"Boa tarde companheiras e companheiros:
Bem vindas ao coraçom da Corunha nesta XII ediçom do Dia da Galiza Combatente.
Há sessenta anos era executado um dos bons e generosos deste país. Em agosto de 1952, Benigno Andrade Garcia, popularmente conhecido como Foucelhas, foi assassinado nom muito longe de aqui, na antiga prisom da Corunha, frente ao mar de Orçám, logo de ter padecido terríveis torturas.
O seu único delito é idêntico à causa que hoje nos convoca aqui para homenageá-lo: defender com firmeza e paixom a liberdade e a justiça social.
Sim, companheiras e companheiros: Foucelhas foi assassinado por um regime terrorista, por ser coerente e conseqüente com os interesses da classe trabalhadora galega.
Hoje, estamos aqui, diante dum dos esperpentos que inçam alguns dos mais nobres espaços da cidade de Roi Xordo, Maria Pita, Ángelo Casal, Jaime Quintanilha, Vitor Casas, dos irmaos Legívia, para honrar e reivindicar um dos luitadores galegos contemporáneos com mais arraigo popular.
Sim, companheiras e companheiros, sim camaradas, estamos aqui, sem complexo algum e com muito orgulho, para homenagearmos um filho destacado deste povo, a Benigno Andrade Garcia,Foucelhas, um humilde camponês pobre de Cúrtis, mais tarde mineiro berziano, a quem as adversas condiçons políticas e sociais convertêrom num carismático e respeitado combatente revolucionário.
Achamo-nos aqui para mantermos acessa na memória coletiva da Galiza rebelde e combativa a quem durante mais de umha década combateu sem trégua, e com as armas na mao, o franquismo, esse regime de terror da burguesia.
A imensa maioria das reivindicaçons que o levárom a encabeçar a V Agrupaçom do Exército Guerrilheiro da Galiza na década de anos quarenta do passado século, ainda hoje nom se atingírom, ou bem as estamos perdendo.
A esquerda independentista e socialista galega, representada pola Unidade Popular, nom alimenta os reducionistas e sesgados discursos de identificar o fascismo com o PP. É certo que esta força política é herdeira direta do regime que durante 40 anos aterrorizou e empobreceu a nossa Pátria. Mas nom menos certo que a atual democracia burguesa, em plena involuçom autoritária, é a prolongaçom do franquismo.
Companheiras e companheiros, o nosso único e principal inimigo nom é simplesmente o PP. O nosso inimigo é o capitalismo, o patriarcado e o imperialismo espanhol. Nom podemos confundi-lo em identificá-lo exclusivamente com o PP.
A partitocracia e a corrupta casta política emanada daquele monumental engano denominadoTransiçom, é no seu conjunto responsável pola voraz ofensiva que os seus amos desatárom contra nós, povo explorado e oprimido.
Estamos em pleno equador de um monótono e clónico processo eleitoral para um parlamentinhosem competências reais. Levamos umha semana escuitando promessas e enganos por parte da totalidade das candidaturas que optam a obter representaçom no Hórreo.
Padecendo bombardeamentos informativos sobre possíveis equaçons e aritméticas parlamentares, que em base a reformas e remendos solucionariam, ou polo menos aliviariam, as cada vez maiores dificuldades socioeconómicas da maioria social.
Mas sabemos bem, tal como boa parte do nosso povo, que todo isso nom passa de meras falácias e falácias. De mentiras sobre mentiras.
Umha força revolucionária deve agir com honestidade frente ao seu povo. Nós assim o fazemos, embora tenha custos e dificuldades de compreensom, por contrariarmos os naturais desejos e as lógicas ilusons de soluçons imediatas que demandam desempregadas, reformados, mulheres, jovens, operários, trabalhadoras, autónomos, a maioria do nosso povo, em definitivo.
A verdade às vezes é mui dura. Nom o podemos negar companheiras e companheiros!
Mas por muito que a maquilhemos nom se pode ocultar.
A saída da crise capitalista nom tem soluçom imediata. Nem vai ser resultado dos efeitos apotropaicos do falso talismám da alternáncia política. PSOE, Bloco, PP, AGÉ, a mesma merda é!
Mas tampouco vai ser um processo fácil. Será resultado de um desenvolvimento complexo e traumático de confrontaçom social, de procurarmos e ganharmos hegemonias, tecermos alianças, construirmos com paciência, constáncia e perserverança as forças da Revoluçom Galega. Um processo histórico salpicado de avanços e retrocessos polo qual devemos transitar. Mas sempre conscientes que as urnas, como umha frente mais de luita, cumprem um papel secundário. A liberdade, camaradas, custa muito cara, e para a conseguir sempre há que pagar um elevado preço!
