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061212 faixa catalaPaísos Cataláns - Primeira Linha - [V. Ferrus ] Após a manifestaçom do 11 de Setembro, alguns pensávamos que o debate às vezes áspero sobre esta mobilizaçom e sobre a plataforma que a convocou, a Assemblea Nacional Catalana (ANC), se tinha apagado um pouco, sobretodo tendo em conta que o povo tinha evidenciado a inconsistência de algumhas das afirmaçons de alguns articulistas (por certo, após o 25 de novembro, também tem ficado em evidência umha das profecias de Nostradamus: que esta manifestaçom serviria para reforçar a CiU, um exemplo mais do simplismo com que se analisam às vezes os fenómenos políticos).


Mas estávamos enganados: num artigo para colegas de Primeira Linha, Simón Vázquez volta diretamente e indiretamente à carga. Seguidamente, comentaremos algumhas das afirmaçons que consideramos mais frívolas.

Comecemos polo final, onde o articulista afirma que a Esquerra Independentista “sofre dumha divisom de linhas políticas nom convergentes, e mesmo às vezes antagónicas, entre dous setores que estariam representados polo MDT (Moviment de Defensa de la Terra), defendendo alianças com diferentes setores do nacionalismo e a de Endavant-OSAN, defendendo estruturas de base, e com apresentaçom de alianças com o resto da esquerda revolucionária (nom independentista) e com os movimentos sociais e populares“.

Este enunciado é enviesado, simplificador e reduzionista, porque na medida de suas possibilidades o Moviment de Defensa de la Terra (MDT) desdobra a sua atividade partidária em dous espaços complementares: o espaço da Unidade Popular (UP) e o espaço, mais largo, de Ruptura Democràtica per la Independència (RdxI). A participaçom dos seus militantes em associaçons de vizinhos, sindicatos, nas luitas polo território, polos direitos sociais, antipatriarcais, em casals, et cétera e o impulso da CUP como referente político de massas da Unidade Popular avalizam a primeira linha de açom.

Em referência ao segundo espaço, há que remarcar a nossa participaçom nos últimos seis anos em plataformas amplas como a Plataforma pel Dret de Decidir (PDD), as consultas pola independência e a ANC, que têm servido para aumentar a consciência independentista de umha maneira ininterrompida. Nestas concreçons organizativas da RdxI houvo e há sectores sociais e políticos diversos, mas sobretodo milhares e milhares de pessoas que trabalham e se mobilizam numha orientaçom independentista. Conjuntamente com a agudizaçom de certas contradiçons dentro do Estado espanhol, é esta mobilizaçom popular a que tem permitido estar onde estamos hoje.

Agora perguntamo-nos: que problema há em trabalhar na ANC se (praticamente) toda a Esquerra Independentista estivo de acordo em analisar a participaçom nas consultas como positiva e que respondia a umha política de alianças e umhas debilidades políticas parecidas? Mais ainda: como é que, a iniciativa de CIU ou ERC ou a mesma CUP, todos os/as regedores/as votam nos seus municípios e aos conselhos comarcais a adesom à AMI, presidida por aquele com o que alguns nom se queriam manifestar? Talvez a razom tem mais a ver com umha conceçom estética da política.

E todo junto liga com umha afirmaçom de Simón à primeira parte do artigo, onde fala da existência de um suposto setor de direita da Esquerra Independentista que participou na manifestaçom convocada pela ANC: “Porém, há que dizer, para nom faltar à realidade, que o setor direitista da EI decide de maneira indisciplinada participar na manifestaçom da ANC com simbologia dá frente institucional, a CUP.”

Pois bem, se por exemplo aceitamos a afirmaçom do comunicado de Endavant-OSAM de 8 de Outubro de que “o povo tem sentenciado o autonomismo saindo em massa à rua o passado 11 de Setembro; assim, o autonomismo tem morrido definitivamente como projeto político viável para a emancipaçom do Povo Catalám“, haveria que  perguntar-se como é que houvo gente que nom quijo estar ao lado do Povo para derrotar o autonomismo e qual foi neste contexto a posiçom verdadeiramente de direita, diríamos conservadora. Porque o dever de umha organizaçom revolucionária é estar junto ao Povo quando está a luitar por alguns de seus objetivos, e mas se se tratar de um objetivo progressivo.

