Isto sucede em momentos em que se incrementam as dúvidas sobre sua honestidade depois de ser golpeado por vários escândalos, alguns vinculados a esta situação.
As revelações aparecidas no jornal britânico The Guardian e em The Washington Post, de que se espiam os registros telefônicos de milhões de estadunidenses e de que a NSA tem acesso aos servidores de várias companhias de Internet mais importantes, incluídas Facebook, Google e Apple, revelaram um vespeiro no país.
Muitos pensam, como o senador republicano Rand Paul, que isto é um assalto total contra a Constituição.
As vozes que se levantam no país e no exterior simbolizam a oposição a estas práticas das autoridades em Washington e de suas agências de espionagem e segurança, e sobretudo chama a atenção que não são só os liberais, pois também grupos conservadores estão ofuscados.
As reações evidenciam que muitos estadunidenses estão muito preocupados de que o governo queira lhes tirar seus direitos e mais ainda se se faz em segredo.
Mas a isto se opõem critérios como o do diretor de Inteligência Nacional, James Clapper, que defendeu as atividades de vigilância da NSA e afirmou que a informação recolhida neste programa é um dos dados de inteligência estrangeira mais importantes e valiosos que recopilam, e se utilizam para proteger à nação de uma suposta ampla variedade de ameaças.
Ainda após descoberto o caso, as autoridades não apresentaram um resultado concreto para sustentar que foi descoberta uma ameaça real contra o país e seus cidadãos.
O mal-estar reinante também se justifica pela incapacidade do Congresso a pôr fim a estas ações.
Nos últimos três anos, foram introduzidas e recusadas uma série de medidas legislativas para reduzir ou eliminar os abusos da vigilância das comunicações reveladas.
Os argumentos de que a espionagem era absolutamente necessário para evitar um ataque contra os Estados Unidos, e que as atividades de espionagem interno são de alto segredo parecem agora cambalearem-se com acusações contra o governo por sua interpretação da restritiva e violatória Lei Patriota, aprovada após os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001 (9/11).
Segundo propõe o jornal The New York Times em um editorial, as propostas para aumentar a transparência destas atividades, ou para limitar seu âmbito de aplicação, geraram uma enérgica oposição da administração do presidente Barack Obama.
A exceção de uns poucos líderes e membros dos comitês de inteligência, a maioria dos legisladores não sabiam que o governo estava recolhendo registros de quase todos os telefonemas no país ou foi capaz de captar as mensagens de correio eletrônico de qualquer pessoa e os chats de internet, agrega o jornal.
As revelações proporcionam uma visão assustadora de que a NSA do presidente Obama tem estado fazendo, agregou o rotativo.
No entanto, o presidente assegurou que o programa secreto de monitoramento de telefonemas levado a cabo por seu governo é limitado e constitui uma necessidade frente à ameaça terrorista.
Entretanto, a União Europeia (UE) expressou sua "preocupação" depois das revelações que apontam a que os serviços de inteligência estadunidenses espiaram comunicações.
Vimos as informações da imprensa. Naturalmente estamos preocupados pelas possíveis consequências para a vida privada dos cidadãos europeus, declarou a comissaria europeia para os Assuntos Internos, Cecilia Malmstrom, depois de uma reunião de ministros do Interior da UE em Luxemburgo.
O contencioso escândalo depois de conhecer-se que NSA foi a encarregada da aplicação de uma ordem judicial que exige à empresa telefônica Verizon entregar diariamente os registros dos telefonemas de seus clientes, ocorre em momentos nos quais estão na palestra os casos de escutas telefônicas à agência AP e a um jornalista da cadeia de televisão Fox News.
Para as autoridades, sempre terá uma justificativa a fim de violar a intimidem de seus cidadãos, agora e reiteradamente, alegando a busca de relatórios e pistas sobre possíveis ataques da rede a Al-Qaeda, indicam ativistas.
Grupos defensores dos direitos humanos alegam que o programa de escutas invade a privacidade das pessoas e advertiram à Casa Branca que vão levar o caso ante a justiça.
A respeito, a Fundação Fronteira Eletrônica afirmou em uma declaração que é tempo de começar o debate nacional sobre direitos na era digital para pôr fim ao programa de monitoramento inconstitucional da NSA.
Ainda que todo esta trama de espionagem se remonte a décadas atrás, quando foi aprovada a Lei de Vigilância de Inteligência Estrangeira (FISA, por suas siglas em inglês) que a sua vez autoriza tal programa, o problema se tornou pior com a Lei Patriota, aprovada sob o governo de George W. Bush depois dos atentados de 9/11.
Especialistas legais consideram agora que possa abrir novamente o debate sobre a inconstitucionalidade da Lei Patriota, a qual em seu momento causou confrontos entre os que consideram que viola seus direitos e que esgrimem a segurança nacional para recorrer a essa prática.
Glenn Greenwald, o repórter do jornal britânico The Guardian que deu a clarinada sobre o caso, alertou que Washington, apesar de suas alegadas justificativas, está construindo um aparelho de espionagem em massa, comprometido com a destruição da privacidade em todo mundo.
Há um enorme aparelho dentro do governo que com absoluto segredo construiu esta estrutura com um só objetivo, e é destruir a intimidade e o anonimato, não só nos Estados Unidos senão em todo mundo, denunciou Greenwald em declarações à rede de televisão CNN.
Agregou que o governo adotou uma visão "deformada e distorcida da Lei Patriota, a legislação para autorizar certos tipos de vigilância por razões de segurança a raiz dos ataques terroristas do 9/11.
Portanto, o problema gera mais críticas que apoio nos Estados Unidos, e teria que ver seus efeitos reais contra Obama e até que ponto as ações autorizadas em segredo violam a Constituição do país e sua Quarta emenda.
