As vizinhas e vizinho de Leirado tenhem saído na imprensa nas últimas semanas. Que podes contar-nos sobre as mobilizaçons que estám a acontecer?
Tristemente os motivos que levam as pessoas a se mobilizar som a perda de direitos. Leirado e mais sete paróquias de Salvaterra de Minho tinhamos direito à assistência sanitária num consultório que fica situado na mencionada paróquia, concretamente na zona conhecida como Sam Roque, onde há umha farmácia, supermercando, escola, e diferentes serviços. É umha zona do centro e agora temos que ver as nossas avós e avôs luitando por manterem o direito a assistência sanitária sem se terem que deslocar.
Desde quando está aberta essa consulta médica?
Leirado sempre contou com certos servizos sanitarios, mas em concreto foi aprobada em outubro de 1994 e inagurada a principios do 1995 logo de umha luita intensa pola associaçom de vizinhas e vizinhos de Leirado para ter consulta médica é farmacia na mesma.
Porque Leirado conta com um centro médico?
Os motivos que levárom a que essa consulta abrisse em 1995 seguem plenamente vigentes nos dias de hoje. Por um lado temos que falar do tipo de sanidade que defendemos, obvia dizer, que apostamos numha sanidade pública e de qualidade, porém quando a vizinhança pensa em qualidade, parece nom ter o mesmo significado que quando o emprega o Gerente de Atendimento Primário ou a Conselheira de Sanidade, nós apostamos por um serviço sanitário perto da populaçom, para tratar primeiros sintomas, um trato próximo.
Isto deve-se situar em relaçom com os deslocamentos, umha pessoa do rural nom pode ter que se deslocar mais de 40 km para umha consulta de cabeceira, ou para fazer receitas, porque isto leva a que as pessoas nom consultem as primeiras doenças. Há que ter em conta as dimensons do Concelho de Salvaterra de Minho, por isso julgamos imprescindível que exista umha consulta médica que atenda as paróquias de Uma, Vilacoba, Lira, Soutolobre, Corzáns, Meder, Lourido e Leirado, que estamos longe do núcleo urbano e ademais o rural nom conta com serviços de transporte público.
Já que o mencionas, que defendedes vós como sanidade de qualidade?
Para nós, qualidade é nom ter que descolcar-se 20, 30 ou 40 km, para nós qualidade é ter um atendimento pensado numha populaçom envelhecida, com doenças crónicas, para nós qualidade é fazer planeamento sanitario acorde com a dispersom territorial, umha medicina preventiva, ter umha sanidade modernizada perto de casa, nom ter que depender de terceiras pessoas para chegar aos centros de saúde… Para nós qualidade é que nos atenda umha pessoa profissional da medicina sem esperar manhás inteiras, que o faga num espaço laboral adequado, modernizado.
Nom pode pretender o SERGAS que fagamos as consultas por teléfono, o serviço de consulta telefónica nom pode converter-se em substituto do atendimento persoal. E nom pode nem Gerência de Atendimento Primario, nem o Alcalde de Salvaterra, dar-nos dados falseados e pretender que fiquemos tranquilas, quando sabemos que levam desde o ano 2008 a mentir-nos.
Porque acusas a Gerência do Atendimento Primário e o Alcalde de mentir?
Tentarei explicar-me de forma breve. Em dezembro do ano passado o consultório médico fechava a porta com umha nota na que informava que que o doutor marchava de ferias. Desde esse momento, a consulta médica nom voltou a abrir. A partir de ese momento um grupo de gente começamos a mobilizar-nos e a investigar e manter diferentes reunions desde o Alcalde, Atendimento Primário, e vizinhança e as conclusons as quais chegamos fôrom as seguintes:
A decisom da clausura da consulta tomou-se em torno do ano 2008/09, momento em que se decide que só se modernizarám as consultas com mais de 650 cartons sanitários. Neste momento procedem a repartir o cupo das cartons sanitários que correspondiam a Leirado que contava com mais de 650 entre as doutoras e doutores do centro médico de Salvaterra, isto nom podia fazer-se, pois o cupo de Leirado era independente, as vizinhas e vizinhos que quigérom recuperam a prestaçom sanitaria em Leirado, tivérom que atravessar trámites brocráticos e aguardar 6 meses, causando-lhes um prejuízo. Com esta jogada, justificam que Leirado nom se moderniça porque nom conta com utentes suficientes, mas como vemos é falso.
Di-se-nos que só vam 8 pessoas por dia à consulta, e é certo, más é porque o SERGAS nom autoriza mais citas por dia, ficando muitas pessoas sem atender, o que demostra a demanda real que existe de este serviço. Em 2008, já a vizinhança se mobiliza e fai recolha de assinaturas, para que o consultório tenha mais prestaçons, do qual tem constancia a equipa de governo do Partido Popular em Salvaterra, pois som ajudadas por ele mesmo, mas todo foi “puro teatro” pois o Alcalde Arturo Grandal, responsavel de Sanidade junto com o doutor que ocupava a vaga de Leirado, já naquela altura eram conhecedores do futuro do consultorio médico, que fecharia quando o doutor Mohamed se reformasse, o que sucedeu em dezembro, porém, a nota dizia férias. A absoluta falta de respeito do PP pola vizinhança leva-os a prometer melhorias no consultorio médico se ganharem as eleiçons… e ganhárom, e o consultório fechou! E agora pretendem converter umha decisom política em médica, escusando-se em que nom é culpa do PP de Salvaterra que isto vem de cima, mas claro, quem está acima? sobes, sobes…. e sempre está o Partido Popular.
