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Eliseo Fernández

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Memória viva

Canteiros galegos e portugueses: face a face

Eliseo Fernández - Publicado em Quarta, 18 Agosto 2010 02:00

Eliseo Fernández

Na década de 90 do século XIX houve uma vaga de conflitos entre operários galegos e portugueses. Naquela altura, existia uma forte mobilização operária em toda a Galiza, estimulada pelas reivindicações da jornada de oito horas na data do 1º de Maio, solenizada no país desde o ano 1890.


As divergências entre operários galegos o portugueses tiveram início no Outono de 1894 na Corunha, atingindo os canteiros que trabalhavam na praça de Maria Pita. Naquela obra, os operários galegos pediram a demissão dalguns portugueses que lá estavam lavrando pedra. O motivo da briga era que os operários portugueses chegados de Viana do Castelo não aderiram as sociedades operárias da cidade e não apoiavam a greve dos operários galegos pedindo aos patrões a subida dos salários. Os canteiros corunheses entrevistaram-se oficialmente com os colegas portugueses para lhes pedir que deixassem de trabalhar, mas não o conseguiram e começaram então os ataques contra os canteiros lusos. Depois de vários incidentes violentos entre os canteiros galegos e portugueses, os operários da Corunha tiveram de abandonar a greve sem conseguir as suas reivindicações.

Em Maio de 1897 houve uma nova greve na Corunha, e desta vez os operários da cidade tiveram a iniciativa de enviar notícia da greve aos jornais operários de Espanha e Portugal para evitar a chegada de fura-greves do país vizinho. Mais o maior conflito daquele período foi em Compostela, onde também os canteiros que trabalhavam nas obras da universidade se declararam em greve a finais de Abril de 1898. Decididos a não permitirem que os fura-greves prejudicassem o movimento, uma multidão congregou-se na estação dos caminhos-de-ferro de Cornes, pois lá estava previsto que chegasse um grupo de 15 operários contratados no próprio Portugal pelo patrão Juan Bouzán, por encomenda da sociedade patronal recentemente criada. À chegada do comboio, os operários grevistas e um numeroso grupo de mulheres começaram a apedrejar os fura-greves, ferindo alguns deles e também um dos patrões que lá fora recolhê-los.

As consequências do incidente da estação de Cornes foram muito graves, pois a polícia deteve vários operários e operárias como supostos autores do ataque aos canteiros portugueses.

Também não foi ganha a greve, e quase um ano depois, houve um juízo contra as pessoas envolvidas na agressão aos portugueses. Vinte e quatro homens e vinte e duas mulheres foram julgadas em Março de 1899, mais o fiscal retirou a acusação contra a maior parte dos réus e só a manteve contra dois homens e duas mulheres; para eles tão só pediu penas de dois meses de cárcere e uma coima de 125 pesetas, respectivamente.

A lição que o operariado galego tirou destas greves foi a de que necessitava estreitar os contactos com as associações operárias portuguesas para interromper a chegada de canteiros do país luso quando na Galiza houvesse greves. Foi no início do século XX quando aqueles contactos chegaram a produzir fruto.


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