Joga no seu nome com o duplo sentido da palavra: ato enérgico ou choque violento, e o nome popular do raposo, juntando contundência e astúcia. A modo de editorial, o texto “O nosso caminho” que encabeça a revista (e que reproduzimos aqui), resume em seis pontos as balizas do percurso que proponhem: defender o cerne da naçom, sementar já a Galiza de amanhá, saber-nos em minoria, resistir por todos os meios, a uniom nom sempre fai a força, e caminhar sem dogmatismo.
Com um desenho singelo mas cuidado, o primeiro número recolhe artigos, tanto inéditos como recuperados de outras publicaçons, por volta do tema de “Política e crise”. O coletivo editorial sinala que os trabalhos foram escritos ou elegidos entre novembro e dezembro de 2011, já que a data inicial de publicaçom da revista ia ser janeiro de 2012, mas “diferentes circunstáncias, entre as que se encontra a detençom e encarceramento de Maria Osório e Antom Santos (colaboradores deste número), demorárom a saída do prelo”, sinalando que “excetuando algumhas referências temporais, a atualidade dos artigos permanece intata”.
Política, crise, e crise da política
Após a editorial “O noso caminho”, e um texto de apresentaçom, o primeiro texto, “Nós já começamos”, é umha paráfrase anónima e contextualizada na crise da política nacionalista galega, do Appel, texto anónimo aparecido na revista Tiqqun. “Dez falares” de César Caramês som um conjunto de perguntas que questionam o partidismo e o monocultivo da concorrência institucional. O seguinte texto, “Crise na política (masculina)” é umha conversa com três militantes do arredismo galego. Maria Bagaria, Laura Bugalho e Maria Osório abordam a crise da política desde a ótica de género, propondo novos jeitos de relacionamento e militáncia. Júlio Teixeiro em “A crise da política, o sujeito e a representaçom” analisa as categorias do pensamento político moderno contextualizando-as no seu meio: o capitalismo. Sigue-lhe o texto de Antom Santos “Da jeira ao concelho aberto. Formas de autogoverno na Galiza de onte”, que dirige luz a umha experiência histórica que só recentemente tem chamado a atençom de quem luita por umha Galiza livre: as formas de autogoverno tradicionais da Galiza, concelho aberto e assembleias paroquias, invisíveis às categorias do pensamento político moderno. Por sua parte Roi Ribeira dá uns apontamentos sobre a incompreensom do nacionalismo político face o surgimento de novos movimentos sociais, dos quais o 15M é o melhor exponente. Encerra este primeiro número o artigo “A única saída é a violência”, na que Osvaldo Bayer recorda umha polémica que abalou a filosofia europeia: o abandono por parte de Günther Anders -o mais esquecido dos discípulos de Martin Heidegger- do pacifismo militante do qual era emblema.
Apresentaçons em centros sociais
O coletivo editor explicou para o galizalivre.org que a revista começará a ser apresentada polos centros sociais galegos a finais do verao, dando-lhe especial importáncia ao debate que poda criar e ao diálogo com as leitoras. A revista custa 4 euros, e pode-se solicitar redigindo um correio para golpe.gz@gmail.com, e em breves também poderá mercar-se nos centros sociais. Sinalam também que a publicaçom buscará manter umha periodicidade semestral.

