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VACA PISCA galego portuguesaPCO - Desde os anos 60 a chamada “revolução pecuária” vem colocando em risco a produção de alimentos e depredando os recursos naturais em busca de grandes lucros para os especuladores. 


Após as multinacionais imperialistas terem consolidado o monopólio das sementes e a dependência dos agrotóxicos, por meio da chamada “revolução verde” agora está no foco o controle monopolista de toda a cadeia produtiva da carne, por meio da chamada “revolução pecuária”.

A produção de carne, nas últimas décadas, tem aumentado em cinco vezes, dentre elas a de carne vacuna, de porco, e frango. Mas o consumo de carne tem sido desigual no mundo. Enquanto os países desenvolvidos têm comsumido 37 kg anuais por pessoa, os países do atrasados têm consomidi 25,5 kg. Na África Subsaariana o consumo é tão baixo que sem sequer há registro.

Assim como a “revolução verde”, a “revolução pecuária tem como único objetivo continuar garantindo as altas taxas de lucro dos especuladores, por meio da utilização em larga escala de agrotóxicos e sementes transgênicas. O suposto combate à fome mundial, propagandeado por organizações “filantrópicas” imperialistas, como a Fundação de Melinda e Bill Gates, tem como objetivo fortalecer o monopólio dessas multinacionais. Os programas promovidos na África estão sendo implementados pela Monsanto, principalmente, e outras multinacionais do setor. Desde 2008, o número de pessoas que passam fome aumentou em 300 milhões e já passa de 1 bilhão de pessoas.

A “revolução pecuária”, que tem como base a produção intensiva e devastadora dos recursos naturais, o aumento da exploração dos trabalhadores e os ataques contra os pequenos camponeses, índios e quilombolas de quem buscam tomar as terras para promover o avanço da fronteira agropecuária e diminuir os custos relacionados com a manutenção da produção intensiva. Os latifundiários, que representam o setor mais atrasado da burguesia, aliados às multinacionais imperialistas, por meio do chamado agronegócio no Brasil, têm aumentado a concentração de terras, os massacres no campo e colocado em risco a segurança alimentar, ambiental da população mundial

A organização Human Rights Watch publicou um relatório onde descreve que as condições de trabalho na indústria da carne são uma das piores e mais perigosas do mundo, configurando-se em trabalho semi-escravo. O relatório expõe o abuso sistemático dos trabalhadores imigrantes indocumentados, a intimidação, a falta de indenizações pelos acidentes, as represálias e constantes ameaças de demissão. Esses abusos foram retratados no filme “Fast Food Nation” (Nação Fast Food) de Richard Linklater Fast.

A produção intensiva de gado aumenta o desmatamento, causa grande impacto na mudança climática e depreda o meio ambiente

A produção de carne é a principal utilitária da terra, representando 40% do valor bruto da produção agropecuária mundial, seja por via direta com o manejo do gado ou seja pela via indireta na produção de milho, soja, trigo e outras commodities para produção de ração e forragem. Cerca de 18% dos gases de efeito estufa, são gerados na produção pecuária, superando assim o setor de transporte.

A produção de depredadora intensiva de gado é responsável por 9% das emissões de CO2, devido ao uso depredador do solo e ao desmatamento; por 65% do óxido nitroso, a maior parte procedente do esterco; por 37% das emissões de metano (muito mais prejudicial do que o CO2), originado pelo sistema digestivo dos ruminantes; e por 64% do amoníaco, que é o grande responsável pela chuva ácida.

A produção de commodities coloca em risco a água potável seja ela nos rios ou lençóis freáticos, pois consomem entre 70% e 80% do total da água doce disponível. Os dejetos dos animais, os antibióticos, os hormônios, os produtos químicos, os fertilizantes e os pesticidas são os maiores responsáveis pela contaminação do lençol freático, como vem acorrendo, de maneira crescente, no Aquífero Guarani que faz parte da Bacia Geológica Sedimentar do Paraná, que cobre uma superfície de 1,2 milhão de quilômetros quadrados, 8 mil quilômetros no Brasil, 225,5 mil na Argentina, 71,7 mil no Paraguai e 58,5 mil no Uruguai, e com uma reserva de água estimada em 46 mil quilômetros quadrados.

A busca pelas multinacionais imperialistas de altas taxas de lucros a qualquer custo

O modelo de produção intensivo de pecuária utiliza altas dosagens de hormônios, antibióticos e rações transgênicas. A produção de commodities é feita com a utilização de grandes quantidades de agrotóxicos e com sementes transgênicas o que tem provocado o aumento exponencial dos índices de câncer. O departamento de marketing das multinacionais é o grande responsável pelo aumento exagerado do consumo de carne, o que tem gerado grandes problemas cardíacos, de hipertensão, câncer, obesidade e diabetes. No documentário produzido por Morgan Spurlock,  Super Size Me (2004) (A dieta do Palhaço, em português), Morgan se submete durante trinta dias a uma dieta a base de “comida lixo” “fast food” e, como resultado, ele adquiriu vários problemas de saúde, isso porque foram apenas 30 dias, dá para imaginar as consequências ao longo dos anos.

A introdução da transgenia tem colocado várias espécies animais e vegetais em risco. O setor da pecuária é o grande responsável por 30% das raças de animais domésticos se encontrarem em risco de extinção, o que significa o desaparecimento de três raças domésticas a cada duas semanas, isso se deu devido à suposta “melhora genética”. O mesmo tem sido feito com as sementes transgênicas.

A especulação financeira, em larga escada, tem convertido os animais em matéria prima industrial. Tom Garrett, do Welfare Institute, no documentário Pig Bussiness, afirma que “aplicam-se à criação de animais sistemas industriais desenhados para fábricas de carros e máquinas. É algo incrivelmente cruel que nenhuma sociedade deveria tolerar”. As instalações das granjas para a produção de carne de maneira intensiva são projetadas para que os animais não se movimentem para engordarem mais rápido junto com altíssimas dosagens de hormônios e antibióticos.

Por trás da chamada “revolução pecuária” está o direcionamento de enormes volumes de capitais para a especulação nos mercados futuros de commodities após o esgotamento da especulação imobiliária nos países centrais em 2008. A produção de soja, destinada principalmente para a alimentação do gado, assim como o próprio gado, é comercializada dezenas de vezes, por meio de títulos financeiros, antes de chegarem aos consumidores finais.


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