Ganhe quem ganhar o vindouro 21 de outubro, praticamente nada vai mudar. Porque a saída aos graves problemas, que dia após dia o povo trabalhador galego tem que confrontar, nom é eleitoral. Nom se trata de realizar meras reformas cosméticas, suaves apanhos e mornos arranjos. Tampouco é questom de mudar estilos e aplicar novos talantes. Essa recente melodia constatou ser umha enorme falsidade.
Tampouco consiste em renunciar à intransigente defesa dos princípios básicos da luita de libertaçom nacional e social de género entrando a qualquer preço, para assim facilitar a velhos e novos oportunistas sentarem nas poltronas do Paço do Hórreo.
Nom, nada disto serve! Nom passam de propostas velhas e triviais, de banais discursos fracassados. É um conto de agónicas frustraçons e derrotas. Ou se preferirdes, parafraseando Marx, “a história repete-se, primeiro como tragédia e depois como farsa”.
O vírus do parlamentarismo é umha epidemia inoculada na classe obreira que enfraquece o movimento popular, conduzindo-o ao desencanto e à resignaçom. Nom podemos ser indulgentes, nem vacilar. Quebremos pois com ele. Construamos o antídoto.
Frente à ofensiva burguesa, nom há mais alternativa que luita obreira, nacional e feminista organizada!
Frente à ofensiva espanholista, nom há mais alternativa que luita obreira, nacional e feminista organizada!
Frente à ofensiva patriarcal, nom há mais alternativa que luita obreira, nacional e feminista organizada!
Sim, companheiros e companheiras, nom há atalhos. Nom podemos enganar o nosso povo nem gerar falsas expetativas. Convocamo-lo à rebeliom. Esta é a única alternativa plausível, o caminho a seguir. Rebeliom organizada, com um programa ruturista, acumulando forças para tomar o poder. Som tempos de cólera, mas também de esperança. Som tempos de lágrimas e sofrimento, mas também de alegria e satisfaçom. De firmeza nos princípios para luitarmos por umha Pátria socialista.
As tarefas imediatas som reativar o movimento popular e contribuir para desgastar, isolar e tombar o governo espanhol, e por extensom o seu apêndice autonómico.
Nom desconsideremos que nos achamos frente a um governo débil e por momentos encurralado. Estamos perante um governo genuflexo frente a Berlim, Bruxelas e Washington e soberbo frente ao povo trabalhador e às naçons oprimidas.
Mas é um governo à defensiva que necessita apoiar-se no medo, na manipulaçom, na intoxicaçom e na repressom para frear o ascenso da luita popular.
Portugal constatou como um povo na rua, luitando com decisom e confiança, sim pode frear decisons políticas aparentemente sólidas, que nengumha moçom ou discurso parlamentar foi capaz de conseguir. Eis o caminho a seguir.
Companheiras e companheiros, a nossa linha política tática está inserida numha estratégia revolucionária, que sem desconsiderar nengum método e luita, nesta ocasiom optou por renunciar a participar num processo eleitoral autonómico que gera indiferença popular.
O futuro da nossa classe e da nossa pátria nom joga no dia 21 de outubro, e sim no rumo e orientaçom que adquiram as luitas populares.
Afortundamente, som cada vez maiores os setores do nosso povo que dam as costas às forças políticas da burguesia, mas também a toda forma de oportunismo que trafica com os votos para manter as suas elites no circo desta falsa democracia, onde a soberania popular é substituída por interesses alheios à Galiza e à classe trabalhadora.
Nom se pode dilatar mais a convocatória de greve geral, que deve ser de 48 horas, para assim frear a burguesia e injetar confiança nas imensas maiorias, acumulando forças à volta de um programa tático de governo para a rebeliom popular.
É necessário avançar na vertebraçom de massa crítica em prol de um governo obreiro e popular, patriótico e feminista, que aplique políticas de choque para solucionar os mais graves problemas no ámbito económico, laboral, social, cultural, de género, que a crise capitalista tem agudizado.
Hoje, diante deste museu que representa a ocupaçom militar espanhola, onde como humilhante botim de guerra exibem o mauser com que combateu o Foucelhas, umha vez mais manifestamos os quatro ventos que nom nos dobramos, que nom nos resignamos, nom abandonamos, nem claudicamos, que recolhemos o fusil do Foucelhas, tal como antes figérom o comandante Soutomaior, Moncho Reboiras, Abelardo Colaço, Lola Castro, José Vilar, para libertar a nossa pátria e construir um Galiza socialista e feminista.
Viva a Revoluçom Galega!!
Honor e Glória ao Foucelhas e às combatentes galegas!!
Viva Galiza Ceive!!
Viva Galiza Feminista!!
Viva Galiza Socialista!!"
Foto: Nós-UP




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