Falas de modernizar o consultorio médico, que caraterísticas tem na atualidade?
Estamos a falar de um consultório básico, e como sabemos nos últimos anos todo se tem informatizado e moderniçado, assim a dia de hoje é preciso contar com o historial digitaliçado onde poder acceder para conheçer a historia clínica e anotar as incidencias. Nós solicitamos que se dote Leirado dos equipos necesários que permitam desenrolar o ejercício profissional em ótimas condiçons laborais o que obviamente repercute de forma direta na qualidade do serviço sanitário que recebemos, é isto passa por dotaçom informática e de pessoal sanitário.
Reclamamos também o serviço de pedriatia, pois como já indiquei em Leirado existe umha escola, e que os horários de atendimento sejam adequados para atender as necessidades de cosultas. Nom sabemos exatamente de que quantidade de dinheiro estamos a falar, pois seguimos à espera do desglose do investimento que solicitamos ao SERGAS e que nom enviárom.
Começam pois a notar-se os cortes de sanidade no rural?
Nesta zona, polo que nos sabemos, fechou-se outro consultório médico de carateristicas semelhantes. Na minha opiniom está nom é tanto umha consequência direta da crise, como de outro modelo de política sanitária e de planificaçom do território. Explico-me, o posto de trabalho nom se destruiu, a pessoas que realizavam a assistencia sanitaria em Leirado, seguem em Salvaterra pois a reforma se cobriu, dentro do salário das mesmas está incluido o deslocamento e os custos do material que fai falta polo que nos informárom outras fontes é pequeno. A questom é outra, e passa por pensar no rural que está a construir-se… fechando escolas, e os poucos serviços que existem. A política da Junta da Galiza é claramente cara umha concentraçom da populaçom em essas ficticias cidades de granito que construírom-se na bolha imobiliária. Mas a realidade é que nom há dinheiro para viver aí, que, devido à crise, as familias voltam a habitar as casas das aldeas… aldeas em que há pessoas que apostamos e que as nossas velhas e velhos nom abandonárom e das quais agora veem desaparecer os serviços básicos, como é a sanidade.
Recentemente apresentavas umha moçom no Concelho de Salvaterra, que é o que se reclama na mesma?
Assim é, o contido da mesma e na linha do que já fum comentando. Pôr de manifesto a necessidade de que o consultório siga aberto, estamos falando de que da serviço a 8 paróquias e que o mesmo o faga em umhas condiçons que se adequem as necessidades profissionais das pessoas que exercem a medicina, assim como utentes e que isto se faga o antes possivel.
Qual é o grau de oposiçom em essas paróquias à clausura do centro médico?
A oposiçom que se gerou é mui forte, quando começamos esta andadura nom sabíamos quanto apoio teriamos na iniciativa de conseguir manter o centro aberto. O trabalho no rural é mui de boca em boca, e mui “familiar” a gente chama-te a casa ou bem a visitar-te para falar do tema e dar o seu apoio.
No entruido fijo-se umha comparsa crítica que percorreu as ruas de Leirado, realizou-se também umha juntança aberta vicinal em que foi convidada a Concelheira por Leirado do Partido Popular e negou-se a vir, chamou-se também umha assistência massiva ao pleno no que ia ser tratado o ponto do consultório médico, e estava cheio de gente das diferentes paróquias, porém coincidiu com a visita dos Afetados polas preferentes e o ponto nom se tratou.
Um exemplo da pressom que se está a fazer é que, conseguimos que todos os grupos políticos se posicionassem a favor de que o consultório siga aberto, resta vermos se o compromiso se materializa em factos.
A seguinte noticia que tenho e da qual soubem ontem, a este respeito é que o ponto do Consultório de Leirado seria tratado na manhá de hoje, em um Pleno convocado por urgência, suponho que com objetivo de que nom parareça a vizinhança, a protestar… porém em esse pleno haverá pessoas implicadas na defensa do consultório! O bom do tempo de chuva e do desemprego é que a gente pode ir aos plenos inda que sejam de manhá, por buscar algo positivo a esta situaçom.
Qual é o teu papel dentro da oposiçom gerada?
Eu sou das gente mais nova que estamos a trabalhar pola reabertura do consultório, isto sempre fai com que fagamos mais cousas, e junto com outras pessoas o trabalho realizado tem sido o antes relatado, desde trabalho agitativo, de procura de informaçom, reunions com diferentes órgaos, escritos, manifestaçons, etc.
A nível pessoal, o que percebo é que há muito trabalho em diferentes áreas por fazer, pois a associaçom vicinal leva anos parada, é este é um bom momento para o seu funcionamento, pois somos muitas as pessoas que nom estamos dispostas a ver como o rural esmorece.

