Esta expansão tem sido utilizada por céticos climáticos como uma prova de que o aquecimento global não existe e até justificaria, para alguns, a teoria de que o mundo estaria se resfriando e não aquecendo.
Agora, uma pesquisa publicada no periódico Nature Geoscience afirma ter resolvido a questão e aponta que o aumento na camada de gelo na Antártida é justamente resultado das mudanças climáticas.
Conduzido por cientistas do British Antarctic Survey (BAS) e da NASA, o estudo analisou mais de cinco milhões de imagens de satélites meteorológicos, abrangendo um período de 19 anos, e concluiu que foram alterações nos padrões de ventos que resultaram no aumento do gelo na Antártida.
"No total, a cobertura de gelo marinho na região está aumentando devagar. Porém, algumas áreas registram perdas e outras ganhos em uma velocidade mais acelerada. O que conseguimos observar é que estas mudanças foram resultado da ação de ventos, que passaram a movimentar o gelo de um local para o outro e afetaram também a temperatura do ar”, afirmou Paul Holland, principal autor do estudo.
“Até agora só podíamos especular sobre o gelo da região, principalmente utilizando modelos computacionais. Mas nossa pesquisa teve acesso a imagens de satélite que nos permitiram analisar a real complexidade das mudanças climáticas”, completa.
O pesquisador salienta que o ganho de gelo na Antártida em nenhuma forma compensa a perda no Ártico.
“O degelo no Ártico é cinco vezes mais rápido do que o ganho de gelo na Antártica, então, na média, a Terra está perdendo gelo marinho muito velozmente. Não existe inconsistência entre nossos resultados e o aquecimento global”, disse.
Segundo os pesquisadores, as próprias características naturais dos dois Polos fazem com que cada um reaja de uma maneira diferente ao aumento das temperaturas.
“A Antártida é um continente cercado por água, enquanto o Ártico é um oceano cercado por terra. Por essa razão, o gelo marinho no norte não se comporta da mesma forma que vemos no sul”, concluiu Holland.