Se nos centramos já na mobilizaçom da ANC que conduziu à multitudinaria manifestaçom do 11-S (insistimos, aquela que enterrou o autonomismo ou aquela que CIU tentou converter sem sucesso num ato de apoio ao pacto fiscal) surpreende a afirmaçom “esta plataforma cresce em referencialidade graças ao apoio de todas as forças catalanistas do Parlament (ERC, SI, CIU) e, graças ao impulso da imprensa e o apoio nom sempre explícito da burguesia, consegue ser um referente muito importante numha parte da populaçom catalá.” Em primeiro lugar, há que dizer que a ANC nom cresceu em referencialidade graças ao apoio das forças “catalanistas”, senom que o fijo sobretodo graças à mobilizaçom que tivo lugar ao longo de todo o verao (a Marxa per la Independència), umha mobilizaçom sem comparaçom em décadas.

Em segundo lugar, ainda é mais atrevido e fora da realidade dizer que a ANC se tornou um referente importantíssimo de umha parte do povo catalám graças a ‘”o apoio nom sempre explícito da burguesia“, já que com o uso de um artigo em sentido genérico se quer fazer acreditar que a maioria da burguesia dava apoio a umha plataforma independentista, o qual é simplesmente delirante. Ademais, cumpriria que o articulista nos explicasse como percebeu este apoio nom explícito.

Em terceiro lugar, também nom é verdadeiro que a referencialidade da ANC se conseguisse graças “ao impulso da imprensa” senom que, insistimos, foi graças à mobilizaçom e o trabalho de muitos e muitas independentistas que nom som militantes de qualquer organizaçom política. Outra vez, Simón usa o artigo em sentido genérico, cousa que implica, segundo o articulista, que, por exemplo, a maioria de diários impulsionárom a ANC. Quer dizer que El PeriódicoEl PaísEl Mundo ou até La Vanguardia, que representam segundo o EGM o 85% dos diários de informaçom geral lidos na Catalunha, impulsionárom a ANC? Sinceramente, nom acertamos a ver em que dados se baseia esta ideia. Ademais: esta afirmaçom pressupom umha visom simplista dos efeitos dos meios de comunicaçom, que parte da nomeada Teoria da agulha hipodérmica, invalidada há tempo.

Se passamos a outra questom, a referente à Unidade Popular, a afirmaçom que este espaço nom tem um referente partidário implica, após as municipais do 2011, no mínimo, obviar umha realidade: este referente é a CUP (isso sabe-o todo mundo e é profecia) que nom é qualquer frente ou sector institucional da Esquerra Independentista (visom reformista e reduzionista da CUP), senom que é a organizaçom de massas da Unidade Popular, que mobiliza, enquadra e intervém nas instituiçons burguesas. Bem, e após a campanha polas eleiçons ao Parlament de Catalunha isto tem ficado ainda mais claro.

Para acabar, também som discutíveis as seguintes hipóteses:

Umha possível mudança de paradigma económico poderia ser a vinculaçom dumha média burguesia crescente e mais tecnocrata, com capital francês e alemám, vinculada ao setor serviços, sobretodo o turismo, e que quigera manter Catalunha dentro da primeira velocidade da zona euro, deixando entrar ainda mais o capital alemám nesta comunidade. Desta maneira conseguem a independência viável para à Europa de Merkel.

Ao nosso entender, a única opçom de que ou capitalismo catalám da mao de CiU optasse pola independência está unido a dous fatores: o crescimento deste sector económico, com projetos especulativos como macro-complexos turísticos (veja-se Barcelona World) [...]“

Referimos-nos concretamente que os dados dos que se dispom nom avalizam umha forte participaçom do capital franco-alemám no sector turístico. Em concreto, polo que sabemos até agora, o projeto Barcelona World que se cita mais abaixo é umha operaçom onde se implica umha parte da grande burguesia, La Caixa, que vende os terrenos e o Grupo Veremonte (do especulador Enrique Bañuelos) que contribuirá 20% do investimento e tentará atrair investidores estrangeiros (chineses, norte-americanos…,etc.)


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