Ileana Ros-Lehtinen, chefe do Comitê de Assuntos Estrangeiros da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, apresentou projeto de lei ao Congresso norte-americano com o objetivo de bloquear todos os recursos que o governo destine a qualquer país e a qualquer entidade da Organização das Nações Unidas (ONU) que apoiem o reconhecimento do Estado da Palestina na ONU.
A parlamentar, republicana eleita pela Flórida, também quer que os EUA parem de contribuir ao fundo dos direitos humanos da ONU e à conferência contra o racismo, que, para ela e para todo o partido representam campanhas contra Israel.
Direita racista se levanta perante demagogia
O projeto de lei nos EUA contra o reconhecimento do Estado Palestino é claramente uma tentativa da direita norte-americana reagir e conseguir espaço diante da tendência conservadora do Presidente Obama.
O projeto de lei tem mais de 50 autores e é apresentado no momento em que a ONU se prepara para votar em Assembleia Geral o reconhecimento ao Estado da Palestina.
Ressuscitando Bush pai, em entrevista a parlamentar afirmou que ela quer seguir o exemplo do ex-presidente, que em 1989 impediu que a ONU reconhecesse o Estado palestino ao ameaçar cortar as verbas norte-americanas para as Nações Unidas.
O Governo Obama, por meio da porta-voz do Departamento de Estado, Victoria Nuland, disse que a administração Obama é "contra o projeto de lei de Ros-Lehtinen, pois ele irá minar seriamente nosso papel internacional e enfraquecer perigosamente as Nações Unidas como um instrumento para avançar os objetivos da segurança nacional dos EUA".
Segundo o projeto, os EUA ficarão impedidos de contribuir para o Conselho de Direitos Humanos da ONU, para o relatório Goldstone, que acusou o Estado de Israel de crimes de guerra, e para a Conferência de Durban contra o racismo.
A ONU é para a repressão
Primeiramente, não há qualquer razão para crer que a Organização das Nações Unidas (ONU) tem o remoto objetivo de reconhecer o Estado Palestino ou combater o racismo ou promover os direitos humanos.
Muito pelo contrário, a ONU é responsável por ocupações ilegais de países, como no caso do Haiti e de tantos outros países, e recentemente treinou soldados brasileiros, não só para ocupar o Haiti, mas também para promover a repressão às comunidades negras e pobres do Rio de Janeiro, as famosas e facínoras UPPs.
Tanto é assim que os revoltosos dos países nos quais a ONU faz seu papel "humanitário" quanto tomam a primeira medida contra a situação é justamente a de atacar prédios, sedes e soldados das Nações Unidas.
A ONU já foi acusada de racismo por diversos países africanos, e durante conferências sobre racismo contra palestinos, os países imperialistas que dominam a organização simplesmente abandonaram o debate.
Claramente não está colocado esse reconhecimento do Estado Palestino pela Organização das Nações Unidas, e muito menos pelos Estados Unidos. Tal assertiva é mais um golpe para assegurar votos esquerdistas em Obama para a eleição que se aproxima.
Por outro lado, dum ponto de vista de soberania, não há nenhuma razão plausível para se cogitar "reconhecimentos" ou invasões promovidas por exércitos imperialistas, como é recente caso da Líbia. É o povo do país que deve tomar as rédeas com as próprias mãos, sem qualquer intervenção militar internacional forjada de "ajuda humanitária", ou "democratização".
Ao mesmo tempo, Barack Obama vê sua aprovação cair vertiginosamente, principalmente perante a população pobre, negra e imigrante do país, que depositou votos de mudança no negro Obama, principalmente quando dia-a-dia fica mais claro que ele é "apenas" mais um representante do imperialismo burguês que mais mata no mundo.
Neste panorama, a extrema-direita norte-americana, e mesmo mundial, diante da completa venda dos governos de esquerda vê espaço para trazer à tona todos os horrores racistas já vividos no mundo, vide as leis da Europa contra imigração, bem como as novas medidas de estados conservadores norte-americanos contra imigrantes, ao que se soma o projeto de lei da já citada parlamentar republicana.
Quem promove o mascare de Israel contra o povo palestino se não Israel, a ONU e os EUA? São eles mesmos os principais responsáveis pelo massacre e a opressão dos povos em todo o mundo. Assim, a luta contra o racismo deve envolver sempre e principalmente todo apoio à luta e à vitória do povo palestino!"