Para um bilhão de pessoas no mundo, alimentação mais cara significa passar fome. Por enquanto, parece não haver como brecar a alta nos preços dos alimentos. "É realmente um problema muito complicado. É impossível explicar em uma frase o porquê da alta dos alimentos", diz David Dawe, economista sênior da FAO, a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação.
Quebra na safra russa, seca na Argentina e enchente na Austrália fazem com que haja uma menor oferta de grãos no mundo. O aumento da população mundial faz com que mais bocas que precisem ser alimentadas. Mais riqueza faz com que exista uma maior demanda de alimentos 'de luxo', como carne. Mais gado precisa comer mais. Especulação nas bolsas também não ajuda os preços. Junte a isso uma grande demanda de biocombustível, que também faz pressão nos estoques de alimento, e tem-se a receita de preços subindo 30-50%.
Mais eficiência
Enquanto em todo o mundo as pessoas procuram obter comida suficiente, a multinacional anglo-holandesa Unilever, que comercializa suas marcas de produtos alimentícios e de higiene em 180 países, também é afetada pelos altos preços dos alimentos.
"Nós tentamos fazer algo contra o aumento de preços implementando programas de economia", diz o gerente de vendas Marc Engel. "Por exemplo, produzindo de maneira mais eficiente e verificando o que pode ser modificado em um produto. Assim podemos, por exemplo, usar um óleo mais barato em lugar de manteiga. O que não pudermos economizar, entrará no final na conta do consumidor."
Dicas
"Como você lida com os preços altos, em princípio, não é diferente para uma multinacional como a Unilever e para uma pessoa que vive no interior do Peru. Afinal, trata-se de saber o que você compra e ver se você pode mudar alguma coisa."
A FAO tem uma série de recomendações em nível governamental. "O mais importante é investir na agricultura", diz Dawe. "Assim pode-se descobrir, por exemplo, novas espécies de arroz. Cientistas descobriram recentemente um tipo de arroz que é resistente a enchentes, o que é muito útil num país como Bangladesh, por exemplo, que com frequência sofre com isso."
