Familiares de Stephen Lawrence, conhecidos e militantes políticos compareceram nesta segunda-feira (22) na igreja de St Martin-in-the-Fields, em Londres, para lembrar o assassinato do adolescente negro há 20 anos, em um caso de racismo que marcou a Inglaterra.
A cerimônia foi marcada pela presença de políticos, como o prefeito de Londres Boris Johnson, que não perdeu a chance de fazer demagogia.
Stephen Lawrence era um rapaz estudante de arquitetura, e possuía certo destaque intelectual. Negro e de 18 anos, foi esfaqueado por um grupo de cinco jovens brancos quando esperava por um ônibus em Eltham, em 22 de abril de 1993.
Na época do crime, todo o inquérito penal foi considerado como “tendencioso”, ou seja, as investigações caminhavam para que não houvesse nenhum responsável.
Pressionado pelo movimento negro e outros movimentos sociais, o governo britânico foi obrigado a ordenar uma investigação “independente” em 1997. Quer dizer, o governo assumiu que os inquéritos policiais eram racistas.
Um relatório desse comitê independente foi divulgado dois anos mais tarde, denunciando o racismo institucional da polícia, e recomendou medidas que levaram a algumas mudanças no procedimento penal os crimes racistas que são investigados no país.
Finalmente em 2012, um júri popular considerou culpados Gary Dobson e David Norris pelo assassinato de Stephen Lawrence.
Casos recentes
Em meados de 2011, o centro da Inglaterra foi o palco de um dos maiores levantes raciais ocorridos no país. Fato que teve como estopim a execução pela polícia britânica de Mark Duggan, de 29 anos. A vítima era pai de quatro filhos e popular na comunidade em que vivia.
Vários os protestos e levantes na Inglaterra se multiplicaram, transformando diversas cidades em verdadeiras praças de guerra, onde policiais também tiveram que pagar o preço da execução do rapaz, e foram agredidos.
O caso não foi o único daquele ano. Em março, o músico Smiley Culture foi morto durante uma busca policial em sua casa, em Londres; em abril, um jovem negro, Kingsley Burell, morreu nas mãos da polícia em Birmingham e em maio houve a morte de outro jovem londrino, Demetre Fraser, na mesma unidade policial de Birmingham.
A questão racial no continente é “uma panela de pressão, com a tampa prestes a explodir”, como afirmou o sociólogo francês Jean-Marc Stébé à BBC.
Fruto da crise econômica, que está a poucos passos do colapso total, o crescimento do racismo na Europa teve como pano de fundo os planos econômicos antipopulares adotados pela burguesia, o alto nível de desemprego, perda de direitos trabalhistas e as demissões que estão a pleno vapor.
