Quem assistiu o filme (e para quem não assistiu, recomendo) percebeu que são conflitos entre trabalhadores, estudantes, os indignados, e os donos das grandes e médias corporações, que sugam o quanto podem da alma dessas pobres pessoas.
Entrando no contexto da atual "globalização", o documentário mostra como é a realidade dos povos, não importando se são de países ricos ou pobres: os problemas são os mesmos.
A África do Sul viveu, desde a sua colonização, um período negro em sua história. Há vinte anos apenas que é um país "livre" do chamado Apartheid, onde os negros (população nativa, donos legítimos do território) foram escravizados, discriminados e perseguidos pelos poderosos, os brancos, com todo o apoio da Inglaterra e dos Estados Unidos. Mas como viu quem assistiu o filme, essa situação não mudou tão radicalmente como imaginamos. "Antes, quem explorava o nosso povo, negro, era o branco; hoje quem explora o nosso povo, negro, é um de nós, um negro" – disse um cidadão sul-africano, enfatizando bem que apenas mudaram os exploradores, mas a exploração continua.
O governo sul-africano não conseguiu atender às exigências da população e, com a chegada de capital estrangeiro, continuou oprimindo seu povo. Não como antigamente, na força armada, mas agora principalmente com a exclusão social.
A situação na Argentina é parecida. Após o fim da Ditadura Militar, em que houve milhares de casos de homicídio e desaparecimento de pessoas em virtude da repressão do regime, o país viveu longos anos de injeção de capital especulativo, no que culminou com a crise de 2001 e a falência da moeda. Novamente, quem saiu prejudicada foi a população. Não as pessoas que têm dinheiro e poder (claro, quem tem isso nunca se dá mal), mas os trabalhadores, o povo pobre, as camadas populares. As manifestações que são mostradas no filme abordam esse contexto, com pessoas colocando pneus nas ruas próximas a uma empresa e depois ateando fogo nos pneus, em protesto contra sua demissão e exigindo melhores condições de trabalho.
Em países considerados desenvolvidos, como é o caso da Coreia do Sul, do Canadá e da União Europeia, também há manifestações. E, com as manifestações, a repressão.
O território coreano foi dividido em dois após a Guerra na península, que terminou em 1953. O norte, com influência da URSS, conquistou o tão sonhado socialismo. O sul, por ingerência estadunidense, virou mais um fantoche capitalista. Os dois países nunca assinaram um tratado de paz absoluto, e por isso são considerados inimigos de guerra há sessenta anos.
Dentro desse contexto, o governo sul-coreano age com bastante cautela, com medo das influências do norte chegarem até seu povo. As manifestações de trabalhadores em fábricas sul-coreanas deixam bem claro o modo em que as corporações, apoiadas pelo governo, tratam seus funcionários, que exigem seus direitos. Bombas são atiradas contra os manifestantes, policiais com armamento pesado atacam a multidão e tudo isso, em poucos minutos, vira uma grande chacina. O que? Medo da revolta, do poder dos trabalhadores, medo da ideologia do irmão do norte.
No Canadá, a população não pode presenciar os acordos, as discussões, os debates, a reunião dos seus representantes, dos representantes mundiais na reunião das Nações Unidas em Quebéc. Manifestantes são sufocados pela polícia enquanto querem apenas expressar sua opinião, contrária à opinião dos poderosos dirigentes.
Os mexicanos que o digam. Trabalhadores rurais são explorados e maltratados, vivem em condições subumanas e querem reivindicar o que é deles: a terra em que trabalham. Conselhos de camponeses são montados para discutir o que ocorre no país com seu povo e para protestar. "Afinal, por que o nosso presidente inclui nosso país no Nafta?", perguntam-se eles. "Era melhor que não integrássemos o bloco, que só serve para alcançar os interesses de empresas e governos estadunidenses e canadenses".
Por último, o terrorismo de Estado empregado pelos sionistas de Israel ao povo palestino. Todos os dias crianças e mulheres são mortas na Faixa de Gaza pelo exército israelense. O território palestino foi invadido pelo Estado de Israel em 1967, e desde então, não basta o ataque político, mas também o militar dos judeus contra os palestinos. Por exigirem liberdade e autonomia, eles são perseguidos e oprimidos pelo regime militarista de Israel, com forte apoio do imperialismo estadunidense, que tem cada vez mais sede de poder e de petróleo pelo Oriente Médio. Como na África do Sul houve até vinte anos atrás, essa região do mundo onde se localizam o país palestino e o Estado israelense vive um regime de Apartheid, racista e opressor, que pela desculpa religiosa segue um caminho de imenso terror.
O que nos faz ficar mais tranquilos é a intranquilidade dos povos, que faz ser cada vez mais alto o som e o barulho de liberdade.
Foto: CS A Esmorga
