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110613 olhoEstados Unidos - Prensa Latina - Relatórios de que o governo dos Estados Unidos através da Agência Nacional de Segurança (NSA, por suas siglas em inglês) espia as comunicações de seus cidadãos, revelam uma crescente controvérsia.


Isto sucede em momentos em que se incrementam as dúvidas sobre sua honestidade depois de ser golpeado por vários escândalos, alguns vinculados a esta situação.

As revelações aparecidas no jornal britânico The Guardian e em The Washington Post, de que se espiam os registros telefônicos de milhões de estadunidenses e de que a NSA tem acesso aos servidores de várias companhias de Internet mais importantes, incluídas Facebook, Google e Apple, revelaram um vespeiro no país.

Muitos pensam, como o senador republicano Rand Paul, que isto é um assalto total contra a Constituição.

As vozes que se levantam no país e no exterior simbolizam a oposição a estas práticas das autoridades em Washington e de suas agências de espionagem e segurança, e sobretudo chama a atenção que não são só os liberais, pois também grupos conservadores estão ofuscados.

As reações evidenciam que muitos estadunidenses estão muito preocupados de que o governo queira lhes tirar seus direitos e mais ainda se se faz em segredo.

Mas a isto se opõem critérios como o do diretor de Inteligência Nacional, James Clapper, que defendeu as atividades de vigilância da NSA e afirmou que a informação recolhida neste programa é um dos dados de inteligência estrangeira mais importantes e valiosos que recopilam, e se utilizam para proteger à nação de uma suposta ampla variedade de ameaças.

Ainda após descoberto o caso, as autoridades não apresentaram um resultado concreto para sustentar que foi descoberta uma ameaça real contra o país e seus cidadãos.

O mal-estar reinante também se justifica pela incapacidade do Congresso a pôr fim a estas ações.

Nos últimos três anos, foram introduzidas e recusadas uma série de medidas legislativas para reduzir ou eliminar os abusos da vigilância das comunicações reveladas.

Os argumentos de que a espionagem era absolutamente necessário para evitar um ataque contra os Estados Unidos, e que as atividades de espionagem interno são de alto segredo parecem agora cambalearem-se com acusações contra o governo por sua interpretação da restritiva e violatória Lei Patriota, aprovada após os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001 (9/11).

Segundo propõe o jornal The New York Times em um editorial, as propostas para aumentar a transparência destas atividades, ou para limitar seu âmbito de aplicação, geraram uma enérgica oposição da administração do presidente Barack Obama.

A exceção de uns poucos líderes e membros dos comitês de inteligência, a maioria dos legisladores não sabiam que o governo estava recolhendo registros de quase todos os telefonemas no país ou foi capaz de captar as mensagens de correio eletrônico de qualquer pessoa e os chats de internet, agrega o jornal.

As revelações proporcionam uma visão assustadora de que a NSA do presidente Obama tem estado fazendo, agregou o rotativo.

No entanto, o presidente assegurou que o programa secreto de monitoramento de telefonemas levado a cabo por seu governo é limitado e constitui uma necessidade frente à ameaça terrorista.

Entretanto, a União Europeia (UE) expressou sua "preocupação" depois das revelações que apontam a que os serviços de inteligência estadunidenses espiaram comunicações.

Vimos as informações da imprensa. Naturalmente estamos preocupados pelas possíveis consequências para a vida privada dos cidadãos europeus, declarou a comissaria europeia para os Assuntos Internos, Cecilia Malmstrom, depois de uma reunião de ministros do Interior da UE em Luxemburgo.

O contencioso escândalo depois de conhecer-se que NSA foi a encarregada da aplicação de uma ordem judicial que exige à empresa telefônica Verizon entregar diariamente os registros dos telefonemas de seus clientes, ocorre em momentos nos quais estão na palestra os casos de escutas telefônicas à agência AP e a um jornalista da cadeia de televisão Fox News.

Para as autoridades, sempre terá uma justificativa a fim de violar a intimidem de seus cidadãos, agora e reiteradamente, alegando a busca de relatórios e pistas sobre possíveis ataques da rede a Al-Qaeda, indicam ativistas.

Grupos defensores dos direitos humanos alegam que o programa de escutas invade a privacidade das pessoas e advertiram à Casa Branca que vão levar o caso ante a justiça.

A respeito, a Fundação Fronteira Eletrônica afirmou em uma declaração que é tempo de começar o debate nacional sobre direitos na era digital para pôr fim ao programa de monitoramento inconstitucional da NSA.

Ainda que todo esta trama de espionagem se remonte a décadas atrás, quando foi aprovada a Lei de Vigilância de Inteligência Estrangeira (FISA, por suas siglas em inglês) que a sua vez autoriza tal programa, o problema se tornou pior com a Lei Patriota, aprovada sob o governo de George W. Bush depois dos atentados de 9/11.

Especialistas legais consideram agora que possa abrir novamente o debate sobre a inconstitucionalidade da Lei Patriota, a qual em seu momento causou confrontos entre os que consideram que viola seus direitos e que esgrimem a segurança nacional para recorrer a essa prática.

Glenn Greenwald, o repórter do jornal britânico The Guardian que deu a clarinada sobre o caso, alertou que Washington, apesar de suas alegadas justificativas, está construindo um aparelho de espionagem em massa, comprometido com a destruição da privacidade em todo mundo.

Há um enorme aparelho dentro do governo que com absoluto segredo construiu esta estrutura com um só objetivo, e é destruir a intimidade e o anonimato, não só nos Estados Unidos senão em todo mundo, denunciou Greenwald em declarações à rede de televisão CNN.

Agregou que o governo adotou uma visão "deformada e distorcida da Lei Patriota, a legislação para autorizar certos tipos de vigilância por razões de segurança a raiz dos ataques terroristas do 9/11.

Portanto, o problema gera mais críticas que apoio nos Estados Unidos, e teria que ver seus efeitos reais contra Obama e até que ponto as ações autorizadas em segredo violam a Constituição do país e sua Quarta emenda.


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