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140912 degeloDiário Liberdade - Degelo no Ártico é o maior nos últimos 50 anos e já encolheu 4,2 milhões de quilômetros quadrados


O ano de 2012 tem sido marcado por extremos climáticos e as evidências do aquecimento global têm se acumulado. As altas taxas de calor têm causado secas em várias partes do mundo.

Nos EUA, no mês de julho, foi registrada a temperatura mais alta dos últimos 100 anos, causando uma seca em escala nunca antes vista e destruindo a colheita do milho na quase totalidade, assim como de grande parte de outras lavouras.

No Leste Europeu, as temperaturas chegaram perto dos 30oC negativos, provocando a morte de dezenas de pessoas.

Segundo a NASA, a extensão do degelo na Groelândia, neste verão de 2012, chegou a 97%. No Ártico, o degelo bateu o recorde histórico, um mês antes do fim do verão, provocado por uma onda de calor de proporções gigantescas que está causando danos enormes numa das regiões mais sensíveis ao aquecimento do planeta Terra. Foi registrado o descolamento de um iceberg de 119 quilômetros quadrados do glaciar de Petermann, representando duas vezes o tamanho da ilha de Manhattan, na cidade de Nova Iorque.

O aprofundamento da crise capitalista aumenta as emissões de gases de efeito estufa

Segundo os últimos três relatórios anuais do IPCC (Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas), da ONU, os níveis de gases de efeito estufa têm batido recordes nos últimos três anos. Segundo o co-presidente Thomas Stocker, "na verdade, podemos atribuir o aumento de dias quentes, nos últimos anos, a uma concentração maior de gases de efeito estufa". Com essa elevação de temperatura na Terra, devido ao aquecimento global, o gelo no Ártico não tem tempo suficiente para se recompor para o verão seguinte, deixando assim, a cada ano, as camadas de gelo mais finas.

Segundo tem sido constatado por diversos climatologistas, desde a década de 1970, houve uma redução de 40% na extensão do gelo no Ártico. A crise mundial do petróleo de 1974 marcou o término definitivo dos chamados "anos dourados" do capitalismo, iniciados, aproximadamente, em 1948, marcados pelos gigantescos volumes de investimentos estatais, principalmente no setor de armamentos. As multinacionais passaram a devastar, cada vez mais, o meio ambiente, para compensar a queda do lucro, produto da ação das leis intrínsecas do capitalismo, como sistema altamente parasitário e esgotado historicamente.

Com a implementação das políticas neoliberais em larga escala, na década de 1990, a redução da camada de gelo nas calotas polares tem aumentado de maneira exponencial, até tal ponto que muitos cientistas passaram a afirmar que, de continuar a tendência atual, o Ártico deverá ficar sem gelo já na próxima década.

O gelo no Ártico tem encolhido 4,2 milhões de quilômetros quadrados desde 1974. Mas não é apenas o Ártico que vem sofrendo com derretimento das geleiras. No Himalaia (Ásia), nos Andes (América do Sul) e no Kilimanjaro (África) vem se observando um forte derretimento das geleiras, provocando o aumento significativo do nível dos oceanos e das ameaças sobre as grandes cidades costeiras e os países insulares.

O professor Richard Muller, físico e "ex-cético" da mudança climática, fundou um projeto chamado Best (Berkeley Earth Surface Temperature), que constatou que a temperatura média da superfície da terra tem aumentado 1,5oC ao longos dos últimos 250 anos, do qual, 1oC grau se deu nos últimos 50 anos. A pesquisa também analisou o impacto do sol sobre o aquecimento global, que é uma das teorias dos cientistas que o negam (a grande maioria financiados pelas multinacionais), e concluiu que, ao longos desses 250 anos, a "contribuição" do sol para o aquecimento foi praticamente nula. O impacto das erupções vulcânicas também teria sido muito limitado.

Qual é o papel dos combustíveis fósseis?

Os chamados combustíveis fósseis (os principais são o petróleo e o carvão mineral) representam um dos componentes mais importantes da busca por lucros a qualquer custo e os principais responsáveis pelo crescente derretimento das geleiras.
Apenas os impactos causados pela continuação do uso de combustíveis fósseis poderá elevar a temperatura da Terra em até 7ºC, até o final deste século. A gravidade e a frequência das catástrofes ambientais deverão aumentar de maneira exponencial.

A partir de meados da década passada, devido ao esgotamento da especulação imobiliária que culminou no colapso capitalista de 2007/2008, houve uma forte movimentação dos capitais financeiros especulativos para os mercados futuros de commodities. O papel da China, principalmente, como mercado manufatureiro mundial de produtos manufaturados de baixo custo, foi aprofundado devido ao custo baixíssimo da mão de obra. A crescente necessidade de energia para movimentar as indústrias tem sido suprida, fundamentalmente, com carvão mineral, que é abundante no País e tem um custo menor que as outras fontes de energia, apesar de ser mais poluente. O carvão mineral também é muito usado nos EUA. A sua queima para obtenção de energia, libera na atmosfera, entre outros poluentes, mercúrio, vanádio, cádmio, arsênio e chumbo.

O uso dos combustíveis fósseis representa o principal mecanismo que possibilita os obscenos lucros do punhado de especuladores que domina o mundo. Os petrodólares permitem a imposição da ditadura do dólar em cima de emissões de papel moeda, sem lastro produtivo, e as trilionárias compras de títulos podres pelo governo norte-americano. Deste maneira, se viabiliza a especulação financeira em larga escala, operacionalizada, principalmente, por meio dos derivativos financeiros, controlados pelo imperialismo norte-americano com o imperialismo britânico a reboque. Os recursos públicos e a nefasta política TBTF (Muito Grande Para Falir) permitem o salvamento dos grandes especuladores a qualquer custo e funcionam como uma espécie de "coringa" no jogo de tabuleiro Banco Imobiliário.

O nível de tecnologia existente hoje já teria condições de apresentar soluções alternativas, em larga escala, tanto para substituir o petróleo como combustível básico, como para substituir a produção de matérias primas de maneira depredadora que leva à derrubada de florestas e ao trabalho escravo ou semiescravo, entre outros fenômenos. A preservação ambiental é incompatível com a principal lei do capitalismo – a obtenção de lucros a qualquer custo


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