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090212_armyIsrael - Correio da Cidadania - [Luiz Eça] O general Dempsey foi claro: se Israel atacar o Irã sem prévio acordo com os EUA, "não conte com nosso auxílio". O objetivo evidente era convencer os israelenses a manterem seus bombardeiros em terra até Obama decidir que os iranianos tinham ido longe demais. O que poderia nunca acontecer.


Nem bem o general voltou para seu país e o governo de Israel realizou uma reunião do mais alto nível, num subúrbio de Tel-aviv, para elencar argumentos capazes de convencer Obama que já chegara a hora de atacar. Ou, pelo menos, deixar claro que ele deveria ir se preparando, pois Israel considerava as sanções insuficientes e, portanto, já se decidira a bombardear o Irã, logo. E que seria bem sucedido.

O vice-primeiro-ministro para Assuntos Estratégicos, Moshe Ya'lon, rejeitou o argumento de que o ataque não conseguiria êxito total. "É possível destruir todas as instalações nucleares do Irã", garantiu.

Numa tentativa de mostrar que o problema era também dos EUA, Ya'lon afirmou que a explosão de uma base de mísseis no Irã, em fins do ano passado, foi obra do serviço secreto israelense. O maior beneficiário dessa ação seria, segundo ele, os EUA, pois os mísseis da base tinham um alcance de 10.000 quilômetros, prontos para atingir cidades americanas.

O ministro não apresentou nenhuma prova ou evidência dessa asserção. A idéia de atacar os EUA é absurda. Os iranianos podem ser atrevidos, mas não são loucos.

Por sua vez, Yoram Cohen, chefe do Shin Bet (serviço de segurança interna), denunciou ataques do Irã em alvos israelenses no exterior. Três deles teriam sido evitados em tempo: contra diplomatas israelenses na Turquia, Azerbaijão e Tailândia. A denúncia de Cohen ficou nas palavras, pois nenhuma prova, evidência ou sequer indício foi apresentado.

O Major-General Aviv Kochavi foi, talvez, a sensação da noite. Ele jurou que o Irã acumulou mais 4,5 toneladas de urânio enriquecido ao nível de 3,5% e quase 100 quilos ao nível de 20%. Material suficiente para produzir quatro bombas nucleares.

Como se sabe, bombas nucleares exigem urânio enriquecido a 90%. Kochavi não vê dificuldade nenhuma nisso. "No momento em que Kamenei der ordens para acelerar a produção do primeiro engenho nuclear, estimamos que levará um ano para o Irã conseguir o grau de enriquecimento necessário".

Todas essas informações são muito estranhas. Embora se saiba que o último relatório da AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica) contou com amplas informações dos serviços secretos do Ocidente – inclusive de Israel-, nada disso foi comunicado. O que nos leva a crer que as denúncias do general não passaram de words, words, words.

Há décadas que Israel ameaça bombardear o Irã. E fica por isso mesmo. Desta vez, parece que é sério. Autoridades dos EUA que têm participado das gestões diplomáticas com Israel acreditam que as chances de guerra são de 50%. Há alguns que falam em 70%.

O próprio Secretário da Defesa, Leon Panetta, declarou ao Washington Post que acreditava que Israel atacaria entre abril e junho. Depois desmentiu. Disse que não era bem assim...

O fato é que, apesar das exortações de Obama e da condenação inflamada do antigo chefe do Mossad, Meir Dagan, e de outras importantes figuras de Israel, Netanyahu não desiste do ataque.

A intransigência israelense tem dois objetivos:

1) Fazer Obama "esforçar-se mais" para tornar as sanções realmente destruidoras. E é o que o presidente tem feito. Pressionou (e continua pressionando) vários países a respeitarem o boicote do petróleo iraniano e do seu Banco Central. Procura convencer as potências petrolíferas a aumentarem sua produção para substituir o petróleo iraniano tirado do mercado.

Aumentou a força naval no Golfo e fortaleceu militarmente os países satélites da região (Arábia Saudita, Qatar, Bahrein, Kuwait, Omã e Emirados Árabes Unidos).

Promoveu ciberataques contra as instalações iranianas e financia grupos dissidentes que querem derrubar o regime iraniano.

2) Fornecer munição aos republicanos e às personalidades públicas pró-Israel para defenderem o ataque ao Irã e pressionarem Obama, de modo a obrigá-lo a, senão apoiar esse ataque, pelo menos entrar na luta depois que os iranianos revidarem e a guerra se concretizar.

A estas alturas, é quase certo que Israel, dentro de poucos meses, enviará sua aviação para atacar o Irã. E não somente as instalações nucleares. É de se crer que bombardearão também os principais objetivos militares do país, para enfraquecer a retaliação inevitável.

Claro, com a participação americana, o ataque seria arrasador. O Irã ficaria militarmente enfraquecido, sem muitos meios para reagir à altura.

O plano B de Netanyahu é começar sozinho, aceitando que a resposta iraniana poderá causar muitas mortes.

Em compensação, causaria também a entrada dos EUA na guerra. E o fim de mais um país que se atreveu a procurar igualar a capacidade militar de Israel.

Há quem ache que pode não dar certo. Que ressurja o Obama modelo 2008, dos tempos da campanha eleitoral. Esse Obama redivivo interviria, exigindo uma trégua, com apoio e controle da ONU.

Todos os países do mundo ficariam de pé para aplaudi-lo. Até os Estados Unidos.


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