Na Itália, militantes do movimento neofascista Forza Nuova criaram um "observatório antirracista", com um número de telefone para denunciar discriminações, violências e injustiças. O observatório, já operante nas cidades de Gênova e Como, no norte do país, chega agora a Ravena, região da Emília-Romanha, nordeste da Itália. Tudo muito bonito e admirável, mas com o sinal invertido: o "número negro", segundo o jornal italiano Il Fatto Quotidiano, foi criado para "tutelar os cidadãos italianos vítimas de abusos e discriminação por parte dos extracomunitários", imigrantes vindos de países não pertencentes à União Europeia.
Luca Castellini, coordenador do movimento na região, explica que "em nome de uma solidariedade hipócrita e suicida, os italianos são cotidianamente preteridos na entrega de casas populares e na busca por emprego, diretamente atingidos na segurança de sua própria vizinhança, reduzida a terra de ninguém pela criminalidade estrangeira".
Em Ravena, o responsável pelo serviço é Raffaello Mariani, um operário de 33 anos de idade. "Somos vítimas de um racismo ao contrário", acredita Mariani, que afirma ter recebido cerca de vinte chamadas nos últimos dez dias. "Nós ajudamos o povo, que está assustado, cansado e irritado a tomar consciência e criar coragem. (...) Ajudamos as pessoas a fazer compras ou a carregá-las, acompanhamos mulheres até suas casas à noite, ajudamos italianos discriminados no trabalho ou na seleção para a moradia popular", explica o bom moço. Ainda segundo Il Fatto, até agora as autoridades têm respondido à iniciativa xenófoba dos neofascistas com um "silêncio constrangedor".
Imagem: Passeata do movimento neofascista Forza Nuova.
