetela e o moçambicano Craveirinha. Remeto aos meus leitores a um artigo anterior meu intitulado «A maldição do Brasil com o Prémio Nobel», em que destaco todos aqueles escritores brasileiros que sobejamente mereciam ter recebido este galardão literário.

Desde 1901 receberam o prémio 108 escritores. Polo idioma em que escreveram existe um profundo desfasamento em prejuízo do nosso comum idioma universal. Em inglês escreviam 26, 14 em francês e também em alemão, 11 em castelhano, sete em sueco, seis em italiano, cinco em russo, quatro em polaco, três em dinamarquês e em norueguês e dous em japonês e grego. O português, com tão só um escritor, está ao nível do finlandês, o checo, o ocitano, o islandês, o iídixe, o turco, o árabe, o chinês e o bengali, chamado Bangla.

Houve infinidade de escritores por todo o mundo merecedores de ser premiados, antes de muitos que, com efeito, o foram. Já em 1901 tinha que ser galardoado Tolstói no lugar do francês Proudhomme, com quem concorria. Em 1903 merecia o prémio o norueguês Henrik Ibsen (1828-1906) e levou-o o seu concidadão Bjorson. O argentino Jorge Luis Borges esteve sempre magoado por não o ter recebido, merecendo-o claramente. Do caso de Strindberg já falamos ao princípio do artigo. Escritores em castelhano, além de Borges, que tinham que ter sido laureados há quantidade: Julio Cortázar (1914-1984), García Lorca (1898-1936), Pérez Galdós (1843-1920), Augusto Roa Bastos (1917-2005), Juan Rulfo (1917-1986), Rafael Alberti (1902-1999), Pío Baroja (1872-1956), Rómulo Gallegos (1884-1969), Blasco Ibáñez (1867-1928), Valle Inclán (1866-1936), Alejo Carpentier (1904-1980) e, muito especialmente, Antonio Machado (1875-1939). Entre os gauleses merecedores do prémio temos: Marcel Proust (1871-1922), Paul Valéry (1871-1945), Émile Zola (1840-1902) e Saint-Exupéry (1900-1944). Finalmente de outras diferentes nacionalidades há escritores de verdadeira categoria merecedores do galardão: James Joyce (1882-1941), Vladimir Nabokob (1899-1977), Franz Kafka (1883-1924), Virgil Gheorgiu (1916-1992), Lajos Zilahy (1891-1974), Mika Waltari (1908-1979), Lazslo Passuth (1900-1979), William Saroyan (1908-1981), Nikos Kazantzakis (1883-1957), Joseph Conrad (1857-1924), Stefan Zweig (1881-1942), Lin Yutang (1895-1976), Michio Takeyama (1903-1984) e António Tabucchi (1943-2012). Entre os vivos mereceriam o prémio Eduardo Galeano, Ismail Kadaré, Sunil Gongopadhyay, António Lobo Antunes e o japonês Haruki Murakami. Esta lista tem que ser acrescentada com todos aqueles escritores brasileiros e portugueses que mereciam o Nobel de Literatura a seu devido tempo e não o conseguiram de forma muito injusta. Tal como assinalo no meu artigo publicado antes no PGL a que acima me referi.


José Paz Rodrigues é Didata e Pedagogo Tagoreano.

Foto: Mo Yan, escritor chinês recém eleito prémio Nobel de literatura no ano 2012


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